Dino D’Santiago homenageia Nuno Guerreiro: “Num dia, foste corpo internado. No outro, notícia e ausência”, referiu.
“Num dia, foste corpo internado. No outro, notícia e ausência. Assim, como quem desata devagar os nós do tempo, soltaste o espírito do invólucro onde habitava o teu nome e deixaste-nos órfãos de ti“, começou por escrever.
“Partiste a 17 de Abril, num calendário que te conhecia íntimo, mas sem o beijo no cravo que esperavas dar. Logo tu, que tanto celebravas a liberdade essa flor que nasce da luta e floresce em vozes. O teu silêncio é agora um outono que não cede à primavera. Um sopro que levanta folhas secas do que fomos, e as espalha pela inquietação do que ainda somos“, continuou.
“Vi-te erguer, com mãos de artista e coração de combatente, a dignidade dos que criam sem salário certo, dos que envelhecem sem monumento, dos que, como tu, recusam ser mobília abandonada nas salas da cultura“, acrescentou.
Nuno Guerreiro: Farol em Loulé
“Em Loulé, tornaste-te farol e ao saber que partilhávamos chão de nascimento, eu, confesso, ganhei orgulho de raiz. Agora, sei: do lugar onde passaste a habitar não mais carne, mas claridade o teu cuidado permanece. Não por ti, que já és sossego. Mas por Ela, tua Mãe, tua Rainha. Esse amor primeiro que te moldou, e por quem ainda hoje te deixarias ficar. Prometo-te: faremos com que ela te sinta em cada gesto nosso, em cada frase onde o teu nome ressoe, como uma nota sustentada no ar“, escreveu.
“A tua luz não será memória — será presença. Até um dia, irmão“, rematou.
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Por fim, assinalar que Nuno Guerreiro morreu ontem, aos 52 anos, na sequência de uma grave infeção.
Assim, de forma profunda e emocionada, Dino D’Santiago homenageia Nuno Guerreiro.
