Crise no arrendamento: há 23 famílias por cada casa disponível em Portugal, revela estudo do idealista, segundo foi revelado.
A procura por arrendamento continua alta, mas contactos diminuem
A pressão sobre o mercado de arrendamento em Portugal mantém-se intensa. De acordo com uma análise do idealista, cada anúncio de casa para arrendar recebeu, em média, 23 contactos antes de ser retirado da plataforma durante o terceiro trimestre de 2025.
Apesar da forte procura, o número representa uma quebra de 18% face a 2024, quando cada imóvel recebia cerca de 28 contactos. Esta diminuição coincide com uma subida de 4,1% no preço médio das rendas no mesmo período.
Segundo Ruben Marques, porta-voz do idealista, “embora o número de contactos por anúncio tenha diminuído ligeiramente desde o início do ano, a procura por casas para arrendar permanece forte. Esta desaceleração não traduz menor interesse das famílias, mas sim uma maior disponibilidade de imóveis no mercado. Apesar disso, os valores das rendas continuam altos e fora do alcance de muitos portugueses.”
Santarém e Ponta Delgada lideram a procura
Entre as cidades com maior número de contactos por imóvel, Santarém e Ponta Delgada destacaram-se no topo da lista, ambas com uma média de 35 contactos por anúncio.
Logo atrás surgem Portalegre e Leiria (30), seguidas de Évora e Setúbal (29), consolidando estas localidades como algumas das mais procuradas do país para arrendamento.
Com níveis intermédios de procura estão Bragança e Guarda (24), enquanto Coimbra, Vila Real e Viseu registaram 21 contactos por anúncio. Já Faro e Lisboa atingiram 20 contactos em média, seguidas do Funchal e Castelo Branco (19), Aveiro e Braga (17), Porto (15) e Viana do Castelo (12).
Ponta Delgada e Évora com maior aumento de procura
A análise revela ainda uma evolução desigual entre capitais de distrito e regiões autónomas. A média de contactos por imóvel aumentou em apenas quatro localidades — com destaque para Ponta Delgada (+18%), Évora (+12%), Guarda (+12%) e Funchal (+7%).
Em contrapartida, 15 capitais registaram descidas acentuadas. Entre as maiores quedas estão Portalegre (-46%), Castelo Branco (-28%), Viana do Castelo (-25%), Faro (-22%), Braga (-20%) e Coimbra (-20%).
Já Lisboa teve uma descida de 17%, enquanto o Porto registou uma quebra mais ligeira, de 11%.
Mercado com sinais de maior oferta, mas rendas continuam elevadas
Apesar da redução no número médio de contactos, os especialistas do idealista reforçam que o mercado de arrendamento continua sob pressão, com valores de renda que se mantêm fora do alcance de grande parte das famílias.
A descida nos contactos é interpretada como sinal de um ligeiro aumento da oferta, ainda insuficiente para equilibrar a procura.
Os dados foram analisados pela idealista/data, a proptech que fornece informações de mercado e soluções de investimento em Portugal, Espanha e Itália. Esta plataforma combina dados próprios e fontes públicas para apoiar decisões estratégicas no setor imobiliário.
Em resumo, embora haja mais imóveis disponíveis, o cenário continua desafiante: há 23 famílias a disputar cada casa no mercado de arrendamento, um reflexo direto da escassez estrutural e dos preços que continuam a subir.



