Sexta-feira, Dezembro 3, 2021

Forcados Amadores da Moita em grande na 1ª corrida da Feira Taurina

Forcados Amadores da Moita em grande na 1ª corrida da Feira Taurina

Forcados Amadores da Moita em grande na 1ª corrida da Feira Taurina, realizada esta terça-feira.

A Praça de Touros Daniel do Nascimento, na Moita, abriu as suas portas, esta terça-feira, para a primeira corrida da sua Feira Taurina.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora

Em praça, os cavaleiros João Moura e João Ribeiro Telles, frente a touros David Ribeiro Telles, e o matador Morante de la Puebla, frente a touros de Calejo Pires. Pegou, em solitário, o Grupo de Forcados Amadores da Moita.

Começar por destacar que esta era intitulada a Corrida da Arte e o cartel a isso fazia jus (mesmo com a substituição de António Ribeiro Telles, devido a lesão, por João Moura). A praça registou muito aceitável entrada de público, embora sem esgotar toda a lotação permitida e durante a corrida, o público envolveu-se nas lides e foi exigente com os toureiros, reconhecendo quando eles estiveram bem.

João Moura abriu praça, brindando a sua lide a Morante de la Puebla. O cavaleiro de Monforte enfrentou um touro bem apresentado, com investida e que não dificultou muito o labor do cavaleiro. Optou maioritariamente por sortes desenhadas com cites de praça a praça e ligeira batida ao piton contrário, falhando no momento das reuniões, com maioria a não resultar cingida. Ainda assim, o público acarinhou-o.

Grande, enorme, extraordinário momento dos Forcados Amadores da Moita, na primeira pega da noite. David Solo esteve absolutamente extraordinário. Bem a citar, a mandar e reunindo com esforço. Depois aguentou muitos e muitos derrotes, com o touro a fugir do grupo, com o forcado da cara a aguentar até o grupo fechar. Público todo de pé. Grande momento na Moita.

Três voltas (a última literalmente a toda a arena) para o forcado e uma para o cavaleiro.

João Ribeiro Telles elevou o nível das actuações equestres. Trajando casaca bordô, bordada a ouro, Telles esteve francamente bem na brega, levando o touro para os terrenos que considerou mais ajustados, desenhando depois as sortes de largo, com batida ao piton contrário, antes de reunir e depois rematar com vistosidade.

João César, brindou a pega a Morante de la Puebla, concretizando-a ao primeiro intento.

Morante não rompeu, não brilhou e a primeira faena não tem história, apenas esforço por parte do matador.
Duas ou três verónicas com lampejos de classe, no capote. Os bandarilheiros tecnicamente mal nas bandarilhas, e na muleta, o touro levantava a cara aquando da investida (algo que fez também no capote) e não permitiu sequência ao toureiro andaluz. Morante não encurtou a faena, esforçou-se e tentou fazer o melhor que conseguiu, sem contudo atingir o êxito. Divisão de opiniões na bancada, dividiram-se em assobios e aplausos.

João Moura voltou a estar aquém, do que pode, sabe e já mostrou saber fazer. Afinal de contas, falamos do homem que revolucionou o toureio a cavalo. E quando assim é, a expectativa é maior. Pouca brega, cites de praça a praça e a não conseguir reuniões ajustadas.

Fábio Silva, brindou a pega a João Ribeiro Telles, concretizando, de forma eficaz e competente, ao primeiro intento.

João Ribeiro Telles enfrentou um touro que lhe permitia estar a gosto. E Telles esteve a gosto, com forte ligação ao público e arriscando nas sortes. O terceiro curto é de excelente nota, citando praça a praça , batida ao piton contrário e reunindo no centro da arena. Voltou a estar bem no quarto curto da ordem, replicando a ideia do ferro anterior. Depois, com o Ilusionista, criou um verdadeiro bruá nas bancadas. De praça a praça começou por citar o touro, fez batida ao piton contrário e cravou um ferro com forte impacto. Seguidamente, tentou repetir e sofreu forte toque na montada. Tentou corrigir e terminou com um ferro em que pecou ao abrir demasiado quarteio. Telles a ser emoção em estado puro e risco constante, deixando o público agarrado à sua actuação.

Filipe Correia concretizou ao primeiro intento, aguentando a investida do touro, que fugiu ao grupo, mas com reação rápida do mesmo a consumar a tentativa de forma exitosa. Destaque para o primeiro ajuda, que esteve em grande plano nesta consumação.

Volta autorizada para forcado, primeiro ajuda, cavaleiro e ganadeiro.

Morante fechou a noite com uma boa faena. O público que começou por assobiá-lo, terminou a aplaudi-lo. Se no capote esteve curto e sem brilho, foi na muleta que deu ar da sua graça, conseguindo séries por ambos os pitons, destacando-se pela esquerda. Prolongou a faena, desfrutou e fez desfrutar e notou-se a vontade em compensar o público que ali foi para o ver. O matador andaluz não veio passear à Moita, veio com vontade de triunfar e mostrar o motivo pelo qual é das maiores figuras da tauromaquia. Não tendo conseguido isso em pleno, a verdade é que ninguém o pode acusar de não se ter esforçado para tal.

O público reconheceu o esforço e “obrigou-o” a dar uma volta à arena para receber os aplausos e o carinho da afición portuguesa.

A primeira corrida da Feira Taurina teve como maior destaque a primeira pega dos Amadores da Moita, por David Solo, que claramente foi o Momento da noite, por duas boas actuações de Telles (destaque para a segunda, pelo impacto) e um esforçado Morante que em alguns momentos foi Artista, mas nunca deixando de ser operário em busca do triunfo. Os touros de David Ribeiro Telles estavam bem apresentados, distintos de comportamento, com o 4º a sobressair pela positiva. Os touros de Calejo Pires não facilitaram a vida a Morante, embora o segundo tenha tido melhor comportamento.

Corrida dirigida por Fábio Costa, pouco coerente na atribuição de música aos toureiros e nos momentos em que a autorizou, assessorado por Jorge Moreira da Silva.

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