Terça-feira, Julho 27, 2021

Fado na Assembleia juntou dezenas de pessoas a lutar pela defesa da arte em Portugal

Realizou-se, ontem, a manifestação ‘Fado na Assembleia’ promovida pelo movimento Defender Portugal.

Esta acção de protesto, em frente da Assembleia da República, contou com algumas dezenas de pessoas que ali se manifestaram contra o esquecimento do sector cultural por parte do poder político.

Nuno Barroso, músico fundador dos Além Mar e um dos rostos do movimento Defender Portugal, falou ao Infocul sobre os objectivos deste manifesto.

Neste caso particular, é algo que está ligado à cultura. Uma manifestação artística, cultural e poética, com fadistas que estarão também a cantar”, destancado que “o fado é uma das nossas maiores identidades culturais e, portanto, está profundamente ligado a esta arte de ser português”.

Recordou que “os artistas estão há um ano parados, praticamente sem dar concertos e é importante referirmos que a cultura é a identidade da nossa amada nação”, destacando que “este movimento não tem que ver com partidos, é apartidário. Um movimento de cidadania, um movimento que promove a democracia, mais directa, que promove a sensibilidade à nossa cultura, que está obviamente descontente com o rumo dos acontecimentos”.

Nuno Barros defendeu ainda que “Portugal, no nosso entender, precisa de apoiar mais a arte, a música e valorizar mais os valores intrínsecos à cultura portuguesa”, explicando que “de certa forma acreditamos num futuro diferente, acreditamos que todos os nossos valores devem ser preservados, os nossos artistas devem ser apoiados e, portanto, Fado Na Assembleia, em forma de protesto e de valorizarmos aquilo que é mais nosso”.

Sobre as notícias, já desmentidas, de que o movimento Defender Portugal pertence à extrema-direita referiu que “é falta de conhecimento. Este movimento não tem sequer partidos. É apartidário”.

Aliás, acho que um dos problemas da nação portuguesa tem sido os compadres e compadrios, os favores e a corrupção constantes na nossa nação e também a forma partidária de gerirem de uma forma de interesses pessoas. Basicamente as ideologias deixaram de existir, a pátria está refém de interesses comerciais e financeiros estrangeiros e penso que temos de voltar a nós, voltar a ser Portugal, acreditarmos numa democracia participativa, diferente, mais ao estilo norte da Europa. É importante todos nós, portugueses, percebermos que se não for assim, o nosso país não vai andar para a frente. Outra coisa é prender os corruptos e fazer uma mudança de regime em Portugal”, acrescentou.

Para Nuno Barroso, “Portugal precisa de uma alteração de regime”.

Pretende que este protesto “mude a sensibilidade. A sensibilidade é o princípio da liberdade. Sou filho de um comendador da liberdade, tenho descendência de Dom Afonso Henriques, portanto irrita-me bastante esta situação de poder constante da república”.

Frisou ainda que “a república me parece mais uma república de compotas do que uma república que respeite o cidadão” e que por isso “neste caso, vimos aqui cantar a alta voz o maior simbolismo da cultura portuguesa que é o nosso fado. Eu não sou fadista, como sabes, mas venho cantar o ‘Amor ao Fado’ e uns fados que escrevi quando tinha tenra idade, portanto vai dar-me um imenso prazer em cantar em frente a esta república dos ladrões e estamos aqui para dizer que não gostamos deste país assim e não vamos apadrinhar este país assim. Temos de mudar!

Neste movimento participaram alguns, poucos músicos, destacando-se a presença dos fadistas Vanessa Alves, Leonardo Pereira, Rui Vaz, Catarina Dionísio, dos músicos Diogo Ferreira, Nuno Barroso, do poeta José Sardinha e do historiador Francisco Pina Queiroz, entre outros.

A manifestação decorreu sem qualquer problema, com presença policial.

Fotografias: Rute Nunes & Carlos Pedroso/Infocul.pt

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