Helena Sacadura Cabral analisa nova geração: “Os jovens não são apenas os adultos do futuro”, escreveu nas redes sociais.
Helena Sacadura Cabral dedicou uma reflexão às prioridades, dificuldades e formas de pensar das gerações mais jovens. Num texto publicado nas redes sociais, a economista e escritora procurou olhar para as diferenças em relação ao passado sem cair numa crítica automática aos hábitos dos jovens.
Intitulada «Os interesses da nova geração de jovens», a publicação começa precisamente por reconhecer que o contexto em que estes cresceram é diferente daquele que marcou a vida dos pais e avós.
“A nova geração de jovens cresce num mundo muito diferente daquele em que viveram os seus pais e avós.”
Helena Sacadura Cabral aponta a tecnologia, as redes sociais, o acesso à informação e a rapidez das mudanças sociais como alguns dos fatores que influenciam “profundamente os seus interesses, os seus sonhos e a forma como se relacionam com os outros.”
Um quotidiano dominado pelo digital
Na análise, a autora identifica o universo digital como uma das principais diferenças em relação às gerações anteriores.
“Um dos principais interesses dos jovens atuais é, naturalmente, o mundo digital. O telemóvel, a internet, as redes sociais, os jogos e as plataformas de entretenimento fazem parte do seu quotidiano.”
Helena lembra, porém, que essas ferramentas não servem apenas para entretenimento.
“Através desses meios, os jovens comunicam, aprendem, descobrem novas culturas e expressam as suas opiniões. A tecnologia também lhes permite desenvolver competências e ter acesso a conhecimentos que anteriormente seriam muito mais difíceis de alcançar.”
Outro dos aspetos destacados prende-se com o interesse por causas sociais e pelo futuro coletivo.
“Ao mesmo tempo, muitos jovens demonstram uma preocupação crescente com temas como o ambiente, as alterações climáticas, a igualdade de oportunidades, os direitos humanos e o futuro da sociedade.”
Segundo Helena Sacadura Cabral, existe também “uma maior vontade de participar, de questionar aquilo que consideram injusto e de procurar novas formas de viver e trabalhar.”
A própria relação com a carreira profissional terá mudado. “Ter uma profissão interessante e compatível com os seus valores é tão importante como alcançar estabilidade financeira.”
“Ter tempo livre, preservar a saúde emocional, viajar, cultivar amizades”
A autora considera que a noção de sucesso se tornou igualmente mais abrangente.
“Também mudaram as formas de encarar o sucesso. Para uma parte significativa da nova geração, ter tempo livre, preservar a saúde emocional, viajar, cultivar amizades e encontrar um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal são objetivos importantes.”
E acrescentou: “O sucesso já não é necessariamente associado apenas a uma carreira tradicional, a um salário elevado ou à aquisição de bens materiais.”
A reflexão não ignora, contudo, os problemas associados ao contexto atual.
“No entanto, esta geração também enfrenta desafios. O excesso de informação, a pressão das redes sociais, a comparação constante com os outros e a necessidade de estar permanentemente ligado podem provocar insegurança e ansiedade.”
Helena destacou ainda “a rapidez das mudanças tecnológicas e as incertezas económicas”, considerando que estas tornam mais difícil antecipar aquilo que poderá acontecer no futuro.
Apesar das diferenças entre gerações, há, para a escritora, necessidades que permanecem.
“Apesar das diferenças em relação às gerações anteriores, há algo que permanece: os jovens procuram reconhecimento, amizade, amor, liberdade e um sentido para a sua vida.”
A diferença poderá estar, sobretudo, nos meios disponíveis: “Talvez a grande diferença esteja nas ferramentas que utilizam e no mundo em que foram educados.”
O texto termina com um apelo à compreensão em vez da censura.
“Compreender os interesses da nova geração exige, por isso, mais do que criticar os seus hábitos. É necessário escutá-la.”
E fecha com uma ideia que resume o essencial da reflexão: “Os jovens não são apenas os adultos do futuro; são também cidadãos do presente, com ideias, preocupações e aspirações próprias.”
