Carlos Costa fala da mãe, da “Máquina da Verdade” e da morte do pai: “Não poder despedir-me foi horrível”, disse à Selfie.
Cantor admite relação difícil com a mãe
Carlos Costa voltou a abrir o coração sobre a família. Depois de três anos afastado da mãe, na sequência do episódio da “Máquina da Verdade”, o cantor admite que a relação ainda não é simples.
Embora o contacto tenha sido retomado, há feridas que não parecem totalmente resolvidas. Sobretudo porque mãe e filho lidam com os problemas de formas muito diferentes.
Carlos explicou: “Eu sou uma pessoa mais de falar do que a minha mãe. A minha mãe é uma pessoa muito pragmática, muito ‘bola para a frente’, ‘já chega’, ‘mexe-te’”.
Depois, descreveu a personalidade da mãe com emoção: “Ela construiu o pequeno império que ela tem por ser uma pessoa extremamente disciplinada e rígida”.
“É uma perda de tempo”
Entretanto, o artista reconhece que nunca existiu uma conversa calma sobre o que aconteceu na “Máquina da Verdade”. Para Carlos Costa, a mãe não funciona nesse registo emocional.
O cantor afirmou: “Ela não tem a capacidade do diálogo que eu tenho, portanto, este tipo de diálogo e de conversa é uma não-questão para ela. É uma perda de tempo.”
Além disso, Carlos partilhou a forma como acredita que a mãe olha para o passado: “’Por que é que vamos estar aqui a falar sobre aquilo que passou? Temos trabalho para fazer! Temos coisas para fazer! A vida segue!’”
Ainda assim, essa postura acaba por deixar muitos temas por resolver. O músico voltou a citar a forma direta da mãe encarar a vida.
Carlos contou: “Muitas das vezes, ela diz: ‘Sejamos verdadeiros. O que está para fazer… está para fazer!’ Não há cá ‘mimimis’. Não há cá conversinhas. Não há tempo para isso! Tempo é dinheiro! Para a frente!’ Portanto, é uma não-conversa”.
Reconciliação ainda tem desconfianças
Porém, o regresso ao contacto não apagou tudo. Carlos Costa assume que a relação recomeçou, mas com limitações emocionais.
Nas suas palavras, o processo foi: “Foi simplesmente fechar o livro e iniciar um novo, com muitas desconfianças, com muitos handicaps.”
Depois, o cantor explicou que sente ser visto pela mãe como alguém que ficou parado no tempo.
Carlos descreveu: “A minha mãe continua a tratar-me como se eu tivesse 15 anos, porque eu tinha 15 anos quando saí de casa e ela desconhece o período da história desde que saí até que regressei”.
Além disso, sente que existe dificuldade em reconhecer a pessoa que se tornou ao longo dos anos.
O artista confessou: “Ainda existe muita resistência ao conhecimento que eu adquiri ao longo dos anos, àquilo que absorvi de pessoas com quem me cruzei, de programas de televisão… A minha mãe não assistiu e age em conformidade. É a forma de ela também se proteger. Eu tento muitas vezes, mas é difícil”.
Carlos Costa diz que a mãe está longe da sua verdade
Apesar da reaproximação, Carlos Costa admite que a mãe ainda não conhece totalmente a sua realidade. Quando questionado sobre quem está mais distante da verdade sobre si, não hesitou.
O cantor respondeu: “Quem é que está mais longe da verdade sobre mim? Ela. A minha mãe. Sim, sem dúvida.”
Ainda assim, a prioridade familiar mantém-se. Carlos garante que a mãe ocupa um lugar central na sua vida.
O artista afirmou: “Enquanto tiver a minha mãe, ela será sempre a prioridade.”
Depois, explicou que essa decisão está ligada à dor de não se ter despedido do pai.
Carlos Costa concluiu: “Não tenho como largar [a mão da família]. Aconteça o que acontecer. Nem que tenha que nunca mais voltar a ser artista. Honestamente, gostaria muito de ter oportunidade de voltar à televisão, de ter um trabalho e de ser remunerado trabalhando na televisão. De forma saudável. Mas a verdade é que, enquanto tiver a minha mãe, ela será sempre a prioridade, porque não vou voltar a passar pelo mesmo que passei com o meu pai. Não poder despedir-me foi horrível”.
A chamada que mudou tudo
Entretanto, a morte do pai continua a marcar profundamente Carlos Costa. O cantor recordou o momento em que a mãe voltou a contactá-lo para lhe dar a notícia.
Carlos contou: “Eu e a minha mãe estivemos quase três anos sem falar um com o outro. Voltámos a conversar decentemente quase em 2020. Voltámos a conversar porque a minha mãe me ligou a dizer que o meu pai tinha morrido. Em março estávamos em confinamento total por causa do Covid e em julho a minha mãe ligou-me a dizer: ‘O papá morreu.’ E eu tinha falado com ele no dia anterior. Dei-lhe os parabéns. O meu pai morreu um dia depois do aniversário dele. Estava bem. Foi uma morte súbita.”
Ainda assim, o cantor acredita que havia sinais difíceis de explicar.
Carlos afirmou: “Ele próprio, provavelmente, sentia. E eu também sentia alguma coisa. É uma coisa que não se explica, mas há coisas que não se explicam mesmo.”
Última conversa aconteceu por telefone
Antes da morte do pai, Carlos Costa sentia que algo não estava bem. Esse pressentimento levou-o a falar com a irmã.
O cantor revelou: “Nos dias anteriores à morte do meu pai, eu não estava bem e liguei para a minha irmã e disse-lhe: ‘Mana, passa-se alguma coisa. Temos de ir para a Madeira.’”
Depois, tomou uma decisão invulgar, que acabaria por permitir a última conversa com o pai.
Carlos contou: “Fui dormir à casa da minha irmã, pela primeira e única vez na minha vida.”
Foi nesse contexto que recebeu a chamada durante a festa de aniversário do pai.
O artista recordou: “O meu pai ligou à minha irmã enquanto estava na festa de aniversário dele, organizada por ele e com todos os amigos dele. E, como eu estava em casa da minha irmã, acabei por falar com ele por telefone e dei-lhe os parabéns: ‘Parabéns, papá.’”
“A primeira fatia é para o Carlos”
Por fim, Carlos Costa revelou a frase do pai que ficou gravada na memória. Para o cantor, aquele momento ganhou um peso especial depois da morte súbita.
Carlos recordou: “Quando ele estava a cortar o bolo, disse: ‘A primeira fatia é para o Carlos.’ Acho, muito honestamente, que ele sabia ou que ele sentia que alguma coisa se haveria de passar. Essa foi a nossa forma de despedida. Foi a última frase.”
A dor de não ter estado presencialmente com o pai permanece. E Carlos Costa resumiu esse sentimento numa frase curta, mas pesada.
O cantor desabafou: “Não poder despedir-me foi horrível.”

