Zé Amaro surpreende no ‘Alta Definição’: guarda mais de 500 cuecas oferecidas por fãs e recorda infância difícil, destacou.
Zé Amaro foi o convidado de Daniel Oliveira no Alta Definição e levou para a conversa muito mais do que histórias de música. Entre a relação com os fãs, as coleções que foi acumulando ao longo dos anos e uma infância marcada por dificuldades, o cantor mostrou vários lados de um percurso que começou muito longe dos grandes palcos.
A entrevista, gravada no Hípico de Oeiras, passou também pela imagem que se tornou inseparável do artista. Chapéu, botas e uma identidade visual muito própria fazem parte de Zé Amaro, mas o cantor garante que não existe uma personagem construída apenas para o público.
“Sinto verdadeiramente que eu sou aquele boneco, eu sou aquilo. Eu respiro isto”, afirmou.
Mais de 60 chapéus em uso e milhares ligados ao merchandising
O chapéu tornou-se uma das imagens de marca de Zé Amaro e a coleção acompanha esse estatuto. Quando Daniel Oliveira quis saber quantos tinha, a primeira resposta foi simples: “Ui, muitos”.
Depois concretizou: “Uso mais de 60, depois aquilo que juntei, juntei o merchandising, são milhares”.
Para o cantor, ver essa imagem replicada entre quem o acompanha tornou-se também uma das recompensas da carreira.
“E é um privilégio para mim subir num palco e ter as pessoas com chapéu, identificados com cinto com mota é uma coisa incrível”, confessou.
Mas os chapéus estão longe de ser a coleção mais inesperada que guarda.
Zé Amaro guarda mais de 500 cuecas oferecidas pelas fãs
Ao falar dos presentes que recebe do público, Zé Amaro revelou que faz questão de conservar praticamente tudo — incluindo peças de roupa interior.
“Tudo, tudo! Desde as mais de quinhentas cuecas de mulheres…”, contou, surpreendendo Daniel Oliveira.
O apresentador quis perceber se aquelas ofertas tinham mesmo sido guardadas ao longo dos anos. Zé Amaro não teve dúvidas.
“Tudo, tudo. A Sandra inicialmente não queria guardar, mas eu disse ‘não, temos de guardar tudo. É meu, foi-me dado’”, explicou.
A dimensão da coleção também já exige espaço próprio. O artista revelou possuir “uma caixa grande, muito grande” apenas para as cuecas que recebeu das fãs.
Daniel Oliveira aproveitou o momento para perguntar, em jeito de brincadeira, se existia também outra caixa destinada aos soutiens.
“Também, mas as cuecas são muitas mais”, respondeu Zé Amaro, entre risos.
“Andei descalço quase sempre em criança”
A descontração destes episódios contrastou com outra parte da conversa. Zé Amaro regressou à infância em Citânia de Briteiros, onde cresceu como o sétimo de dez irmãos e conheceu desde cedo uma realidade marcada pela pobreza e pelo trabalho.
“Andei descalço quase sempre em criança”, recordou.
Antes de ir para a escola, carregava lenha ao monte e cresceu sem alguns dos bens que para outras crianças faziam parte do quotidiano. Aos 13 anos começou a trabalhar numa fábrica de calçado e, apenas dois anos depois, já subia a palcos.
A música acabaria por tornar-se o caminho definitivo. Aos 30 anos, Zé Amaro decidiu apostar tudo na carreira que viria a transformar a sua vida.
Transplante devolveu-lhe a vida
O sucesso não impediu que surgisse um dos capítulos mais delicados do seu percurso. Quando a carreira já estava consolidada, um medicamento provocou graves problemas no fígado e colocou a vida do cantor em risco.
Foi necessário um transplante e um dador anónimo acabou por lhe permitir continuar.
É também essa consciência do caminho percorrido que acompanha Zé Amaro quando sobe atualmente a palco. Por detrás dos chapéus, das botas, das motas e da relação festiva com o público existe a memória de uma infância sem facilidades e de um momento em que esteve perante a possibilidade de perder tudo.
No Alta Definição, entre gargalhadas provocadas pelas coleções mais improváveis e recordações muito mais pesadas, Zé Amaro acabou por mostrar precisamente isso: a figura que o público conhece nasceu de uma história que começou muito antes do primeiro chapéu.
