Famílias portuguesas gastam até 83% do rendimento em rendas e 70% na compra de casa: “Lisboa, Faro e Funchal lideram os maiores esforços”, assinala o Idealista.
Mercado imobiliário continua a pressionar orçamentos familiares
O acesso à habitação em Portugal continua a ser um desafio para milhares de famílias. De acordo com uma análise divulgada pelo idealista, as famílias portuguesas dedicam em média 83% do seu rendimento ao arrendamento e 70% à compra de casa.
Os dados, referentes ao terceiro trimestre de 2025, revelam que apenas seis capitais de distrito apresentam taxas de esforço próximas ou inferiores ao limite recomendado de 33%, um valor considerado equilibrado pelas entidades financeiras.
Segundo o comunicado, “arrendar ou comprar casa consome grande parte do rendimento familiar, refletindo as dificuldades que muitas famílias enfrentam para aceder a habitação adequada.”
Funchal, Faro e Lisboa com taxas de esforço mais elevadas no arrendamento
Entre as 20 cidades analisadas, o Funchal é a localidade onde arrendar casa mais pesa no orçamento, exigindo 100% do rendimento médio familiar. Logo a seguir surgem Faro (93%) e Lisboa (83%), cidades onde os preços das rendas continuam a atingir valores recorde.
Outras localidades com taxas de esforço elevadas são Porto (69%), Setúbal (64%), Viana do Castelo (58%) e Aveiro (55%). Já cidades como Braga (54%), Évora (53%) e Santarém (53%) também apresentam níveis de esforço consideráveis.
Por outro lado, Bragança (39%), Beja (37%) e Castelo Branco (37%) são das cidades onde arrendar casa é financeiramente mais acessível. Apenas Portalegre (34%) e Guarda (32%) estão dentro ou muito próximas do limite ideal de 33%.
Comprar casa em Lisboa implica mais do que o rendimento mensal
Quando o objetivo é comprar casa, o cenário também é preocupante. O estudo revela que “comprar casa em Portugal exige, em média, 70% do rendimento familiar.”
As cidades onde adquirir habitação representa um maior esforço financeiro são Lisboa (111%), Funchal (99%) e Faro (93%). Nestes locais, o valor médio da prestação ultrapassa, em alguns casos, o rendimento mensal médio das famílias.
Outras cidades com taxas de esforço significativas são Aveiro (76%), Porto (69%), Ponta Delgada (62%) e Viana do Castelo (60%).
No entanto, há capitais de distrito onde a compra de casa continua a ser financeiramente viável. “Apenas algumas capitais de distrito apresentam taxas de esforço iguais ou inferiores à recomendada de 33%: Guarda (18%), Castelo Branco (18%), Portalegre (20%), Bragança (21%), Beja (27%) e Vila Real (28%)”, destaca o idealista.
Descidas nas taxas de juro aliviam ligeiramente os cálculos
A análise explica ainda que os cálculos sobre a compra de habitação foram atualizados devido à recente descida das taxas de juro, segundo dados do Banco Central Europeu (BCE).
O comunicado reforça que “a taxa de esforço é um indicador que mede o impacto do custo da habitação no poder de compra do agregado familiar.” No caso do arrendamento, o cálculo tem por base “a percentagem anual do rendimento líquido médio destinada ao pagamento da renda.”
Já no caso da compra de casa, “a taxa de esforço é calculada como a percentagem anual do rendimento líquido do agregado familiar destinada ao pagamento de um crédito habitação com características médias em termos de duração e taxa de juro.”
Mercado continua “muito desafiante” para famílias portuguesas
Em conclusão, o idealista sublinha que, “embora algumas cidades apresentem condições menos pressionadas, o mercado imobiliário nacional permanece desafiante.”
Os números demonstram que, mesmo com descidas nas taxas de juro e alguma estabilização nas rendas, o peso da habitação continua insustentável para grande parte das famílias portuguesas, sobretudo nas principais cidades do país.
A tendência confirma que o problema do acesso à habitação em Portugal está longe de ser resolvido e continua a ser uma das maiores preocupações sociais e económicas do país.


