Diogo Jota seguia num Lamborghini que se incendiou após despiste: especialista aponta possíveis causas, para o ocorrido.
Viatura pode ter sofrido rebentamento de pneu durante ultrapassagem
Diogo Jota e o irmão, André Silva, viajavam num Lamborghini Huracán EVO, no momento do acidente que lhes tirou a vida, em Espanha. O desportivo acabou por incendiar-se após o despiste, ficando completamente destruído.
O veículo era alugado e está agora no centro da investigação que tenta apurar o que terá originado o sinistro. A hipótese de um rebentamento de pneu durante uma ultrapassagem está em cima da mesa, embora ainda sem confirmação oficial.
Carro potente, mas com muita tecnologia
Em declarações à CMTV, no programa ‘Grande Jornal’, Pedro Nogueira, especialista em condução defensiva e evasiva, analisou o tipo de viatura envolvida.
“É difícil, à distância de um estúdio de televisão, fazermos estas previsões e estas análises daquilo que pode ter ou não causado o acidente. A análise de acidentes requer a aquisição de dados não só fisicamente no local, como também através da análise da centralina do carro, quando é possível, é semelhante à caixa negra dos aviões, contudo é menos resistente”, explicou.
Segundo o especialista, marcas como a Lamborghini têm capacidade para aceder aos dados técnicos das viaturas, incluindo os momentos antes de um acidente.
“Estes carros mais modernos estão quase todos possibilitados de serem ligados às marcas, às fábricas, até porque são carros que se enquadram dentro daquilo que são os chamados superdesportivos e que estão constantemente a serem analisados na sua resistência dos materiais e dos equipamentos”, acrescentou.
Velocidade e estabilidade são marcas do modelo
O Lamborghini Huracán EVO apresenta características muito específicas.
“É um carro de tração traseira, são carros que facilmente ultrapassam os 300 quilómetros por hora, são carros que fazem dos 0 aos 100 qualquer coisa como cerca de 3,2 segundos, são carros muito rápidos”, disse Pedro Nogueira.
Contudo, o instrutor sublinhou que são veículos projetados para garantir segurança, mesmo com estas capacidades. “Andam muito mas também são bastante seguros. São exigentes no sentido do conhecimento que é preciso ter para lidar com eles, porque são carros que também permitem uma condução perfeitamente normal”, explicou.
Rebentamento do pneu poderá não explicar tudo
Sobre o possível rebentamento do pneu, Pedro Nogueira reconheceu que pode ter contribuído para o acidente, mas levantou dúvidas sobre se terá sido o único fator.
“Se o rebentamento de um pneu pode provocar um acidente, pode. Se pode provocar um acidente desta dimensão, por si só, não havendo outros factores que, em conjugação, tenham provocado isto (…) considero difícil”, afirmou.
Além disso, o facto de o carro se ter incendiado levanta ainda mais dúvidas. “A eletrónica e a parte toda de segurança do próprio carro vai atuando de maneira a impedir que o combustível continue a sair, por exemplo. Mesmo que seja um embate muito violento, considero difícil e a marca, com certeza, vai querer perceber e vai querer investigar o que é que terá estado na origem do incêndio”, referiu.
Tecnologia do carro pode esclarecer causas
Pedro Nogueira lembrou ainda que a viatura tem sistemas que detetam possíveis falhas. “Qualquer problema que eventualmente tenha é, na maior parte dos casos, imediatamente indicado seja no computador de bordo, seja no computador que eventualmente se possa ligar na altura de fazer as revisões”, explicou.
Os pneus também estão equipados com sensores. “Tem certamente avisos de baixa pressão de pneus” e “pode originar, sem que o condutor se aperceba desse aumento de temperatura súbita do pneu, o rebentamento”, sublinhou.
Erro humano não está excluído
Por fim, Pedro Nogueira alertou que o erro humano continua a ser a principal causa de sinistralidade rodoviária.
“A única coisa que falta aqui é o erro humano. Nós temos que mitigar, não estou a dizer que, neste caso, tenha sido erro humano, estamos a falar em termos abstratos, na sinistralidade rodoviária, principalmente no nosso país, aquilo que ainda continua a acontecer muito é o erro humano”, concluiu.
