Agradável Corrida dos Mouras e dos Rouxinóis no Montijo, na noite de ontem.

Texto e Foto: Sónia Batista
Bonita moldura de público na noturna de sexta-feira do Montijo (2/3 de praça), com um cartel que marcou o calendário taurino da tão aficionada cidade do Montijo.
A noite contou com a presença da dinastia Moura e da dinastia Rouxinol para enfrentar os jaboneros da ganadaria Canas de Vigoroux. Curro este com toiros de excelente apresentação, a dar bom jogo similar e pesos entre 505 e 595 kg. Perante isto no último touro a representante da ganadaria deu volta com os cavaleiros e forcado.
Abriu a arena da Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos, João Moura, o qual foi homenageado com um excelente discurso por José Cáceres a relembrar os seus 45 anos de alternativa e a render ao Maestro as palavras que ele merece.
Ver tourear o Maestro João Moura é ver um pedaço de História da Tauromaquia e mais uma vez não defraudou com uma lide recheada de detalhes técnicos, dignos da sabedoria que possui.
Na ferragem comprida Moura pai cravou dois excelentes compridos à tira. Na ferragem curta destacou-se nos dois primeiros curtos em sorte frontal e na rosa com que finalizou a sua lide. Ladeios à Moura como nos tem habituado ao longo de todos estes anos trouxeram também bons apontamentos à sua atuação.
Luís Rouxinol teve pela frente uma estampa de touro que fez jus ao seu trapio. O cavaleiro cravou três compridos e esteve em grande plano na ferragem curta.
O primeiro curto cravou a sesgo, seguindo para sortes frontais a curta distância do oponente e terminou com um par de bandarilhas e uma rosa. É também de ressalvar os bons ladeios e o vistoso remate em redondo tocando com a mão na cabeça do touro ao rematar o terceiro curto.
Moura Júnior não deixou o triunfo em mãos alheias e optou por tourear muito em curto do oponente criando emoção ao público. Bonitas sortes marcadas ao pitón contrário nos ferros compridos e nos curtos continuou a citar a curta distância do oponente e marcou ao pitón com raça toureira a finalizar. Embelezou a sua lide optando por brega a duas pistas.
Luís Rouxinol Júnior recebeu com grande valentia à porta gaiola. Nos curtos foi em crescente e terminou em excelente plano marcando ao pitón contrário. Abrilhantou a sua lide com bonitos ladeios e com forte conexão com o público.
As lides a duo de ambas as dinastias vieram trazer uma estética com lógica à corrida, a qual já tinha sido recheada de apontamentos técnicos de grande qualidade.
Os Mouras terminaram a lide a duo com ferragem de palmo e na lide a duo dos Rouxinois, também esta a bom ritmo, Luís Rouxinol Júnior aproveitou a lide a duo para também ele cravar um par de bandarilhas e Luís Rouxinol “pai” terminou com um ferro de palmo.
As pegas estiveram a cargo de três grupos de Forcados. Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, Amadores de Cascais e Amadores de Monforte.
Pela Tertúlia do Montijo consumou a pega Pedro Tavares à segunda e João Paulo Marques à primeira depois de ter dobrado Diogo Filipe que foi à cara do touro duas vezes.
Pelos Amadores de Cascais Afonso Cruz não deu a volta apesar de autorizada já que a pega foi consumada à quarta tentativa; Também do grupo de Cascais Carlos Dias juntamente com o primeiro ajuda foram chamados a dar uma segunda volta em solitário pela excelente pega consumada à segunda.
Os Amadores de Monforte tiveram como forcado de cara Nuno Toureiro a concretizar à segunda tentativa e Gonçalo Parreira à primeira tentativa.
No intervalo decorreu uma homenagem ao montijense Luís Peixinho pelos 45 anos de alternativa de Bandarilheiro.

