João Moura Caetano fala em “tarde ingrata” após duas lides difíceis em Santarém

João Moura Caetano fala em “tarde ingrata” após duas lides difíceis em Santarém, na corrida de touros realizada na tarde de ontem.

Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador

João Moura Caetano regressou ontem a Santarém numa tarde que, pela sua própria análise, ficou marcada por um sorteio pouco favorável. Depois das duas lides, o cavaleiro assumiu as dificuldades encontradas e fez uma leitura direta do que teve pela frente.

Ainda assim, o regresso à Monumental de Santarém trouxe também uma nota positiva. O cavaleiro voltou a uma praça onde não atuava há vários anos e deixou elogios ao ambiente, às dimensões da arena e ao público.

Um primeiro toiro sem perigo, mas com pouca transmissão

Na análise à primeira lide, João Moura Caetano começou por admitir que a tarde não lhe sorriu no sorteio. O primeiro toiro, apesar da apresentação, não lhe deu a matéria esperada.

𝗡𝗮𝘀 𝘀𝘂𝗮𝘀 𝗽𝗮𝗹𝗮𝘃𝗿𝗮𝘀: “Hoje não tive muita sorte aqui, até agora, no sorteio. O primeiro toiro era um toiro muito bonito, que depois tinha pouca classe, não tinha perigo nenhum. Dava uns arranquezinhos a seguir ao ferro, dava para transmitir um bocadinho, mas no ferro sempre muito reservado e sem grande qualidade.”

Ainda assim, o cavaleiro explicou que conseguiu manter uma lide composta, dentro das possibilidades do oponente.

𝗣𝗼𝗿 𝗶𝘀𝘀𝗼, 𝗮𝗰𝗿𝗲𝘀𝗰𝗲𝗻𝘁𝗼𝘂: “Mas foi um toiro sem perigo, me permitiu andar asseado e com bom gosto.”

“Este segundo era impossível”

A avaliação tornou-se mais dura quando João Moura Caetano falou do segundo toiro. O cavaleiro gostou da apresentação do animal, mas encontrou depois uma realidade diferente em praça.

𝗦𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗲𝘀𝘀𝗲 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗻𝗱𝗼 𝘁𝗼𝗶𝗿𝗼, 𝗳𝗼𝗶 𝗰𝗹𝗮𝗿𝗼: “Este segundo era impossível. Este era um toiro muito bonito, que até gostei muito dele lá dentro. Tinha bom tipo, baixo, forte, com trapio, mas com bom tipo. Mas depois saiu e não tinha nada. E quando assim é, não podemos fazer nada, a não ser os ferros da ordem e a função da ordem.”

Apesar das limitações, João Moura Caetano ainda conseguiu cumprir a lide regulamentar. No entanto, reconheceu que chegou a duvidar dessa possibilidade.

𝗢 𝗰𝗮𝘃𝗮𝗹𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗲𝘅𝗽𝗹𝗶𝗰𝗼𝘂: “Ainda consegui pôr 4 ferros curtos, que houve uma altura que não sabia se seria possível, porque ele estava completamente rachado e sem querer marrar. Para os forcados foi igual, também não fez nada. Não quis colaborar.”

Depois, resumiu a tarde sem rodeios.

𝗝𝗼ã𝗼 𝗠𝗼𝘂𝗿𝗮 𝗖𝗮𝗲𝘁𝗮𝗻𝗼 𝗮𝘀𝘀𝘂𝗺𝗶𝘂: “É o que há, é o que me saiu e temos que tourear o que sai. Foi uma tarde ingrata em termos de sorteio, que eu fiz o que pude.

O regresso a Santarém após vários anos

Apesar das dificuldades nas lides, o regresso a Santarém teve peso emocional. João Moura Caetano recordou que já não atuava naquela praça há cerca de oito ou nove anos.

𝗤𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼 𝗮𝗼 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀𝗼, 𝗮𝗳𝗶𝗿𝗺𝗼𝘂: “Sim, estive à volta de 8 anos ou 9. Tive aqui uma grande atuação com um toiro da ganadaria da minha mãe, a última vez. É uma praça que gostamos muito de vir, que é uma praça com umas dimensões ótimas, com um público ótimo e está um ambiente ótimo.

E, mesmo numa tarde menos feliz em termos de sorteio, deixou uma frase de reconhecimento.

𝗢 𝗰𝗮𝘃𝗮𝗹𝗲𝗶𝗿𝗼 𝘀𝘂𝗯𝗹𝗶𝗻𝗵𝗼𝘂: “É sempre um grande prazer estar presente.”

Quadra preparada para uma temporada preenchida

João Moura Caetano falou ainda da sua quadra para esta temporada. O cavaleiro destacou a entrada de vários cavalos novos e apontou o nome de Ouro Branco como uma das novidades a seguir.

𝗦𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗮 𝗾𝘂𝗮𝗱𝗿𝗮, 𝗿𝗲𝘃𝗲𝗹𝗼𝘂: “Há vários cavalos novos, há um que é o Ouro Branco, que acho que vai ser um cavalo muito bom, que toureei só duas corridas ainda com ele. A temporada está muito preenchida, vamos tourear muitas corridas, se tudo correr bem. E acho que a quadra está ao nível para aguentar essa pressão toda.”

Assim, Santarém marcou um regresso com sabor misto para João Moura Caetano. A praça, o público e o ambiente corresponderam. Já os toiros, segundo o cavaleiro, deixaram pouco espaço para mais.

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