“É mais cómodo ser o mesmo de sempre, repetir os instintos, justificar a brutalidade com frases feitas” diz Pedro Chagas Freitas, no Instagram.
Escritor apresenta conceito de “abondadar”
Pedro Chagas Freitas recorreu ao Instagram para partilhar um excerto da sua mais recente obra, que continua a conquistar leitores em Portugal. No texto, o escritor apresentou um novo termo criado por si: “Inventei agora mas abondadar é isto: tornar-se mais bondoso, mais humano, mais capaz de não esmagar o outro, mais pessoa. A palavra soa estranha. Deve ser porque a prática é rara. Abondadar não é abundante“, escreveu.
Crítica ao “sê tu mesmo”
Logo depois, o autor refletiu sobre um dos chavões mais repetidos da atualidade: “Estou farto do discurso do ‘sê tu mesmo’. É preguiçoso, é inconsequente, é desresponsabilizador. Ser o que somos é fácil, está ali, basta existir, basta não fazer a ponta de um corno. Qualquer cão consegue ser cão, qualquer pássaro consegue ser pássaro. Só nós temos a possibilidade de trair a natureza que nos fez um bocado egoístas, um bocado medrosos, um bocado violentos, ou impacientes, ou intolerantes. Quase nunca o fazemos. É mais cómodo ser o mesmo de sempre, repetir os instintos, justificar a brutalidade com frases feitas sobre autenticidade, com chavões que nos dá jeito enunciar para libertar a porcaria que nos enche a consciência“, afirmou.
Reflexão final
Por fim, Pedro Chagas Freitas deixou uma mensagem clara sobre a sua visão da condição humana: “Não quero ser santo, não quero salvar-me; quero deixar menos destroços ao passar. O que nos distingue dos animais não é o instinto; é a possibilidade de escolhermos ser maiores do que ele“.
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