Helena Sacadura Cabral defende mudanças concretas para humanizar o trabalho, destacou nas redes sociais.
Respeito, escuta e igualdade de oportunidades devem traduzir-se em práticas dentro das organizações, defende Helena Sacadura Cabral. Num texto publicado no Facebook, intitulado «Humanizar o trabalho», a autora questionou o lugar reservado às pessoas num contexto de expansão da inteligência artificial e da automação.
A reflexão associa as transformações tecnológicas à necessidade de rever modelos de liderança e condições de trabalho, mantendo a exigência profissional.
“Mas humanizar o trabalho não pode limitar-se a palavras como ‘bem-estar’ ou ‘propósito’. Exige práticas concretas: respeito, escuta, reconhecimento, igualdade de oportunidades e ambientes onde as pessoas possam contribuir e desenvolver-se”, escreveu.
Exigência acompanhada de autonomia
Helena Sacadura Cabral começou por descrever uma mudança nas prioridades das organizações.
“O mundo do trabalho está a mudar. Durante muito tempo, a produtividade e os resultados estiveram no centro das organizações. Hoje, cresce a preocupação em conciliar desempenho com bem-estar, dignidade e desenvolvimento pessoal.”
Para a autora, esse equilíbrio pressupõe reconhecer as necessidades de quem desempenha cada função: “Humanizar o trabalho significa reconhecer que, por detrás de cada função, existe uma pessoa com capacidades, emoções, necessidades e expectativas. Não significa diminuir a exigência, mas criar condições para que o profissional possa realizar o seu trabalho com responsabilidade, autonomia e equilíbrio.”
O valor das competências humanas
A inteligência artificial e a automação ocupam um lugar central no texto, pela alteração que introduzem nas tarefas profissionais.
“A expansão da inteligência artificial e da automação torna esta questão ainda mais importante. À medida que muitas tarefas são realizadas pela tecnologia, ganham valor competências essencialmente humanas, como a criatividade, a empatia, o pensamento crítico, a comunicação e a capacidade de trabalhar em equipa.”
Helena Sacadura Cabral abordou também as relações entre trabalhadores e chefias: “Também as relações dentro das organizações estão a mudar. Modelos de liderança mais participativos, baseados na confiança, na autonomia e no reconhecimento, tendem a substituir formas exclusivamente hierárquicas de gestão. A flexibilidade e os modelos híbridos reforçam igualmente a necessidade de encontrar um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal.”
A publicação terminou com uma pergunta sobre as escolhas que acompanharão essa transformação: “Num futuro marcado pela tecnologia e pela mudança constante, a questão não será apenas que trabalho faremos, mas também como queremos trabalhar e que lugar queremos dar à pessoa dentro das organizações.”
