Isaltino Morais recorda prisão e buscas judiciais: “Foi o pior dia da minha vida”

Isaltino Morais recorda prisão e buscas judiciais: “Foi o pior dia da minha vida”, disse no Alta Definição.

Isaltino Morais foi o convidado do Alta Definição e falou sobre as buscas judiciais, a prisão e o impacto emocional no filho mais novo.

Isaltino Morais foi o convidado do Alta Definição deste sábado, numa conversa conduzida por Daniel Oliveira.

Durante a entrevista, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras recordou alguns dos momentos mais duros da sua vida. Entre eles, as buscas judiciais e o período em que esteve preso.

Condenado por fraude fiscal e branqueamento de capitais, Isaltino Morais cumpriu 14 meses de prisão no Estabelecimento Prisional da Carregueira, entre 2013 e 2014.

Buscas judiciais deixaram marca profunda

Na entrevista, Isaltino Morais falou sobre o dia em que foi alvo de buscas judiciais. O autarca não escondeu o impacto desse episódio na vida pessoal e familiar.

“A maior violência que pode acontecer a uma família é a busca”, afirmou.

Depois, explicou que o momento não atinge apenas a pessoa investigada. Segundo Isaltino, toda a estrutura familiar acaba por ser afetada.

“É aí que sentimos a nossa fragilidade, a nossa inexistência coletiva. Não é só o indivíduo, é toda a família. E a família não tem culpa do resto”, confessou.

Além disso, o presidente da Câmara de Oeiras admitiu que esse episódio continuou a acompanhá-lo ao longo dos anos.

“Isso é marcante. Dá pesadelos para toda a vida”, revelou.

“Se a campainha toca às sete da manhã…”

O impacto psicológico das buscas ainda permanece, segundo o próprio. Isaltino Morais assumiu que há situações do quotidiano que continuam a despertar esse receio.

“Se a campainha toca às sete da manhã, pensa-se sempre que é a polícia”, confessou.

Perante a emoção do momento, Daniel Oliveira quis saber como o autarca recordava esse dia.

“Como é que recorda esse dia?”, perguntou o apresentador.

A resposta de Isaltino Morais foi imediata.

“Foi o pior dia da minha vida. O pior dia da minha vida.”

Prisão marcou também a família

Ao longo da conversa, Isaltino Morais falou ainda sobre o período em que esteve privado da liberdade. No entanto, garantiu que a maior dor não foi a sua.

O autarca apontou o sofrimento do filho mais novo como a parte mais difícil desse tempo.

“Eu tinha um filho com 12 anos. O meu maior sofrimento não era eu”, começou por dizer.

Depois, explicou que sempre conseguiu enfrentar momentos duros. Ainda assim, a dor dos outros foi mais difícil de suportar.

“Acho que já demonstrei que sou capaz de suportar sofrimento. O sofrimento faz parte do nosso crescimento e da nossa capacidade de resistência. Agora, eu tenho muito mais dificuldade em lidar com o sofrimento dos outros”, confessou.

As visitas do filho à prisão

Isaltino Morais recordou que o filho o visitava todas as semanas no Estabelecimento Prisional da Carregueira.

“Ele ia visitar-me todos os sábados”, contou.

Contudo, essas visitas eram emocionalmente pesadas para a criança.

“Eu sabia que para ele aquilo era insuportável. Sempre que entrava na prisão, dizia à mãe que não conseguia suportar aquilo”, recordou.

Apesar da idade, o autarca destacou a força demonstrada pelo filho naquele período.

“Era uma criança de 12 anos, mas resistiu, aguentou e foi”, afirmou.

Chamadas diárias ajudaram pai e filho

Durante o tempo em que esteve preso, Isaltino Morais mantinha contacto telefónico diário com o filho. As chamadas aconteciam às seis da tarde.

Para o autarca, esses momentos tornaram-se essenciais.

“Estimulávamo-nos um ao outro”, explicou.

O filho partilhava pequenas conquistas escolares, que acabavam por lhe dar força.

“Ele dizia-me: ‘Papá, tive 17, 18 ou 19 valores’”, recordou, emocionado.

Ainda assim, Isaltino Morais admitiu que tentava esconder a fragilidade que sentia.

“Por dentro estava completamente destruído, mas exteriorizava uma alegria enorme”, confessou.

Segundo o presidente da Câmara de Oeiras, esse contacto diário alimentava emocionalmente os dois.

“Alimentávamo-nos um ao outro. Ele alimentava-me com as conquistas dele e eu transmitia-lhe toda a minha satisfação”, explicou.

“Foi algo que o marcou para a vida”

Isaltino Morais acredita que o filho ficou marcado por tudo aquilo que viveu durante esse período.

“Não tenho dúvidas de que ele foi forjado numa resistência que o marcou para toda a vida”, afirmou.

O autarca contou ainda que o filho enfrentou diferentes reações no colégio.

“Havia colegas que o compreendiam e o acarinhavam, mas também existiam outros que olhavam para ele de lado”, revelou.

Ainda assim, explicou que o filho nunca aprofundou consigo esse sofrimento.

A frase que lhe dava força

Já perto do final deste tema, Isaltino Morais recordou uma frase que ouvia frequentemente durante as chamadas.

“Quando chegava a hora da chamada, eu ouvia: ‘Papá, tenho uma boa notícia para ti’”, contou.

Para o autarca, bastava ouvir isso para recuperar algum ânimo.

“Eu não precisava de mais conversa. Nem ele”, concluiu, emocionado.

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