Tânia Laranjo critica apoios aos carros elétricos: “É preciso ser pobre, mas não demasiado pobre”

Tânia Laranjo voltou a questionar os apoios aos carros elétricos em duas publicações no Facebook, centradas nos rendimentos das famílias e no dinheiro necessário para a compra. A jornalista contestou os critérios que descreve e perguntou por que razão os contribuintes devem financiar a medida.

Depois de uma primeira reflexão sobre as vantagens apresentadas para as famílias carenciadas, Tânia Laranjo aprofundou as críticas, mantendo o tom irónico.

“Este já é o meu terceiro texto sobre os carros eléctricos e começo a achar que devia pedir uma bolsa de investigação. Quanto mais leio, mais fascinada fico”, escreveu.

Jornalista questiona limite de rendimentos e esforço das famílias

Na terceira publicação dedicada ao assunto, Tânia Laranjo apresentou a sua leitura dos critérios de acesso ao apoio e comparou-os com o salário mínimo.

“Temos famílias com rendimentos anuais inferiores a 11.572 euros. São estas as pessoas que o Governo quer ajudar a comprar um eléctrico. Só que há um pequeno pormenor: quem recebe o salário mínimo nacional, 920 euros brutos em 2026, já ultrapassa o limite e fica de fora. Trabalhar a tempo inteiro e receber o salário mínimo é, pelos vistos, sinal de desafogo financeiro.”

- Publicidade -

A jornalista passou depois para a verba que, segundo as contas que apresentou, uma família teria de disponibilizar.

“Mas vamos aos felizes contemplados. O Estado comparticipa 80% do preço elegível, até 15 mil euros sem IVA. Para comprar um carro nesse limite, a família tem de arranjar 6.450 euros. Uma ninharia para quem vive com 826 euros por mês. Devem estar debaixo do colchão, ao lado do fundo de maneio para imprevistos.”

Foi a partir dessa comparação que deixou uma das críticas centrais do texto.

“Portanto, é preciso ser pobre, mas não demasiado pobre para não conseguir juntar milhares de euros. E não se pode ganhar o salário mínimo, porque aí já se pertence a outro campeonato económico.”

A publicação terminou com uma nova ironia: “Terceiro texto. Continuo fascinada. Afinal, há pobres, há ricos e há esta nova categoria: os pobres com poupanças para um eléctrico.”

Caso noticiado pelo CM motiva nova publicação

Mais tarde, Tânia Laranjo regressou ao tema. Num quarto texto, recuperou um caso policial noticiado pelo Correio da Manhã para questionar a relação entre rendimentos declarados e dinheiro disponível.

“Neste quarto texto (não prometo que seja o último), acho que finalmente percebi a medida dos carros eléctricos. E partilho um exemplo que me parece elucidativo.”

A jornalista descreveu então o caso em que baseou a comparação.

“Há dias, o CM noticiou uma operação da PSP em casas junto ao antigo bairro do Aleixo. Numa delas foi encontrado um mealheiro com mais de 45 mil euros. O morador vivia de RSI e tinha direito a casa camarária. Nos rendimentos declarados não chegava sequer ao salário mínimo.”

Em seguida, contrapôs essa situação à de quem trabalha e recebe o salário mínimo.

“Há quem trabalhe o mês inteiro, receba 920 euros brutos e fique de fora porque ganha demasiado. É preciso ter azar. Uma pessoa trabalha, desconta e ainda acaba prejudicada por isso.”

“Uma espécie de pobreza com entrada inicial”

Na mesma publicação, Tânia Laranjo voltou a criticar a necessidade de as famílias disporem de uma quantia própria para avançar com a aquisição.

“O Estado comparticipa 80% da compra de um carro eléctrico, até 15 mil euros de valor elegível. Pagamos nós, claro. A ideia é ajudar quem tem poucos rendimentos, mas precisa de ter milhares de euros disponíveis para pagar os restantes 20%. Uma espécie de pobreza com entrada inicial.”

Sobre o homem mencionado no exemplo, a jornalista acrescentou que se encontra em prisão preventiva, sublinhando a presunção de inocência.

“O nosso protagonista está em prisão preventiva, no âmbito de uma investigação por tráfico de droga. A presunção de inocência é sagrada. E a casa camarária também não se tira assim, obviamente. Com um mealheiro daqueles, talvez até possa escolher a cor do eléctrico.”

O caso foi usado como comparação na sua crítica, sem que a publicação indique qualquer candidatura desse homem ao apoio.

Tânia Laranjo encerrou o quarto texto com uma pergunta sobre a utilização do dinheiro dos contribuintes: “E pronto. Quarto texto. Finalmente percebi a medida. Só ainda não percebi porque é que sou eu, que desconto, que tenho de financiar esta experiência.”


- Publicidade -

Destaques

Fingertips juntaram os primeiros êxitos às novas canções na Academia Almadense

Com “Beautiful Souls” acabado de editar, os Fingertips passaram...

Benfica x Gil Vicente: Águias vencem Galos por 4-1

O Benfica-Gil Vicente terminou com uma vitória encarnada por...

Anastacia no Campo Pequeno: uma noite extraordinária à altura do seu legado

O passado pode ser um lugar confortável. Põem-se os...

Sporting x Marítimo: bis de Pedro Lima vale passagem à final four

Rui Borges mudou os onze titulares e encontrou em...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados