Helena Sacadura Cabral distingue dignidade e recompensa: “Ninguém vale mais do que outro ser humano”, considerou.
Numa reflexão publicada no Facebook, Helena Sacadura Cabral defendeu a igualdade de respeito entre pessoas, distinguindo-a dos resultados e das recompensas atribuídos ao trabalho de cada uma.
Helena Sacadura Cabral dedicou uma publicação à diferença entre o valor de uma pessoa e o reconhecimento daquilo que faz. Sob o título “Igualdade de dignidade e igualdade de recompensa”, defendeu que os dois conceitos devem ser separados quando se discute justiça e mérito.
“A distinção entre igualdade de dignidade e igualdade de recompensa é particularmente importante, quando discutimos justiça, mérito e organização da sociedade”, começou por escrever no Facebook.
Na sua perspetiva, a dignidade não depende da profissão, dos rendimentos ou do estatuto.
“A igualdade de dignidade significa reconhecer que todas as pessoas têm o mesmo valor intrínseco, independentemente da sua profissão, riqueza, estatuto social, talento, origem ou grau de sucesso. Um médico, um agricultor, um professor, um empresário ou um trabalhador manual merecem igual respeito enquanto pessoas. Esta igualdade é um princípio moral: ninguém vale mais do que outro ser humano.”
Recompensas diferentes e respeito igual
Helena Sacadura Cabral contrapôs esse princípio à ideia de todos receberem o mesmo resultado, independentemente do contributo individual.
“A igualdade de recompensa, pelo contrário, significa que todos deveriam receber exatamente o mesmo resultado — o mesmo rendimento, reconhecimento, posição ou benefício — independentemente do contributo, da responsabilidade, do esforço, da competência ou do risco assumido. É uma ideia muito diferente e, em muitos contextos, pode entrar em conflito com a própria noção de justiça.”
A autora sustentou que a proteção da dignidade não obriga a uma uniformização das recompensas.
“Uma sociedade justa não precisa, portanto, de confundir igual valor humano com igual resultado social. Podemos defender que ninguém deve ser humilhado, discriminado ou privado de oportunidades por aquilo que é, sem concluir que todas as pessoas devam receber exatamente a mesma recompensa pelo que fazem.”
“A desigualdade de dignidade, nunca”
Na parte final da publicação, Helena Sacadura Cabral apontou o equilíbrio que considera necessário entre oportunidades e reconhecimento.
“O desafio está em encontrar o equilíbrio: igual dignidade à partida, oportunidades justas no caminho e reconhecimento proporcional da responsabilidade, do mérito e do contributo. A desigualdade de resultados pode ser legítima; a desigualdade de dignidade, nunca.”
A reflexão terminou com duas perguntas que, na sua leitura, exigem respostas diferentes.
“No fundo, trata-se de distinguir duas perguntas que frequentemente confundimos: ‘Quanto vale esta pessoa?’ e ‘Quanto deve ser reconhecido aquilo que ela fez?’. A primeira deve ter uma resposta universal — todas as pessoas têm a mesma dignidade. A segunda admite diferenças, desde que essas diferenças sejam justificáveis e compatíveis com a justiça.”
