Luís Osório lança apelo por Vítor de Sousa

Luís Osório lança apelo por Vítor de Sousa através da sua habitual rubrica Postal do Dia, desta feita dedicada ao actor.

A preocupação com o estado de saúde mental do ator Vítor de Sousa, de 78 anos, tem vindo a aumentar nas últimas semanas. A revelação foi feita por Simone de Oliveira, que alertou que o artista está “fechado em casa, com uma depressão”. O desabafo, que já causou grande comoção, reacendeu o debate sobre o isolamento na terceira idade e a fragilidade emocional de quem dedicou uma vida à arte.

Mais recentemente, foi o jornalista e escritor Luís Osório quem lhe dedicou palavras sentidas na rubrica “Postal do Dia”, da RDP Antena 1. Num texto emocional, dirigido diretamente ao ator, Osório não escondeu a angústia:
“Querido Vítor de Sousa, não há nada que se possa fazer, só tu poderás sair da absoluta tristeza, da absoluta escuridão, do absoluto sofrimento em que estás…”

De forma tocante, o jornalista lembrou que os amigos do ator têm feito esforços para lhe demonstrar apoio. No entanto, teme que isso não seja suficiente:
“Os teus amigos alertaram publicamente para a necessidade de te batermos à porta, de te dizermos que és especial, único. Receio que isso não seja suficiente.”

Apesar de consciente da limitação das palavras, Osório fez questão de se fazer ouvir:
“Estou a tocar à campainha sabendo que não tenho nada de substancial para te dizer. Já escrevi tantas vezes sobre a depressão, sei o que é estar aprisionado num buraco em que qualquer movimento nos faz rapidamente regressar à cama.”

Além disso, o jornalista evocou memórias familiares, recordando o pai, José Manuel Osório, falecido em 2011, que era amigo íntimo de Vítor de Sousa.
“O meu pai, e teu amigo, dizia-me sempre que eras um príncipe. Um tipo diferente dos outros. Um bom companheiro de trabalho, um bom amigo, uma pessoa com muitas camadas, interesses, livros, fragilidades, utopias.”

Importa destacar que José Manuel Osório foi uma figura marcante no fado e na investigação cultural portuguesa, sendo também o mais antigo doente de SIDA em Portugal, o que atribui uma camada extra de humanidade e resiliência ao testemunho do filho.

Mais à frente, Luís Osório descreve Vítor de Sousa como alguém “com uma tristeza que se pressentia, uma nuvem permanente”, mas deixa um apelo comovente:
“Sinto até a obrigação de te recordar que és um príncipe. Diferente da maioria. Distinto. Bonito. Talentoso. Um senhor.”

Por fim, num gesto de proximidade, termina com um convite:
“Vem, vamos almoçar.”

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