António José Seguro promete Presidência de proximidade e rejeita estilo mediático em entrevista na TVI, esta manhã.
Candidato à segunda volta afasta-se do modelo atual e assume postura mais exigente com o Governo
Em plena campanha para a segunda volta das Eleições Presidenciais, António José Seguro marcou presença no programa da manhã da TVI, esta quarta-feira, 28 de janeiro. Frente a frente com Cristina Ferreira, o candidato explicou como pretende exercer o cargo, caso seja eleito Presidente da República.
Desde logo, António José Seguro deixou clara a intenção de romper com uma Presidência excessivamente mediática. Em alternativa, defendeu um modelo assente na proximidade, na escuta ativa e na pressão política direta junto do Governo.
Presidências no terreno e contacto direto com as populações
Em primeiro lugar, o candidato explicou que quer sair do Palácio de Belém e percorrer o país de forma regular. Nesse sentido, afirmou: “Eu quero fazer presidências abertas, presidências de proximidade.”
Depois, detalhou como imagina esse trabalho no terreno: “Imagino que, durante uma semana, vou para uma determinada região do país, Bragança, Porto, Vila Real, o que for.” A ideia passa por ouvir diretamente quem vive nos territórios: “Eu gosto de escutar os portugueses.”
Segundo António José Seguro, essa escuta permite compreender melhor os problemas reais: “Há uma diferença entre ler relatórios dentro de um gabinete e contactar diretamente com a realidade.” Por isso, garantiu que essas preocupações terão reflexo político: “Na reunião que eu tiver de trabalho às quintas-feiras com o Primeiro-Ministro, eu serei porta-voz dessas reivindicações.”
Presidente exigente e com causas prioritárias
Posteriormente, Cristina Ferreira questionou se essa postura não poderia resultar numa atitude passiva. A resposta foi imediata e firme. Assim, António José Seguro esclareceu: “Não, exigindo que mude. Exigindo que mude. Este é o papel do Presidente.”
Além disso, destacou áreas que considera inadiáveis. Entre elas, colocou a desigualdade de género no centro das preocupações: “A desigualdade entre homens e mulheres é uma coisa inaceitável na nossa sociedade.”
Nesse contexto, apontou exemplos concretos: “Eu não compreendo como é que há empresas onde uma mulher, por ser mulher, a fazer o mesmo trabalho de um homem, ganha menos.” Também referiu a violência doméstica, afirmando: “É chocante a questão da violência doméstica que acontece no nosso país.”
O candidato abordou ainda a discriminação no acesso ao emprego, lembrando situações recorrentes: “Ou de uma jovem mulher que, para obter um emprego, é confrontada com a pergunta ‘está a pensar em engravidar?’.” E acrescentou: “Quando nós verdadeiramente precisamos de mais bebés a nascer em Portugal.”
Comparação com Marcelo Rebelo de Sousa marca posição
Por fim, surgiu a comparação inevitável com o atual Presidente da República. Perante a observação de que Marcelo Rebelo de Sousa comentava quase tudo o que acontecia no país, António José Seguro fez questão de marcar diferenças.
Assim, respondeu: “E esse é o seu registo? Não, não, não.” De seguida, explicou o seu entendimento do cargo: “Há assuntos que são tratados precisamente nas reuniões ou em conversas de trabalho com o Primeiro-Ministro e outros que são ditos em público.”
Nesse sentido, deixou uma promessa clara: “Eu não serei um Presidente que andará, se merecer a confiança dos portugueses, claro, todos os dias a falar para aparecer nos telejornais.” E concluiu: “Falarei menos vezes, mas com mais consequência.”
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