Helena Sacadura Cabral reflete: “Somos todos um pouco sós, sozinhos e solitários”, referiu nas redes sociais.
A reflexão que nasceu de um jantar
Helena Sacadura Cabral partilhou, nas suas redes sociais, uma reflexão sobre as diferenças entre estar só, estar sozinho e sentir-se solitário. O texto, intitulado “SÓS, SOZINHOS E SOLITÁRIOS”, nasceu de uma conversa entre amigos.
O significado de estar só
Na sua perspetiva, “estar só é um estado natural, quase neutro. É o silêncio da casa, depois que as vozes se calam, o espaço vazio que convida à introspeção. Ser só pode ser descanso, ou reencontro. É um tempo em que se ouve o próprio coração sem interferências”.
A diferença de estar sozinho
Contudo, a escritora sublinha que há uma diferença quando se fala em solidão acompanhada da ausência. “Estar sozinho já é outro patamar. É o que se sente quando a ausência do outro se torna presença. É perceber-se, sem companhia, no meio da multidão, ou à mesa posta para um. O ‘sozinho’ carrega a consciência da falta, do que poderia estar ao lado e não está. É o quarto com apenas uma chávena sobre a mesa, é o eco que responde a si mesmo”, escreveu.
O peso da solidão
Já sobre o último estado, destacou: “A solidão é mais funda. É uma ferida que se abre mesmo em ambientes cheios. O solitário não é apenas quem está sem companhia. É quem não se sente alcançado, compreendido, tocado. É um desencontro existencial, em que a alma estende a mão e não encontra outra”.
Possibilidades de transformação
Apesar de tudo, Helena Sacadura Cabral acredita que estes estados não são estáticos. “O ‘só’ pode virar um refúgio, o ‘sozinho’ pode ser libertação, e até a solidão, às vezes, pode tornar-se campo fértil para o florescer de algo novo — uma escrita, um olhar para dentro, uma força inesperada”, partilhou.
Uma conclusão universal
A reflexão terminou com uma síntese: “Porque, no fundo, somos todos um pouco sós, sozinhos e solitários. Mas também, paradoxalmente, penso eu, estamos sempre em busca do outro, que nos devolva a sensação de pertença”.
