Crianças portuguesas estão entre as que passam mais horas na escola na União Europeia, revelou a Pordata.
As crianças portuguesas com menos de 12 anos passam mais tempo na escola do que a maioria das crianças da União Europeia. A conclusão é da Pordata, que divulgou uma análise por ocasião do Dia Mundial da Criança.
Segundo os dados apresentados esta segunda-feira, Portugal está entre os cinco Estados-membros com maiores cargas horárias em creches, infantários e escolas. A realidade atravessa todas as faixas etárias abaixo dos 12 anos.
Pré-escolar é a faixa com mais horas
O valor mais elevado surge nas crianças em idade pré-escolar, até à entrada na escolaridade obrigatória. Em Portugal, passam em média 38,3 horas por semana na escola.
Na União Europeia, a média para esta faixa etária é de 30,8 horas semanais. Ou seja, as crianças portuguesas ficam quase mais um dia completo em contexto escolar.
Entretanto, entre os 6 e os 11 anos, a carga horária média também é elevada. Nesta faixa, as crianças passam 38 horas por semana na escola, face às 31,5 horas registadas na média europeia.
Já as crianças com menos de três anos são as que passam menos tempo nestes espaços. Ainda assim, somam 36,7 horas por semana, acima das 30,5 horas da União Europeia.
Só a Hungria supera Portugal
No retrato global apresentado pela Pordata, apenas a Hungria surge com uma carga horária média superior à portuguesa.
Em sentido contrário, Alemanha, Irlanda e Países Baixos destacam-se por apresentarem uma carga média inferior a 30 horas semanais nas três faixas etárias analisadas.
Assim, Portugal surge num dos extremos europeus. O país combina uma presença prolongada das crianças na escola com uma das menores percentagens de crianças na população.
Portugal tem cada vez menos crianças
Além do tempo passado na escola, a análise da Pordata mostra outro sinal relevante. Portugal é um dos países da União Europeia com menos crianças.
No país vivem 1 milhão e 58 mil crianças, dentro de um universo europeu de cerca de 50 milhões. A percentagem portuguesa situa-se nos 9,8%.
Este valor coloca Portugal como o quarto país da União Europeia com menor peso de crianças na população. Só Itália, Grécia e Espanha apresentam percentagens tão baixas ou inferiores.
Risco de pobreza diminuiu desde 2015
Apesar do retrato demográfico, o estudo também identifica uma evolução positiva. Cerca de 157 mil crianças portuguesas com menos de 12 anos viviam em famílias em risco de pobreza.
O número corresponde a quase 10% das crianças desta faixa etária. Ainda assim, a Pordata destaca uma “melhoria assinalável” desde 2015.
Desde esse ano, há menos 103 mil menores nesta situação em Portugal. Na União Europeia, a tendência também foi de descida, com menos 1,5 milhões de crianças em agregados familiares em risco de pobreza.
Atualmente, existem 9,4 milhões de crianças nessa condição no espaço europeu.
Em 50 anos, o retrato mudou profundamente
A mudança demográfica em Portugal é uma das notas mais fortes do estudo. Em 1975, o país era o segundo da Europa com maior percentagem de crianças, com 22%.
Cinquenta anos depois, passou para o grupo dos países com menor presença infantil. A descida foi de 12,1 pontos percentuais.
Só Espanha registou uma quebra maior no mesmo período, com uma redução de 12,4 pontos percentuais.
Irlanda, Suécia e França lideram na União Europeia
Entre os 27 Estados-membros, a Irlanda é o país com maior percentagem de crianças, com 14,2%. Seguem-se a Suécia, com 13,2%, e França, com 12,8%.
No extremo oposto está Itália, com 9,1%. Depois surgem Grécia e Espanha, ‘ex aequo’, com 9,8%, o mesmo valor registado por Portugal.
Desta forma, a análise da Pordata mostra um país onde há menos crianças, mas onde as que existem passam muitas horas em contexto escolar. É um retrato que junta educação, família, pobreza e demografia num mesmo debate.

