Herança de Pinto da Costa sob investigação: contas esvaziadas, ações contra viúva e disputa familiar em tribunal, foi revelado.
A herança de Jorge Nuno Pinto da Costa está no centro de uma disputa judicial que envolve contas bancárias, alegadas dádivas, obras de arte e alterações ao testamento.
Segundo avança o CM, em artigo assinado por Tânia Laranjo, as contas bancárias do antigo presidente do FC Porto terão sido esvaziadas nos meses anteriores à sua morte.
A justiça investiga agora várias movimentações financeiras realizadas numa fase em que Pinto da Costa já estaria muito debilitado.
Justiça investiga levantamentos antes da morte
De acordo com a mesma publicação, foram feitos vários levantamentos avultados antes da morte do antigo dirigente portista.
O caso ganhou nova dimensão porque, segundo é referido, muitos garantem que Pinto da Costa já não teria plena noção dos seus atos.
Cláudia Campo, viúva do antigo presidente do FC Porto, foi chamada a prestar esclarecimentos sobre estas movimentações.
Além disso, a investigação terá apurado que uma conta de Pinto da Costa no Santander ficou reduzida a apenas um cêntimo.
Alexandre Pinto da Costa avançou com ações contra a madrasta
Entretanto, Alexandre Pinto da Costa, filho mais velho do antigo líder portista, interpôs duas ações contra Cláudia Campo.
Segundo o texto-base, reclama 3,69 milhões de euros e acusa a madrasta de “descaminho de património”.
Também alega ocultação de bens. A irmã, Joana Pinto da Costa, surge como interveniente principal nestes processos.
No centro da disputa está a forma como parte do património terá sido movimentado e declarado no processo de partilhas.
Levantamento de 600 mil euros levanta dúvidas
Um dos documentos juntos ao processo de partilhas refere um levantamento de 600 mil euros em notas, feito em dezembro.
Esse levantamento terá ocorrido apenas dois meses antes da morte de Pinto da Costa.
A justificação registada apontava para uma viagem aos Estados Unidos e para tratamento médico. No entanto, essa viagem nunca se concretizou.
O documento não terá assinatura de funcionário bancário nem carimbo.
Além disso, a assinatura que surge nesse documento será diferente da usada na alteração do testamento, também feita em dezembro.
Essa alteração aconteceu depois de Pinto da Costa ter tido alta hospitalar, na sequência de uma fratura do fémur.
Viúva terá de justificar transferências e dádivas
Cláudia Campo, que conheceu Jorge Nuno Pinto da Costa quando trabalhava como bancária no Santander, é visada nas ações.
Segundo o texto-base, a viúva terá agora de justificar várias transferências financeiras.
Entre os movimentos em causa estarão também “dádivas”, incluindo 100 mil euros transferidos para a sua conta.
Ao mesmo tempo, outras contas terão ficado com apenas alguns cêntimos.
A viúva contestou a ação. Defende que os bens declarados refletem a vontade de Pinto da Costa e nega omissão ou manipulação.
Filho fala em pai “indefeso” nos últimos anos
Alexandre Pinto da Costa sustenta que o pai terá estado numa posição de grande fragilidade nos últimos anos de vida.
No processo, o filho mais velho descreve Jorge Nuno Pinto da Costa como uma “presa indefesa e submissa” da mulher.
Segundo a sua versão, o antigo dirigente terá sido alegadamente isolado dos restantes laços familiares.
Essa situação, defende Alexandre, poderá ter influenciado a alteração do testamento.
O testamento alterado limitou o filho mais velho à quota legitimária mínima.
Assim, Alexandre ficou com um apartamento T1 no Porto e algumas obras de arte para partilhar com a irmã.
Ficou excluído da quota disponível.
Obras de arte e relógios também entram na disputa
A disputa familiar não se limita às contas bancárias.
Alexandre Pinto da Costa mostrou-se incrédulo com o desaparecimento de uma vasta coleção de obras de arte.
Também estarão em causa dezenas de relógios de elevado valor que fariam parte do museu pessoal do pai.
A viúva venceu em primeira instância um processo de cerca de quatro milhões de euros.
Nessa decisão, o juiz considerou que o caso não tinha viabilidade.
No entanto, Alexandre Pinto da Costa já recorreu e insiste que parte relevante do património continua fora da partilha.
Inventário da herança está suspenso
O processo de inventário da herança encontra-se suspenso.
A suspensão mantém-se até existir uma decisão sobre o recurso apresentado no tribunal cível.
Enquanto isso, Cláudia Campo continua a negar qualquer omissão ou manipulação relacionada com os bens declarados.
Por outro lado, a viúva decidiu manter um processo por difamação que Pinto da Costa tinha movido contra Frederico Varandas.
O processo contra o presidente do Sporting tinha sido iniciado ainda antes da morte do antigo líder portista.
Pinto da Costa morreu aos 87 anos
Jorge Nuno Pinto da Costa morreu a 15 de fevereiro, aos 87 anos.
O antigo dirigente liderou o FC Porto durante 42 anos e somou 2591 conquistas, de acordo com o texto-base.
Agora, meses depois da sua morte, a herança continua envolvida numa disputa judicial marcada por acusações, recursos e suspeitas sobre movimentações financeiras.

