Bombeiros relatam horror vivido no acidente do Elevador da Glória: “Os telemóveis não paravam de tocar”

Bombeiros relatam horror vivido no acidente do Elevador da Glória: “Os telemóveis não paravam de tocar”, referiram.

Memórias que não se apagam

Passou uma semana desde o acidente no Elevador da Glória, em Lisboa, que provocou 16 mortos e 22 feridos. Os bombeiros do Regimento de Sapadores ainda recebem apoio psicológico para lidar com o trauma.

Um dos operacionais revelou à TV 7 Dias: “Já vi muita coisa em ambulâncias, em acidentes de viação e incêndios… mas um cenário assim, num espaço tão pequeno e com tanta gente morta, nunca. Havia pessoas mutiladas, corpos sobrepostos, e era difícil até perceber a quem pertencia cada membro. Num metro quadrado, chegámos a encontrar cinco pessoas sem vida. É impossível ficar indiferente.”

Telemóveis a tocar sem resposta

Outro bombeiro destacou um dos momentos mais marcantes durante o resgate. “Enquanto tirávamos as pessoas dos destroços, os telemóveis não paravam de tocar. Eram chamadas que nunca iam ser atendidas, de familiares desesperados em busca do som de uma voz que nunca mais vai chegar. Isso mexe connosco, dá vontade de pegar no aparelho e dizer: ‘Está aqui a pessoa que procura…’, mas sabemos que não podemos. Foi perturbador.”

Sofrimento dos sobreviventes

O mesmo elemento sublinhou que, apesar da dureza, o mais difícil foi assistir ao sofrimento dos feridos. “O que custa mais não são os mortos, por mais duro que pareça dizer disto. O que nos marca são os vivos em sofrimento, conscientes e com dores atrozes. Estas imagens ficam, assim como os seus gritos.”

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Histórias de sorte no meio da tragédia

Sobre o impacto da colisão, os bombeiros recordam: “O elétrico partiu-se ao meio. Do lado esquerdo ficaram esmagadas. Do lado direito caíram umas sobre as outras. Encontrámos uma senhora sentada, viva, no meio dos destroços, em choque mas quase sem ferimentos. Uma sorte enorme no meio de tanta desgraça.”

Segundo os operacionais, “cada um reage de maneira diferente”, mas desde o primeiro momento foi disponibilizado apoio psicológico a todos os elementos que participaram no socorro.

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