Ana Markl celebra menopausa com festa e bolo: Luís Osório vê “um manifesto contra as ideias feitas” atualmente.
Ana Markl transformou a chegada da menopausa numa celebração. A moderadora da “Voz de Cama”, da Antena 3, fez uma festa com amigos e recebeu um bolo oferecido pelo namorado.
O momento inspirou Luís Osório, que dedicou o “Postal do Dia” desta quarta-feira, 3 de junho, na Antena 1, à forma como Ana Markl olhou para esta nova fase.
E, convenhamos, não é todos os dias que a menopausa entra numa festa com bolo, amigos e direito a manifesto. Talvez devesse acontecer mais vezes.
Luís Osório recorda ligação à família Markl
Antes de chegar ao tema central, Luís Osório começou por falar da ligação à família de Ana Markl.
Na Antena 1, revelou que, “nos últimos anos”, trocou “várias mensagens com Maria Helena, mãe de Ana e Nuno Markl”.
Depois, assumiu que os encontros prometidos nunca chegaram a acontecer: “Combinámos almoçar, sem nunca o concretizar. Culpa minha, certamente. Sou um tipo difícil de compreender, eu próprio não me entendo na maior parte dos dias”.
Ainda assim, deixou elogios à mãe dos irmãos Markl: “A Maria Helena é irresistível. Os filhos teriam de sair a alguém”.
A partir daí, o cronista virou o olhar para Ana Markl. E fê-lo com uma ternura que não precisou de disfarces.
“Como o irmão, a Ana é uma miúda”
Luís Osório destacou a proximidade entre Ana e Nuno Markl, apesar da diferença de idades entre os dois.
O autor confessou: “Não quero falar-te da Maria Helena ou do Nuno, mas da Ana. Curiosamente, pareciam-me gémeos ou quase. Nunca me passou pela cabeça que tivessem uma diferença de idades tão substancial… a Ana tem menos oito anos do que o Nuno. Não o diria tendo em conta a proximidade no seu modo de olhar, no que veem, no que ouvem, no que procuram, no que defendem. Como o irmão, a Ana é uma miúda. Mantêm o espanto da vida, alimentam a curiosidade, estão despertos”.
A descrição acabou por servir de porta de entrada para o episódio que motivou o “Postal do Dia”: a festa da menopausa de Ana Markl.
Uma festa para celebrar a menopausa
Segundo Luís Osório, Ana Markl decidiu assinalar a chegada da menopausa de forma pouco habitual. Em vez de silêncio, escolheu celebração. Em vez de tabu, escolheu festa.
O cronista contou: “Há uns tempos, a Ana Markl celebrou a chegada da Menopausa”.
Depois, explicou o gesto do namorado e o ambiente criado à volta do momento: “O namorado comprou-lhe um bolo e convidaram-se amigos para a festa. Gostei de o saber. Adoro ser surpreendido pelos que transformam estigmas em recomeços. Pelos que substituem os medos por oportunidades para beber de todos os cálices que a vida proporciona”.
A ideia é simples, mas rara. Pegar numa fase tantas vezes tratada com vergonha e devolvê-la à vida. Com açúcar, convidados e alguma coragem.
Menopausa, andropausa e outros tabus
Luís Osório sublinhou ainda que a menopausa continua a ser vista como um tema difícil. E não está sozinha nessa lista.
No “Postal do Dia”, referiu que “a Menopausa é um tema tabu. Como o é a Andropausa”.
Depois, abriu a reflexão a outros assuntos que a sociedade tende a empurrar para o silêncio: “Ou tudo o resto que vemos como um problema. A começar pela morte. Porque não começamos a celebrar a vida quando nos despedimos de quem amámos?”.
A pergunta pode parecer provocadora. Mas é também profundamente humana. Afinal, passamos demasiado tempo a tratar como derrota aquilo que é apenas passagem.
“Porque não dançamos?”
Na mesma reflexão, Luís Osório deixou uma sugestão que vai além da menopausa. Para o cronista, talvez falte coragem para celebrar aquilo que nos assusta.
Escreveu: “Porque não dançamos? Porque não declamamos palavras que façam sorrir a morte? Que a afugentem. Que a tornem vida”.
A frase resume o tom do texto. Há ali uma defesa da alegria, não como fuga, mas como resposta.
E Ana Markl, ao celebrar a menopausa com uma festa, parece ter feito precisamente isso. Não ignorou a mudança. Chamou-a para a mesa.
Um bolo que é mais do que um bolo
No final, Luís Osório deu ao gesto de Ana Markl um significado maior.
O cronista concluiu: “O bolo de Ana Markl não é apenas um bolo. É um manifesto de combate contra as ideias feitas. Contra o fatalismo. Contra as prisões a que nos condenamos. E a favor da alegria. E da liberdade de ser o que quisermos em todos os momentos da nossa vida”.
Assim, a festa de Ana Markl deixou de ser apenas uma curiosidade. Tornou-se um gesto simbólico contra o peso dos estigmas.
No fundo, talvez seja isso: um bolo, uma festa e a recusa de tratar a vida como se ela viesse com prazo para a alegria.

