Maria Lúcia Amaral demite-se da Administração Interna em plena crise provocada pelo mau tempo

Maria Lúcia Amaral demite-se da Administração Interna em plena crise provocada pelo mau tempo, segundo foi anunciado ontem.

Num momento particularmente sensível para o país, Maria Lúcia Amaral apresentou a demissão do cargo esta terça-feira. A saída foi proposta pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.

Presidência confirma falta de condições políticas e pessoais

A confirmação foi feita através de uma nota oficial publicada na página da Presidência da República. No comunicado, é explicado o motivo que levou à decisão.

“Maria Lúcia Amaral entendeu já não ter condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”, lê-se na informação divulgada.

Marcelo Rebelo de Sousa aceita pedido de demissão

De acordo com a mesma nota, o Marcelo Rebelo de Sousa aceitou formalmente o pedido apresentado pela ministra.

“O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o pedido de demissão da Ministra da Administração Interna que entendeu já não ter condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo, e que lhe foi proposta pelo primeiro-ministro, que assumirá transitoriamente as respetivas competências […] logo que a exoneração se torne efetiva”, refere o comunicado.

Saída acontece após semanas marcadas por tragédia

A demissão surge num contexto de forte pressão política. Portugal enfrentou, nas últimas semanas, um conjunto de tempestades que provocaram pelo menos 16 mortes.

Além disso, 68 concelhos permanecem em situação de calamidade até domingo. A resposta governativa à depressão Kristin foi alvo de críticas da oposição.

Primeira demissão no XXV Governo

Esta é a primeira saída de um ministro no XXV Governo Constitucional, liderado por Luís Montenegro, em funções desde 5 de junho de 2025.

No anterior executivo chefiado pelo atual primeiro-ministro, não houve qualquer mudança ministerial. Apenas seis secretários de Estado foram substituídos, cerca de dez meses após a posse.

Antecedentes políticos agravam contexto atual

Recorde-se que, no XXIV Governo, uma remodelação inesperada em fevereiro acabou por desencadear um mês de forte instabilidade. Esse período culminou na queda do executivo, a 11 de março, após a rejeição de uma moção de confiança no parlamento.

Na origem desse desfecho estiveram dúvidas públicas sobre a vida patrimonial e pessoal do primeiro-ministro e a empresa Spinumviva.

Debate parlamentar acontece já esta semana

A demissão de Maria Lúcia Amaral acontece na véspera do debate quinzenal na Assembleia da República. Será a primeira vez que Luís Montenegro responde à oposição sobre a gestão da crise meteorológica.

Vários partidos tinham pedido explicitamente a saída da ministra da Administração Interna.

Percurso e entrada no Governo

Maria Lúcia Amaral assumiu funções a 5 de junho de 2025. Antes disso, esteve oito anos à frente da Provedoria de Justiça.

Com 68 anos, substituiu Margarida Blasco e integrou o Governo como uma das três novas figuras do executivo, a par de Gonçalo Saraiva Matias e Carlos Abreu Amorim.

Assim, a demissão marca um ponto de viragem num Governo que enfrenta um dos períodos mais exigentes desde a sua posse.

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