João Pedro Pais: “Acho que o amor é aquilo que ficará. Depois de tudo, é o que fica”

João Pedro Pais: “Acho que o amor é aquilo que ficará. Depois de tudo, é o que fica”, considerou o artista, em entrevista.

À margem da apresentação do Festival Montepio às vezes o amor, João Pedro Pais concedeu uma entrevista ao Infocul.pt.

Nesse sentido, começou por abordar o concerto de dia 31 de Janeiro, no Salão Preto e Prata no Casino Estoril.

Vou apresentar um novo single do novo álbum, vou cantar outras canções que não costumo cantar nos espectáculos ao vivo. Os espectáculos ao vivo duram 1h30/1h45 e apresentamos os singles todos, porque as pessoas querem-nas ouvir todas, temos 12 ou 13 músicas conhecidas. No casino Estoril eu acho que dá para fazer outras coisas, porque o espaço é outro, o público é outro“, destacou.

Seguidamente, revelou que sairá novo disco este ano: “Não tenho a certeza de quando sairá, se no primeiro ou segundo semestre. Mas sairá este ano, sim“.

Nesse sentido, o artista actuará dia 14 de Fevereiro no Cineteatro de Amarante e no dia 15 de Fevereiro no Auditório Municipal do Peso da Régua.

Assim, questionámos sobre como é actuar num festival dedicado ao amor e no facto dele raramente expor as suas emoções – excepção feita através das canções.

João Pedro Pais e a forma intimista de viver o amor

Não, sabes porquê? Porque uma pessoa quando se exprime publicamente, às vezes faz figuras. É verdade. Eu acho que essas figuras são muito intimistas, acho que as pessoas têm de se reservar mais. O amor, seja entre quem for, deve ser uma coisa muito de intimidade e quando vais expressar-te publicamente, há sempre alguém que diz “epá, fica-te mal isso”. Eu fui sempre de me resguardar, para não fazer as figuras que alguns fazem. Mas é legítimo, o amor é o que nos une e movimenta“, afirmou.

Porém, ressalvou a importância do amor: “Acho que o amor é aquilo que ficará. Depois de tudo, é o que fica“.

Seguidamente, questionámos se aquando do primeiro single da carreira, imagina ter todo este sucesso.

Eu acho que ter sucesso em Portugal é fácil. O que não é fácil é estarmos cá muitos anos, porque já não somos novidade. Aí já é muito difícil, porque o público já nos ouviu, já nos escutou, temos de estar sempre a reinventarmo-nos para manter o público. Agora, ter sucesso num single, em dois ou três, quando se começa, é fácil, porque é novidade. Mas ao fim de 20 e tal anos, continuar a ter o público que esteve contigo no primeiro concerto, nem sempre isso se consegue“, afirmou.

Porém, destacámos que ele tem.

Tenho, mas provavelmente também perdi algum e fui ganhando outro. Vou dar-te um exemplo, que quando era mais novo não tinha maturidade para ouvir Pearl Jam, eu lembro-me que quando eles apareceram em 1992, eu não gostava, não apreciava, não tinha maturidade. E hoje gosto e dizem-me muito. Estás a ver como as coisas mudam? Nos anos 80 já ouvia José Mário Branco. O que é interessante nisto é que eu nunca pensei fazer um dueto com o José Mário Branco, com o Jorge Palma, e fiz, no projecto com a Mafalda Veiga. Era eu, o José Mário Branco, o Palma…“, assinalou.

João Pedro Pais: “Escrever como o Sérgio Godinho ou o Jorge Palma tem de se viver duas vidas”

Nesse sentido, contou-nos algo que ocorreu recentemente.

Ainda no outro dia, com o Sérgio Godinho, saí com ele, fomos até uma casa de fado, à Casa de Linhares, ouvir a Fábia Rebordão e o Jorge Fernando, e eu disse-lhe que ele é o maior. Na actualidade, dos cantautores vivos, ele é o maior. Escreve de uma maneira que não consegues igualar. Tem a ver com a maturidade, a experiência, a vida que ele teve com o ano em que nasceu. Um jovem não pode ter uma história como o Sérgio Godinho tem, porque nasceu há pouco tempo. Não passou pelo 25 de Abril, o pós e o antes. Eu disse ao Sérgio, “não há ninguém em Portugal a escrever assim”. É muito difícil, porque escrever como o Sérgio Godinho ou o Jorge Palma tem de se viver duas vidas. Tal como o Rui Reininho é diferente, é outro colosso. O Pedro Abrunhosa noutra vertente. Há pessoas que são poetas. Eu não sou poeta, escrevo as minhas coisas de forma muito simples, depois há pessoas que se identificam“, explicou.

Por fim, questionámos se ainda teríamos João Pedro Pais a cantar por muitos mais anos.

Se os outros cá estão, eu também vou estar“, rematou.

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