Dulce Pontes no Santa Casa Alfama: “Amapola, sua tola…A loucura fica-te tão bem…”

Dulce Pontes no Santa Casa Alfama: “Amapola, sua tola…A loucura fica-te tão bem…”, na noite de ontem.

Texto: Francisco Potier Dias
Fotografias: João de Sousa.

Para fechar esta décima edição do maior festival de fado do mundo, o nosso Santa Casa Alfama, a figura Dulce Pontes.

Uma figura incontornável da música portuguesa, com um timbre e um controlo de voz inconfundível, coadjuvado com uma qualidade ao piano notória, que a transforma numa referência artística.

Começou o seu espetáculo, que foi também o encerramento deste festival, ao piano interpretando a canção “Na minha barquinha”, acompanhada por Davide Zaccaria no violoncelo, num momento de profunda qualidade e serenidade que colocou em silêncio e arrepiado o público que estava junto do palco principal que se enchera pra ouvir a artista.

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O concerto seguiu no traço habitual de Dulce Pontes, alicerçado no fado canção e em canções, tirando da cartola de quando em vez o fado tradicional, mas, a embalar o público na guitarra Portuguesa a trinar nas mãos de Luís Guerreiro, uma das referências atuais da Guitarra Portuguesa. Brindou o Público com temas como “Moças da ilha nova”, “Na minha barquinha”, “Amapola” …

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Mas, a noite não seria apenas de Dulce Pontes, também Ricardo Ribeiro foi chamado a palco, como convidado especial, neste encerramento do Santa Casa Alfama 2022.

O fadista lisboeta trouxe ao maior palco deste festival um complemento ao concerto de Dulce Pontes excecional, ou não se tratassem de dois extraordinários actuantes!

Brindou o público desde logo com o tema “Destino Marcado- Fado Menor”, tendo depois, entrelaçado a voz com a de Dulce Pontes e juntos divagaram pelo fado mais tradicional, passando pelo fado canção e até um quase flamenco embalado pelas origens de Ricardo Ribeiro, mas… tão bonito e sobretudo repleto de Arte e Emoção.

Houve ainda espaço para a fadista brilhar novamente a solo, pondo e dispondo do palco com boa disposição e a confiança de quem nada têm a provar, levando consigo o público que ENCHEU o recinto principal, acompanhando música após música a artista.

Dar uma nota final para a organização que forneceu xailes e mantas para conforto dos presentes, muito bem!!!

Parece-nos nitidamente que esta foi mais uma edição de sucesso do Santa Casa Alfama, conseguindo dinamismo e gente em praticamente todos os 12 palcos, pecando meramente pelo cartaz ligeiramente menos atrativo que em anos anteriores, em especial nos palcos fora da zona ribeirinha… motivo que, reduziu em algum número os participantes.

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