Luís Montenegro apela à “mentalidade vencedora” no discurso de Natal e pede responsabilidade à oposição, na noite de ontem.
No discurso de Natal ao país, Luís Montenegro deixou um apelo claro à mudança de atitude coletiva.
O chefe do Governo defendeu que Portugal deve abandonar a lógica do conformismo e apostar na superação.
“Desprender da mentalidade do deixar andar”
Antes de mais, Luís Montenegro sublinhou que os portugueses precisam de mudar a forma como encaram o futuro.
Segundo o primeiro-ministro, o país vive uma boa circunstância, mas corre riscos.
Os cidadãos devem, afirmou, “desprender da mentalidade do deixar andar” e “adquirir e trabalhar a mentalidade da superação”.
Para ilustrar essa visão, recorreu a exemplos de sucesso amplamente reconhecidos.
Cristiano Ronaldo como metáfora de excelência
De seguida, Montenegro evocou Cristiano Ronaldo como símbolo dessa atitude vencedora.
Para o primeiro-ministro, o país encontra-se num verdadeiro ponto de viragem.
“Ou nos contentamos com esta circunstância em que estamos bem, mas sabemos que se nos mantivermos assim a médio prazo, vamos perder face à evolução dos outros.”
Ou, acrescentou:
“Ou tratamos já de garantir a nossa própria evolução para continuarmos a crescer mais do que os outros no futuro.”
Essa escolha foi resumida numa metáfora desportiva.
“É a diferença entre jogar para empatar ou ter a mentalidade vencedora de jogar sempre para ganhar.”
Um “momento histórico” que exige mudança
Além disso, o primeiro-ministro afirmou que Portugal atravessa um “momento histórico”.
Esse contexto, defendeu, exige uma alteração profunda na atitude coletiva.
“Temos que adquirir a mentalidade de irmos mais longe, de nos afirmarmos pela excelência (…) a mentalidade de Cristiano Ronaldo.”
Segundo Montenegro, talento não falta aos portugueses.
“Os portugueses têm talento em várias áreas de atividade, vão pelo mundo e têm desempenhos extraordinários.”
A obrigação do país, disse, é criar condições para que essa excelência se afirme internamente.
Crescimento económico como base do progresso social
Por outro lado, o discurso ligou diretamente crescimento económico e justiça social.
Luís Montenegro foi claro quanto às prioridades do Executivo.
“É para isso que governo e é para isso que estou aqui.”
Criar riqueza, afirmou, é essencial para projetos de vida mais felizes.
“Criar riqueza é o melhor caminho para combater a pobreza.”
Um país em crescimento, acrescentou, “pode subir os salários, pode subir as pensões” e “pode apoiar a compra de medicamentos de quem mais precisa”.
Mais crescimento, mais coesão e segurança
Montenegro defendeu ainda que o crescimento económico fortalece o Estado em várias dimensões.
Entre elas, destacou a proteção do património e das riquezas naturais.
Um país mais forte, disse, consegue garantir “coesão”, “justiça”, “mobilidade”, bem como “a segurança e a defesa do seu território e das suas infraestruturas essenciais e críticas”.
Apelo final à oposição e à responsabilidade coletiva
Por fim, o primeiro-ministro deixou um recado direto à oposição.
Antecipando um período sem eleições nacionais, pediu sentido de responsabilidade.
“Não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante.”
Luís Montenegro sublinhou que os próximos anos devem ser usados para construir um futuro melhor.
“Agora que vamos ter cerca de três anos e meio sem eleições nacionais, é a altura de todos nos focarmos em cumprir a nossa responsabilidade.”
A mensagem terminou com um aviso claro.
“As coisas não caem do céu.”
