José Cid defende “zero” para Israel na Eurovisão e apoia Portugal: “A nossa canção é extremamente honesta”, disse.
José Cid foi um dos convidados da edição da noite da SIC Notícias, onde comentou a polémica em torno da participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção.
O músico, que integra o grupo de mais de trezentos artistas portugueses que assinaram um manifesto contra a presença de Israel no concurso, defendeu uma resposta dura através das votações.
José Cid defende sanção através dos votos
Durante a entrevista, José Cid rejeitou a ideia de uma resposta simbólica e sugeriu uma medida mais direta dentro do próprio festival.
“Não, eu tenho outra ideia ainda, que seria ainda mais punitiva para Israel, que era todos os países da Europa juntarem-se e darem zero, logo no primeiro dia que eles entrassem, para dar a entender aos cantores que representam Israel e que não estão ali impunemente. Quando se representa um país, representa-se também uma ideia democrática e cultural desse próprio país. Os israelitas iam ter a noção que representando o sistema israelita estariam automaticamente a apoiar um sistema que tem sido criminoso, com milhares de crianças assassinadas, crianças assassinadas, ataques a famílias indefesas, tudo isso”.
Assim, o compositor considera que a votação poderia funcionar como uma forma de protesto coletivo.
“Há dois pesos e duas medidas”
Depois, José Cid recordou a ausência da Rússia no Festival Eurovisão da Canção, na sequência da invasão da Ucrânia.
O músico criticou a organização e afirmou ver um tratamento diferente entre países.
“Há dois pesos e duas medidas, nitidamente, e a Rússia sente na pele a ausência da Eurovisão, embora a Eurovisão, neste momento, tenha perdido um pouco a força que teve nos anos em que eu participei”.
Ainda assim, o artista reforçou que os países que não respeitam direitos humanos deviam ficar fora do concurso.
“Então, particularmente com países que não respeitam os direitos humanos, esses países deveriam ser eliminadamente eliminados da Eurovisão, mas, estando lá, é dar-lhes zero”.
“Tudo o que nós fazemos é político”
Questionado sobre a neutralidade da Eurovisão, José Cid foi claro.
Para o cantor, música e política não vivem separadas, mesmo quando a mensagem surge através da arte.
“Não. Tudo o que nós fazemos é político. Quando se canta uma canção e quando se escreve uma canção estamos a ser políticos, estamos a tomar uma posição poética, estética, há muita coisa em que nós tomamos as posições”.
Elogios aos Bandidos do Cante
Apesar das críticas à presença de Israel, José Cid deixou palavras de apoio à representação portuguesa.
Os Bandidos do Cante levam o tema “Rosa” ao palco da Eurovisão, este ano em Viena, na Áustria.
“A nossa canção portuguesa, parabéns, parabéns, parabéns. É old music, é música do mundo, é extremamente honesta, os nossos representantes cantam muito bem, a canção tem a ver com o nosso povo, tem a ver com aquilo que é o canto profundo do nosso alentejo e do nosso sul e, portanto, é nossa”.
A primeira semifinal está marcada para esta terça-feira, às 20h00, com transmissão em direto na RTP1. Portugal será o quinto país a atuar.
“A melhor solução é a humilhação”
José Cid defendeu ainda que Portugal fez bem em não boicotar a edição.
No entanto, insistiu que a resposta mais forte contra Israel deveria surgir nos votos.
“O boicote pode não ser a melhor solução. A melhor solução é a humilhação. E o zero seria, total, a melhor humilhação, é a minha opinião”.
Sobre a presença da comitiva portuguesa no festival, o músico mostrou compreensão.
“Não seguiu porque os miúdos que lá vão são pessoas conscientes, têm direito a fazer a sua vida. É a vida deles, é uma oportunidade que eles têm. São muito jovens”.
Ainda assim, garantiu que, caso estivesse no evento, manteria distância dos representantes israelitas.
“Se estivesse lá, fazia. Se estivesse lá, fazia. Por exemplo, não falaria nunca aos representantes de Israel, mas aceito que há pessoas em Israel que têm outra opinião sobre o que está a passar no mundo”.
José Cid deixa críticas a Trump e Putin
Na reta final da entrevista, José Cid também deixou observações duras sobre líderes mundiais.
O músico apontou diretamente a Donald Trump e Vladimir Putin.
“O que eu não ia almoçar é nunca com o Trump. Mesmo que ele pagasse milhões, não ia almoçar com o Trump. Detesto o personagem. Acho-lhe um palhaço. Aquilo que ele diz hoje é mentira amanhã e vice-versa. Aliás, como Putin”.
Por fim, desejou sucesso à representação portuguesa.
“Desejo à nossa representação a melhor classificação. Uma classificação igual à do Salvador Sobral. Uma representação fabulosa”.
Portugal longe dos favoritos
Nesta primeira semifinal, atuam 15 países. A segunda semifinal realiza-se na quinta-feira e a final está marcada para sábado.
Segundo as casas de apostas citadas no texto, Portugal ocupa o 11.º lugar entre os 15 países da primeira semifinal. Há uma semana estava em 12.º.
Ainda assim, os Bandidos do Cante surgem com 47% de hipóteses de apuramento para a final.
Na corrida à vitória da Eurovisão, Portugal aparece em 33.º lugar entre 35 países. Há uma semana estava em 31.º.
Por outro lado, o tema “Liekinheitin”, dos finlandeses Linda Lampenius & Pete Parkkonen, surge em primeiro lugar. Seguem-se “Ferto”, do grego Akylas, e “Før vi går hjem”, do dinamarquês Søren Torpegaard Lund.


