Maiara & Maraísa: “São muito educados os fãs portugueses”, assinalaram, destacando a crescente ligação.
A dupla brasileira Maiara & Maraisa actua hoje, 7 de fevereiro, no Campo Pequeno, em Lisboa. Ontem, foi a vez do Porto receber a dupla brasileira.
Assim, hoje regressam a uma sala na qual já gravaram um DVD. Agora, garantem um espectáculo diferente, com outra estrutura e um alinhamento pensado para a energia das grandes festas no Brasil.
Um espectáculo diferente do “In Concert”
Antes de mais, as cantoras explicam que o concerto de Lisboa não segue o molde do projecto anterior. “Vai ser o nosso show, que a gente costuma fazer no Brasil, que a galera aqui conhece muito o In concert, quando a gente gravou o In concert, depois a gente veio para o in concert. Agora, a gente veio com a formação dos shows que a gente faz no Brasil.”
Além disso, confirmam que o palco e a produção chegam com o mesmo nível de exigência usado no seu país. “Sim, toda a logística do palco e também de repertório, porque o repertório do in concert é um repertório, digamos, mais apurado.”
Por outro lado, desta vez a aposta vai para uma faceta mais popular e transversal. “O repertório que a gente faz no Brasil, que a gente faz nas festas.”
Ainda assim, a ideia é clara. “Em todas as regiões, é o nosso trabalho mais popular. O show vai ser o show mais popular.”
O público português e a ligação fora do palco
Entretanto, Mayara & Maraisa descrevem um contacto próximo com os fãs em Portugal nos concertos cá, que contam também com muitos brasileiros. “Sim, mas a maioria são portugueses mesmo. E eu acho incrível o amor e o carinho que eles têm. Desde a hora que a gente chega no aeroporto, é um carinho imenso.”
Depois, explicam que esse carinho se sente em qualquer contexto. “Onde a gente vai, a gente está marcando. A gente está em um restaurante, eles vão até o restaurante para tirar foto. Vão na livraria, querem saber da rotina, querem informações, querem estar perto.”
Além disso, atribuem essa intensidade ao tempo que passam sem vir ao país. “Porque eu acredito que, como a gente fica muito tempo sem vir, esse carinho também, não só o carinho de estar ali no palco, mas o afeto de estar perto também.”
Por conseguinte, a ligação já tem dimensão pessoal. “É bom para mim também, porque eu fico apaixonada cada vez mais. Quando eu já fiz amigos aqui, até, né?”
Ainda assim, resumem o sentimento de forma directa. “Fãs, amigos, trocando afecto. É um carinho imenso mesmo. Então, eu já sinto que é uma casa da maior de Maiara & Maraísa também.”
Músicas que cruzaram o Atlântico
Entretanto, as cantoras lembram que gravaram em Portugal um projecto com impacto no Brasil. “E sobre, em relação às músicas, nós tivemos a felicidade de gravar o In Concert aqui, com músicas inéditas sendo gravadas aqui, e que se tornaram sucesso lá no Brasil.”
Além disso, sublinham que vivem “os dois lados” dessa troca. “Então, a gente já viveu os dois lados da moeda. As músicas que a gente gravou lá, toco aqui, e o que gravou aqui também foi sucesso lá.”
Por outro lado, apontam razões culturais para a conexão. “Então, a gente viveu uma conexão, talvez, muito grande, né? Acho que pelo facto, claro, da língua, da língua ajudar muito, mas também pelo fato da cultura.”
E acrescentam: “A nossa cultura é muito parecida. É, dos portugueses e dos brasileiros.”
Ainda assim, destacam um detalhe curioso sobre o público em Portugal. “As mulheres, né? A gente tem um fã clube de mulheres muito grande aqui, muito engraçado.”
A “saudade” e a brincadeira com as fãs portuguesas
Por conseguinte, surge a música recente e a reação das fãs. “A gente gravou um DVD final do ano passado, dia 4 de dezembro, e a música que a gente lançou chama Quem Sente Saudade Sou Eu.”
Depois, contam o que ouviram do lado português. “E aí, rolou até uma brincadeira. As meninas falaram assim, as nossas fãs portuguesas falaram assim, “Oh, nós que sentimos saudade de vocês, quem sente saudade é a gente, né?”
Além disso, o momento foi tão marcante que virou versão cantada. “E elas cantaram até uma versão pra mim, falando quem sente saudade são as portuguesas. Eu falei, nossa!”
E a dupla reconhece a força da palavra. “É uma palavra muito portuguesa, saudade.”
Por outro lado, a reação no Brasil também apareceu. “E aí elas falaram isso, né? E aí as fãs do Brasil ficaram assim, como assim?”
E a resposta veio sem hesitação. “Eu falei assim, não, elas sentem sim.”
Ainda assim, Mayara & Maraisa insistem na diferença de proximidade entre países. “Estou atendendo sim, porque elas ficam o ano inteiro sem receber a gente.”
E rematam com contraste. “Vocês vão toda hora no show, vocês estão toda hora no hotel, estão toda hora no aeroporto. Estou atendendo todo mundo sim.”
Fãs, vida privada e educação no contacto
Entretanto, sobre abordagens em restaurantes ou espaços públicos, a dupla afasta incómodo. “Claro que não. E aqui as pessoas são muito educadas.”
Além disso, descrevem uma regra de bom senso sentida no terreno. “Eu entrei na livraria, fiquei pesquisando os livros e tal, e somente na hora que eu estava ali, na saída, que elas me abordaram.”
E concluem: “São muito educados os fãs portugueses. A gente só tem que agradecer.”
Campo Pequeno: “para mim é muito grande”
A seguir, o tema passa para a sala do concerto. “Ah, é maravilhoso. Eu não falo que é Campo Pequeno, para mim é muito grande.”
E reforçam, com humor. “É campo muito grande. É um campo muito grande. É das maiores salas de Lisboa.”
Por conseguinte, a expectativa é elevada e centrada na entrega. “Olha, a minha expectativa mesmo é poder dar o meu melhor. Estou esperando entregar o meu melhor.”
Além disso, explicam a pressão que colocam em si próprias. “A responsabilidade é toda minha. Estou aqui já conversando com você, pensando que a minha voz tem de estar linda, tem de estar com tudo perfeito, a musicalidade, a sonoridade.”
E reforçam o compromisso. “É disso que estou pensando, que a nossa entrega tem de ser maior.”
Por outro lado, o carinho recebido aumenta a exigência interna. “Porque só de a gente estar aqui recebendo o carinho que a gente já recebeu até agora, de todos, já assim a gente vai ter que pôr à altura.”
Cuidados com a voz e adaptação ao clima
Entretanto, as artistas explicam por que chegaram antes a Portugal. “Porque uma das coisas que a gente se preocupou foi chegar antes para adaptar o clima.”
E detalham o objectivo. “Para poder descansar, para poder… Adaptar o horário. Horário, jet lag.”
Além disso, sublinham o efeito do desgaste da viagem. “Na viagem, você pega um avião e chega aqui um pouco cansado. Então, para não ficar em cima, para não chegar muito cansada no show.”
Por conseguinte, a decisão foi estratégica. “Mas chegamos uns dias antes mesmo para adaptar o corpo. Já senti como estaria a temperatura para já pensar como estar no dia, para já estar com a voz mais colocada.”
Ainda assim, elogiam a gastronomia. “E a comida é maravilhosa, é claro.”
Depois, entram nos cuidados técnicos e clínicos. “A gente tem vários cuidados com a voz. A gente usa alguns aparelhos.”
E acrescentam, com um detalhe. “Inclusive, estou levando um daqui também. Comprei.”
A seguir, descrevem um equipamento. “Faz aquecimento da voz”
Além disso, referem outros apoios. “Um laser que ajuda.”
E continuam: “Fonoaudiólogos, que a gente tem acompanhamento fonoaudiólogo.”
Por outro lado, falam de exames regulares antes e depois de grandes ciclos. “Uma coisa que a gente sempre procura fazer também são os exames.”
E explicam o método. “Quando a gente vai começar uma grande turnê, tipo em janeiro, eu já fiz meus exames, ver se está tudo ok.”
Depois, confirmam repetição. “Então, terminou ali, terminou a turnê, a gente faz de novo para ver se terminou tudo ok.”
Ainda assim, há hábitos de bastidores. “A gente já tomou um vinho, é só um vinho hoje, vamos tomar um vinho, assim, bem de leve.”
Além disso, surgem notas sobre recuperação física. “Inclusive, descobri também que o gelo é uma crioterapia muito boa para você também, para a recuperação. Depois do show.”
E deixam um aviso importante. “Mas, por favor, procure um fonoaudiólogo”
Amor nas letras e a “magia” de ver músicas virarem vida
Em seguida, a dupla entra no tema recorrente do repertório: o amor. “Essa é a grande magia da música, é isso, não é? A gente contar a história e acho que o processo para o cantor é totalmente diferente, ainda mais para nós que somos compositoras.”
Por outro lado, admitem surpresa com a recepção de algumas canções. “É sempre uma surpresa, não é?”
E dão um exemplo concreto. “Claro que quando a gente está fazendo ali, por exemplo, um tema que já é mais difícil, como o Narcisista, que foi gravada aqui, que a gente sempre tem aquele negócio, não sei se o tema é difícil, mas será que o pessoal vai entender?”
Ainda assim, o resultado foi forte. “Então, no final das contas, acabou sendo uma das músicas mais escutadas do nosso repertório, uma das mais ouvidas, uma das mais pedidas no show.”
Além disso, apontam a exigência do público. “E eu falo com o público, eles gostam de material bom.”
E detalham a aposta artística. “Você falando de temas bons, com letras elaboradas, que é o que a gente faz, letras elaboradas, também arranjos elaborados.”
Depois, surge uma leitura mais pessoal da inspiração. “Eu acredito, eu sou muito fantasiosa com as coisas, eu acho que quando eu sinto o amor, eu vivo o amor, eu sou o amor o tempo todo.”
E acrescentam: “Então, isso transfere nas minhas músicas e as pessoas que vivem de amor acabam captando isso de alguma forma.”
Novo DVD e canções ainda por lançar
Entretanto, Maiara & Maraisa antecipam novidades do trabalho mais recente. “O nosso novo DVD tem umas cinco faixas que são composições nossas e eu estava ouvindo agora, em primeira mão.”
Além disso, descrevem um momento de bastidor. “Eu estava no carro berrando antes de chegar aqui cantando, porque são músicas maravilhosas e que realmente refletem a minha verdade e não sei por que as pessoas se identificam.”
E resumem a intensidade. “É uma coisa visceral mesmo, né?”
Depois, acrescentam a imagem do palco. “A gente vê as mulheres na frente do palco, na grade, apontando o dedo.”
E concluem: “Então, é um negócio que vem de dentro mesmo.”
Portugal como inspiração: fado e Fernando Pessoa
Por outro lado, a dupla admite curiosidade sobre o fado ao vivo. “Olha, eu ainda não… Falei ainda hoje, né? Que eu queria escutar, queria ter a oportunidade de escutar o Fado ao vivo.”
Além disso, pedem sugestões e mostram vontade de mergulhar mais na cultura. “A gente está procurando o lugar, inclusive. Estamos aceitando dicas, porque eu acho que conversa muito com o que a gente faz, sabe?”
E assumem pesquisa pendente. “Mas ainda tenho que pesquisar mais, me envolver mais. Acho que vai dar um match muito bom.”
Entretanto, surge Fernando Pessoa como referência de leitura. “Eu gosto de ler bastante, principalmente o Fernando Pessoa.”
E justificam: “Eu gosto de ler, porque eu acho extremamente visceral.”
Depois, explicam como isso entra na escrita. “E, na hora em que vou escrever, tem algumas coisas que… Não é roubo, mas é inspiração, porque eu acho incrível.”
E reforçam: “O Fernando Pessoa é maravilhoso.”
Criatividade: vinho, livros e uma noite até às 7h30
Além disso, Maiara & Maraisa descrevem como as canções podem nascer sem planeamento. “Ora, vou-te falar um negócio que não tem regra.”
Depois, contam uma experiência vivida já em Portugal. “Eu fui na biblioteca, peguei os livros, comprei os livros que eu me identifiquei.”
E seguem: “Havia um decanter de vinho do porto ali do lado e comecei a ler e tomar um vinho.”
Por conseguinte, a noite estendeu-se. “Era para me dormir, mas eu fui até umas sete e meia da manhã lendo e escrevendo.”
E ainda entram playlists no processo. “Ele [um amigo] me mandou uma playlist e eu fui ouvindo a playlist e, de repente, fui escrevendo.”
Além disso, deixam a possibilidade no ar. “E, quem sabe, não vai sair uma música daqui de Portugal, olha só, daquela noite mágica.”
E concluem: “Eu acredito que a música acontece fluida na hora que tem que ser.”
Sucesso, equilíbrio e saúde mental
Por outro lado, a dupla fala sem rodeios sobre o que ajuda a gerir o sucesso. “Eu vou dar uma resposta bem básica. Um bom psiquiatra, uma boa psicóloga. Desculpa.”
E reforçam: “Tenho que cuidar.”
Além disso, rejeitam a ideia de invulnerabilidade. “Não tem nem uma super-heroína aqui. Não tem. Não tem ninguém…”
Depois, explicam o que sustenta o projecto ao longo do tempo. “Tem muito de continuidade, de fé, de amar o que faz.”
E sublinham a ligação ao palco. “A gente ama demais o palco, a gente ama demais gravar.”
Por conseguinte, admitem até “vício” de adrenalina. “A gente é viciado nessa adrenalina que causa ali uma hora da manhã nos picos de uma hora da manhã a três horas da manhã quando a gente entra nos eventos.”
E repetem: “A gente é viciada nessa sensação.”
Ainda assim, insistem no equilíbrio. “Mas, é claro, tem que ter equilíbrio. Tem que ter equilíbrio.”
Lançamento de EP com hora marcada
Entretanto, a dupla confirmou novidades para já. “A gente vai lançar o “Melhor do que imaginei” [saiu na noite de quinta-feira] que a gente gravou dia 4 de dezembro, do qual lançámos só uma música, que é Quem Sente Saudade Sou Eu.”
Um sonho antigo ligado ao Campo Pequeno
Por fim, as cantoras regressam ao simbolismo do Campo Pequeno. “Nós temos uma história legal com o Campo Pequeno.”
E explicam porquê. “Na primeira vez que a gente veio fazer uma turnê, eu tentei visitar o local e não deixaram a gente entrar.”
Além disso, a memória ficou marcada. “Eu olhei para aquele lugar e falei cara, que lugar maravilhoso! Um dia eu vou gravar aqui, um dia iremos gravar aqui.”
Depois, quando surgiu a hipótese de gravar em Portugal, a escolha foi imediata. “Mas, quando recebi o vídeo do Campo Pequeno, falei, é possível isso, gente? Não tenho nem dúvida, é para ser lá.”
E resumem a realização. “Foi um sonho de anos para mim.”
E acrescentam o lado espiritual. “Se realizar num desejo que eu pedi para Deus, vou voltar aqui para gravar um DVD.”
E fecham com a imagem do tempo. “Anos depois, me entregou. Caiu no meu colo, caiu no nosso colo.”
Ideia lançada: festival de mulheres em Portugal
Finalmente, Maiara & Maraisa deixam uma ideia em aberto para o futuro. “A gente estava vislumbrando fazer um evento onde pudéssemos trazer outras cantoras junto conosco e fazer um festival de mulheres.”
Depois, enumeram nomes e ampliam o conceito. “Por exemplo, Maiara & Maraísa, Anitta, Simone Mendes.”
E acrescentam: “Algumas artistas aqui também.”
E continuam: “Ana Castela.”
Por fim, explicam o sonho. “Eu já pensei em fazer essa turma toda reunida fazendo uma festa bem maravilhosa do jeito que os portugueses gostam e que os brasileiros também gostam.”
E assumem que é uma ideia lançada ao universo. “Não tenho a data, mas a gente está conversando agora. Estou jogando no ar. Dizem que a gente tem que jogar no ar as coisas para ver se vem.”
A dupla actua hoje, 7 de fevereiro, no Campo Pequeno, com promessa de um espectáculo mais popular e com produção completa. E, pelo que disseram, Lisboa vai assistir a uma noite pensada para “entrega” total.

