Ele é português, toca com Rihanna e brilhou no Super Bowl — mas continua ignorado em Portugal, tendo Pedro Chagas Freitas alertado para isso.
Pedro Chagas Freitas defende Nuno Bettencourt e critica esquecimento nacional
Esta semana, o escritor Pedro Chagas Freitas partilhou uma reflexão emotiva e crítica sobre Nuno Bettencourt, guitarrista açoriano que alcançou reconhecimento internacional, mas permanece, segundo o autor, “esquecido cá dentro”.
“Nos Açores, nasceu alguém que nos mostrou que se podia mudar o mundo com uma guitarra”, começa por escrever, referindo-se ao músico natural da Praia da Vitória, ilha Terceira. Bettencourt emigrou para os EUA com apenas quatro anos e cedo encontrou na guitarra o seu caminho.
“Nota de rodapé escrita por quem nunca segurou uma guitarra”
Apesar de tocar com artistas como Rihanna e de ter marcado presença em palcos como o Super Bowl, Nuno Bettencourt ainda não tem o reconhecimento que, para Pedro Chagas Freitas, lhe é devido.
“No seu próprio país, continua a ser uma nota de rodapé. O português que toca com Rihanna; o açoriano que aparece no Superbowl”, lamenta, apontando que essa visão redutora é fruto de uma cultura que não valoriza o talento excecional.
“É uma nota de rodapé escrita por quem nunca segurou uma guitarra, por quem nunca sentiu o mundo colapsar dentro de um riff”, acrescenta.
A guitarra como expressão de alma
Pedro Chagas Freitas não poupa elogios à forma como Bettencourt se expressa através da música. Para ele, o som do guitarrista açoriano vem de uma origem profunda e autêntica.
“Quando o oiço tocar, encontro um som que vem da lava dos Açores, que arde sem pedir desculpa: é raiva, é amor, é orgulho”, escreve. E reforça: “A guitarra diz o que a boca já não aguenta dizer”.
Exílio na própria terra
A crítica mais dura surge quando o autor aborda a forma como o sucesso internacional parece ser penalizado em Portugal.
“Deve custar muito ser gigante lá fora e esquecido cá dentro. É um exílio na própria pátria: o fado dos que fazem bem demais”, afirma.
Para Pedro, o problema não é de Nuno Bettencourt. É da sociedade portuguesa, que parece rejeitar os que mais se destacam. “Preferimos os medíocres: confortam-nos. Os geniais só nos mostram aquilo que nunca seremos”, conclui.
Foto: D.R./ Facebook de Pedro Chagas Freitas
