Coala Festival: “O desafio de montar o cartaz é quase sempre o mesmo”, assinalou o curador do evento, Gabriel Andrade.
O Hipódromo Manuel Possolo acolhe, este fim de semana, a segunda edição do Coala Festival Portugal. O evento reforça o compromisso com a música em português e aproxima artistas de diferentes geografias lusófonas.
“Queremos celebrar a música feita em português”
Primeiramente, referir que o Coala Festival Portugal está de regresso a Cascais para a sua segunda edição. O evento, que teve início ontem e termina hoje, 1 de Junho, decorre no Hipódromo Manuel Possolo e assume-se como um espaço de celebração da música em língua portuguesa, reunindo nomes de Portugal, Brasil e países africanos de expressão portuguesa.
Em entrevista ao Infocul.pt, o curador do festival, Gabriel Andrade, sublinhou os principais desafios da edição deste ano. “O desafio de montar o cartaz é quase sempre o mesmo, que é esse balanço entre o conceito do festival e o potencial comercial de venda de bilhetes e tentar dar conta da diversidade da música brasileira, portuguesa e de todos os PALOP”, explicou.
O Coala nasceu no Brasil com o objectivo de valorizar a música nacional. Agora, em Portugal, esse espírito mantém-se: “O Koala é um festival que nasceu no Brasil como um festival de, vamos dizer, para trazer a autoestima da música brasileira, em uma época em que a maioria dos festivais estavam focados em música internacional. E a gente traz esse mesmo conceito para cá como um ponto de conexão entre todos esses países e também uma reafirmação da música feita em língua portuguesa”, afirmou o responsável.
António Zambujo e o cante como ponto alto do primeiro dia
O primeiro dia do festival contou com um dos momentos mais incríveis: o concerto de António Zambujo, que subiu ao palco acompanhado pelo Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento. Uma celebração do cante alentejano que se integrou com naturalidade no espírito do evento.
Questionado sobre esta escolha artística, Gabriel Andrade esclareceu: “Isso tem a ver com essa ideia do line-up de misturar, de mesclar tradição e vanguarda, e eu acho que esse show é muito simbólico disso. A ideia de reunir os cantadores foi uma ideia de fazer um show realmente especial e foi uma ideia que partiu inclusive dele [António Zambujo] e a gente aceitou e decidimos fazer.”
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Capitão Fausto, Rui Veloso e mais: os nomes que faltam
Porém, apesar da riqueza do cartaz, Gabriel Andrade reconhece que ainda há muitos artistas por trazer ao Coala em Portugal. “Putz, são muitos. Aqui para Portugal ainda são muitos, mas no Brasil a gente tem o sonho de trazer o Chico Buarque, Marisa Monte, entre outros. Mas a gente já fez Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Elza Soares, Milton Nascimento, Novos Baianos. A ideia é que a gente consiga trazer todo mundo para cá também.”
Nesse sentido, sobre os artistas portugueses ainda por apresentar, revelou alguns nomes de interesse para futuras edições: “Tem um artista, que é uma banda que já se relaciona com o Brasil, que é o Capitão Fausto, então a gente gostaria muito de fazer um show especial deles aqui. Tem os clássicos daqui, o Rui Veloso, o Jorge Palma, essa turma toda, mas tem muita gente nova, muito legal aqui também, Bruno Pernadas, Slow J, Plutónio, de vários espectros de sonoridades diferentes, acho que tem um longo caminho para percorrer aqui ainda.”
Últimos bilhetes disponíveis para um festival com identidade
Assim, com o cartaz de hoje a prometer momentos de grande impacto, como os concertos de Ney Matogrosso e Xande de Pilares a interpretar Caetano Veloso, o festival caminha para mais um dia de sala cheia. Para quem ainda pondera marcar presença, Gabriel deixa um apelo: “Primeiro porque está um clima maravilhoso, a programação é incrível, amanhã a gente tem grandes shows, tem Ney Matogrosso, Xande canta Caetano, vai ser realmente incrível. E porque a vibe aqui é muito gostosa, Cascais é uma vila maravilhosa. Acho que não tem um programa melhor para se fazer neste fim de semana.”
Por fim, entrevista realizada por Rui Lavrador, com fotografia de Nuno Almeida.
