Helena Sacadura Cabral questiona evolução das mentalidades: «O tempo, por si só, não faz um país evoluir», afirmou.
Helena Sacadura Cabral partilhou uma reflexão sobre a evolução da sociedade portuguesa, partindo de uma imagem recente do Patriarca de Lisboa numa escola e da comparação feita com uma fotografia anterior ao 25 de Abril.
Num texto publicado na sua página de Facebook, esta quarta-feira, 23 de setembro, sob o título «Evolução e Memória», Helena Sacadura Cabral começou precisamente por explicar a origem da reflexão.
«O Patriarca de Lisboa abençoou uma escola oficial, na companhia de diversas entidades oficiais. Alguém, com inteligência e sentido de observação, comparou a imagem de hoje com outra, tirada antes da Revolução.»
A partir dessa comparação, deixou uma pergunta sobre aquilo que mudou em Portugal ao longo de mais de cinco décadas.
«A fotografia mudou. O tempo passou. O país transformou-se. Mas será que mudou verdadeiramente aquilo que trazemos dentro de nós?»
«Talvez devêssemos perguntar se evoluímos tanto quanto gostamos de acreditar»
Helena Sacadura Cabral desenvolveu depois a ideia, estabelecendo uma diferença entre as transformações visíveis de um país e as mudanças nas mentalidades.
«Há mais de cinquenta anos, certas imagens, certos gestos e certas ideias faziam parte da normalidade de uma sociedade. Se hoje continuamos a reconhecê-los como naturais, talvez devêssemos perguntar se evoluímos tanto quanto gostamos de acreditar.»
Para a escritora e comentadora, a modernização de um país não significa necessariamente que todas as formas de pensar se alterem ao mesmo ritmo.
«Porque um país pode modernizar as suas ruas, as suas casas, a sua tecnologia e até as suas instituições. Mas a verdadeira evolução é muito mais difícil: acontece quando se transformam as mentalidades, quando se questiona o que durante décadas foi aceite sem reflexão e quando uma sociedade deixa de confundir tradição com destino.»
Helena Sacadura Cabral encerrou a publicação insistindo nessa diferença entre a passagem do tempo e aquilo que considera ser uma verdadeira mudança social.
«O tempo, por si só, não faz um país evoluir. Pode apenas envelhecê-lo. A evolução começa quando mudamos a forma de olhar para aquilo que sempre julgámos normal.»
