Carlos Costa fala da transição de género, do nome e das feridas do passado: “Destruíram literalmente a vida de um jovem”

Carlos Costa fala da transição de género, do nome e das feridas do passado: “Destruíram literalmente a vida de um jovem”, disse.

Carlos Costa esteve no programa “Júlia”, da SIC, para uma entrevista marcada por revelações pessoais, memórias difíceis e algumas palavras tensas.

À conversa com Júlia Pinheiro, o artista falou sobre o processo de transição de género, iniciado há cerca de seis meses. Também revisitou uma fase dolorosa da carreira, quando enfrentou rumores que afetaram a sua saúde mental e a relação com a mãe.

“Está tudo muito bem definido”

Durante a entrevista, Carlos Costa explicou que está em paz com a decisão tomada. O artista assumiu que sente estar a seguir o caminho certo, embora reconheça o peso de tornar o processo público.

A exposição, segundo explicou, traz uma responsabilidade acrescida. Porém, Carlos quis partilhar a experiência como forma de sensibilizar outras pessoas.

O processo está a ser acompanhado pelo Serviço Nacional de Saúde. A escolha teve também um propósito: perceber como o sistema responde a quem passa por uma transição de género.

Apesar das oscilações hormonais e das mudanças emocionais, Carlos Costa garantiu não ter dúvidas sobre a sua identidade.

“Tudo o resto são só proporções físicas, porque cá dentro está tudo muito bem definido“, afirmou.

O nome Carlos e a resposta a Júlia Pinheiro

Um dos momentos mais comentados da entrevista surgiu quando Júlia Pinheiro abordou o nome do artista.

A apresentadora perguntou: “Eu estou a falar com uma figura feminina que tem um nome masculino. Vai manter esse nome ou não? Vai ficar Carlos ou vai mudar de nome também?”

Carlos Costa explicou que o nome tem valor familiar. Passou por várias gerações e mantém uma ligação sentimental ao pai, ao avô e ao bisavô.

Depois, revelou como algumas pessoas próximas já se dirigem a si.

“(…) Eu tenho muitas amigas e amigos que me chamam “a Carlos”, contou.

Júlia reagiu de imediato: “Isso ainda é mais complicado”.

A resposta de Carlos Costa foi curta, mas deixou marca na conversa: “Para si, talvez”.

A apresentadora acabou por ajustar o tom e reconheceu que o essencial é o conforto de quem vive o processo.

“Para mim, pelo menos, é. Mas para si deixa-o confortável? Então isso é que é preciso”, disse Júlia Pinheiro.

Do “Ídolos” às feridas da exposição pública

A conversa recuou depois ao início da carreira televisiva. Carlos Costa recordou a projeção conquistada no “Ídolos”, os concertos, as digressões e a gravação de álbuns.

Também foi lembrado o segundo lugar no televoto do Festival da Canção, em 2012.

No entanto, a fama trouxe um lado mais duro. Carlos Costa falou sobre o impacto dos rumores que enfrentou aos 21 anos, numa altura em que foi acusado de se prostituir para manter o estilo de vida.

Júlia Pinheiro sugeriu que a exposição terá sido ampliada pela ida a outro programa para provar a sua inocência. Carlos não concordou.

“É grave estar a dizer que isso foi potenciado por mim (…) Eu tinha 21 anos na altura. Não tinha a capacidade de responder que tenho hoje“, afirmou.

Depois, explicou a pressão sentida naquele período.

“Ao sermos convidados para estarmos aqui é preciso ser muito bem medido. Porquê? Porque se dissermos que não, não voltamos a ser convidados“, justificou.

Depressão, silêncio e rutura familiar

O impacto dessa fase foi profundo. Carlos Costa revelou que o sofrimento o levou a um estado limite.

“Foram duas semanas a tomar comprimidos, sem comer, sem dormir, portanto sem ingerir qualquer tipo de líquido“, contou.

A situação chegou também à família. Num telefonema com a mãe, Carlos sentiu que precisava de traçar uma linha.

“Se tu não acreditas na pessoa que educaste e que formaste, nós não temos nada para dizer“, recordou.

Depois desse episódio, a relação ficou marcada por um longo afastamento.

“Tive três anos quase sem falar com a minha mãe depois deste dia (…) Destruíram literalmente a vida de um jovem“, confessou.

Amigos ajudaram a reerguer Carlos Costa

Foi nesse período mais escuro que os amigos assumiram um papel decisivo. Carlos chamou-lhes uma segunda família.

Segundo contou, foram eles que tomaram uma decisão por si, quando já não conseguia reagir.

“Eles decidiram por mim, enquanto eu dormia, que eu iria fazer outro reality show (…) tiraram-me da cama, obrigaram-me a tomar banho e comer“, recordou.

A entrada em “A Quinta: Desafio Final” surgiu, assim, como uma tentativa de recuperar a imagem pública e mostrar outra dimensão de Carlos Costa.

A estratégia permitiu revelar um lado mais real, trabalhador e ligado à natureza e aos animais.

Bullying, resiliência e uma vida em luta

Na entrevista, Carlos Costa falou ainda sobre a infância em Porto Moniz, na Madeira. Também recordou episódios de bullying que viveu quando era criança.

Curiosamente, explicou que esses ataques não estavam ligados à sexualidade ou à forma de estar, mas ao facto de levar sopa de casa para comer.

A educação rigorosa e protetora da mãe foi outro ponto abordado. Para Carlos, essas experiências ajudaram a construir a força que hoje demonstra.

No final, deixou uma frase que resume parte do caminho percorrido.

“A vida não é um mar de rosas, não é só um mar de rosas, nós temos que lutar“, concluiu.

Veja este momento AQUI.

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Tiago Santos
Tiago Santos
Colaborador na área da redação de artigos no site Infocul.pt. Gosto particular pelas áreas da televisão, social & lyfestile.

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