‘Frei Fado’ de Gonçalo Salgueiro: Aclamação de um artista supremo

‘Frei Fado’ de Gonçalo Salgueiro: Aclamação de um artista supremo, no seu mais recente disco.

'Frei Fado' de Gonçalo Salgueiro: Aclamação de um artista supremo

“Frei Fado – Homenagem a Frei Hermano da Câmara” é o novo disco de Gonçalo Salgueiro, já disponível nas plataformas digitais e em breve disponível em formato físico.

Gonçalo Salgueiro é, de forma indiscutível e por mérito próprio, uma das melhores vozes que Portugal tem. E este disco demonstra-o na sua plenitude e vem no momento de, talvez, maior maturidade espiritual do artista.

Arriscar-se a uma homenagem a um nome incontornável da cultura portuguesa e com temas que não são fáceis de interpretar, carece de maturidade e, também, de uma elevada dose de sensibilidade.

E é de sensibilidade que se deve falar, após ouvir-se integralmente o disco, no qual o artista apresenta muitas das qualidades vocais que há muito lhe são reconhecidas. Tão reconhecidas que parece que o mercado musical português não tem sabido lidar com a situação, por claramente Gonçalo Salgueiro estar muito acima da média dos artistas mediáticos que nos são impingidos diariamente.

Parece estranho, não é? Mas em Portugal há sempre uma larga tendência em premiar a mediocridade e o fugaz. Uma espécie de pastilha elástica para prazer momentâneo, mas que passadas umas horas nem do aroma da pastilha nos lembramos.

Neste disco, garantidamente quem o ouvir ficará com ele na memória por muito tempo e ouvi-lo-á várias vezes. Este disco é uma catarse, para o artista e para o ouvinte. É um disco libertador, profundo e no qual a voz de Gonçalo nos arrebata de início ao fim.

O Fado tem, neste disco, um caminho de oração, um canto espiritual em tempos de mar revolto, em que as armas são personagens principais do nosso quotidiano. É um disco de paz, em tempo de guerra. É Gonçalo Salgueiro entregue de alma e coração a uma arte chamada Música.

Creio que o disco ‘Mãe’ talvez seja o mais pessoal do artista, mas este é aquele em que Gonçalo associa a sua vertente de fadista ao divino, talvez por ser um homem profundamente católico e que tem na sua fé um dos alicerces da sua personalidade.

Não é um disco apenas para católicos. É um disco para almas inquietas, que procuram o supremo.  A escolha de repertório neste disco não é óbvia, o que é coerente com a alma artística de Gonçalo Salgueiro, que procurou sempre um plano de Arte, fugindo (qual Diabo da Cruz) do que lhe podia dar mais mediatismo e até outros benefícios em termos de carreira. Gonçalo entrega-se à Arte, mesmo sabendo que o mundo actual não o reconhecerá como ele merece. Optou por um caminho solitário, para assim poder abraçar o mundo com a Arte. É no antagonismo que o artista se torna antológico.

Depois de vários discos em que a figura de Amália Rodrigues foi celebrada e homenageada, depois de ter apresentado vários originais da sua autoria, Gonçalo presta homenagem a Frei Hermano da Câmara. Mas este é um disco em que Gonçalo Salgueiro também presta uma clara homenagem à sua mãe. Porque a dor que a sua morte física provocou, foi atenuada com a fé, com uma entrega aos outros, muitas das vezes quase como um guia espiritual para a sua legião de admiradores. Deixemos que a voz de Gonçalo Salgueiro guie a nossa alma ouvinte a um lugar de paz.

Alinhamento do disco:

Suave Milagre
Quero um cavalo de várias cores
Cristo Antigo
Sabeis Senhor
Mãos Abertas, Mãos de Dar
Luz Terna Suave no Meio da Noite
Gládio
À Santa Face
Jesus Cristo anda na Rua
Frei Fado
Minha mãe nasci fadista
Manhã
Avé Maria
Pai Nosso
Um novo coração me dá Senhor (dueto com Frei Hermano da Câmara

Neste disco, o tema ‘Frei Fado’ conta com música de Pedro de Castro e letra de Gonçalo Salgueiro, num tributo ao homenageado do disco. Há ainda um dueto entre Gonçalo e Frei Hermano da Câmara em ‘Um novo coração me dá Senhor’, além dos temas de repertório de Frei que Gonçalo selecionou cuidadosamente.

Neste trabalho discográfico, Salgueiro esteve acompanhado por Pedro de Castro e Luís Guerreiro, nas guitarras portuguesas, Flávio Cardoso e Alfredo Almeida, nas violas de fado, e Francisco Gaspar, na viola baixo.

A produção é de Pedro de Castro, que assina também a direcção musical. A concepção do disco é de Gonçalo Salgueiro. Destaque ainda para Maria de Lourdes Carvalho na assistência de produção, reconhecida escritora e dona de uma sensibilidade extraordinária.

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