Manuel João Vieira recorda confronto com crítico: «Eu era um bocado bruto», afirmou em entrevista na SIC.
O artista reconheceu que a arrogância e a postura provocadora que adotou durante a juventude lhe fecharam algumas portas no meio cultural.
Manuel João Vieira revisitou a chegada ao panorama artístico português e admitiu que, durante a juventude, assumiu uma postura de confronto perante os críticos e as instituições. Em entrevista a Daniel Oliveira no «Alta Definição», o pintor e fundador do Grupo Homeostético reconheceu os excessos cometidos até aos 25 anos.
«Muito. Não só eu como todo o meu grupo (…) Intelectualmente e acharmo-nos o máximo quando tínhamos essa idade. Nós publicávamos uma revista chamada ‘Os Filhos de Átila’, que era mais ou menos o órgão jornalístico do movimento homeostético. Era uma atitude bastante neodadaísta ou também parecida com a dos modernistas (…) A nossa atitude em relação à crítica de arte, em relação ao mundo da arte, era um bocado insolente», contou.
Confronto físico acabou por fechar portas
A relação difícil com a crítica não ficou limitada aos manifestos e às provocações intelectuais. Questionado sobre um episódio em que terá agarrado um crítico pelos queixos, Manuel João Vieira começou por revelar alguma hesitação, mas acabou por confirmar o sucedido.
«É possível que tenha feito isso? É possível. Ah, sim, já me lembro. Sim, é verdade. Pronto, eu era um bocado bruto. Porque eu era muito arrogante. Muito arrogante. Terrível. Terrivelmente arrogante», recordou.
O artista reconheceu que esse comportamento teve consequências no seu percurso: «E isso fechou-me algumas portas. Eu acho que isso pode ser um ato inconsciente de autossabotagem».
Manuel João Vieira questiona decisão de não estudar em Londres
Ao fazer um balanço das escolhas tomadas, Manuel João Vieira revelou que ainda pensa na possibilidade que teve de prosseguir os estudos artísticos no estrangeiro.
«Às vezes, de repente, o meu pai propôs-me ir para Londres estudar arte, depois das Belas-Artes. Eu às vezes, de repente, não ter ido, ou pergunto-me como é que teria sido, pergunto-me a mim próprio se podia ter feito outra coisa», partilhou.
A postura que adotava aos 25 anos, garantiu, já não corresponde à pessoa em que se tornou. «Acho que por um lado não deve ser a mesma pessoa (…) Não tenho realmente o rei na barriga da forma que tinha nessa altura. Não estou convencido que era o melhor do mundo, isso acabou», concluiu.
