Julgamento de Nuno Homem de Sá: Tânia Laranjo critica estratégia de defesa e rejeita “contextualização” da violência doméstica, disse.
Segunda sessão do processo decorre esta terça-feira
A segunda sessão do julgamento de Nuno Homem de Sá realiza-se esta terça-feira, no âmbito do processo de alegada violência doméstica movido por Frederica Lima.
O caso foi analisado na emissão da manhã da CMTV, onde a jornalista Tânia Laranjo comentou a postura do arguido e as declarações recentes da defesa.
Silêncio em tribunal, declarações cá fora
Durante o debate, foi destacado o facto de o ator ter optado pelo silêncio na sala de audiências. Contudo, no exterior, classificou as acusações como falsas e pediu que o julgamento decorresse à porta aberta.
Para Tânia Laranjo, essa atitude não é inocente.
“É uma estratégia, é claramente uma estratégia, ele vai ver qual é a prova que é produzida e decidirá falar se o julgamento lhe estiver a correr mal ou remeter-se ao silêncio. Aliás, ele chega mesmo a dizer que é mentira, que todas as acusações são mentirosas, pondo uma pressão no primeiro interrogatório”.
Segundo a jornalista, trata-se de uma manobra pensada para avaliar o rumo do processo antes de tomar posição definitiva em tribunal.
Processo à porta fechada
Entretanto, o pedido para abrir o julgamento ao público foi rejeitado. A comentadora sublinhou a importância de proteger a alegada vítima durante o depoimento.
Além disso, recordou que o ambiente em tribunal é, por si só, intenso.
“Isso já é de facto um momento muito violento. E aqui neste processo temos de facto também muitas situações, muitos relatos de alegados abusos sexuais, que obviamente, também por isso, este processo tem de ser à porta fechada”.
Assim, defendeu que o encerramento das portas é justificado pela natureza sensível das acusações.
“A violência doméstica nunca pode ter contexto”
As declarações do advogado de defesa, Alexandre Guerreiro, também foram alvo de críticas. O jurista tentou enquadrar áudios de discussões tornados públicos, remetendo-os para determinado contexto.
Tânia Laranjo rejeitou essa leitura.
“Eu acho que a violência doméstica nunca pode ter contexto. Contextualizar agressões e insultos, e o que nós ouvimos aqui foram insultos graves que aumentavam, coisas que partiam, momentos de violência extrema, não há contexto para a violência. Quando nós contextualizamos, depois temos como tivemos o ano 2025 o mais mortal de vítimas de violência doméstica”.
A jornalista defendeu que os advogados devem assumir uma responsabilidade pública na prevenção deste tipo de crime.
Comparação com outro processo mediático
Para reforçar o argumento, Tânia Laranjo recordou o caso do ator Carloto Cotta, elogiando a postura do advogado Rui Patrício.
“Nunca vimos Rui Patrício a contextualizar a violência doméstica, nem os ataques de um homem para uma mulher. O que disse é que o seu cliente estava inocente, mas não opinou sobre nem a violência doméstica, nem os abusos sexuais”.
Desta forma, o julgamento de Nuno Homem de Sá continua a gerar forte debate mediático. Entre estratégias de defesa e críticas públicas, o processo mantém-se sob escrutínio atento.
