Marta Cardoso recusa galas do ‘Big Brother’ e aponta falhas nos reality shows: “Quero mesmo é fazer o Extra”

Marta Cardoso recusa galas do ‘Big Brother’ e aponta falhas nos reality shows: “Quero mesmo é fazer o Extra”, afirmou.

Marta Cardoso não vê a apresentação das galas de domingo como o passo que falta na sua carreira televisiva. Pelo contrário, a comunicadora prefere continuar ligada ao ‘Extra’, espaço onde encontra aquilo de que mais gosta: conversa, análise e comunicação.

Em entrevista a Flávio Furtado, no videocast ‘The Leite Show’, a apresentadora da TVI falou sem rodeios sobre o futuro profissional. Além disso, revisitou os 25 anos que passaram desde a sua participação no primeiro ‘Big Brother’.

Marta Cardoso abordou ainda o preconceito associado aos antigos concorrentes, as mudanças nos reality shows e a forma como a produção condiciona as narrativas. Fora da televisão, revelou também os bastidores do negócio imobiliário que criou em 2011.

Marta Cardoso não quer apresentar as galas de domingo

Apesar de as galas serem frequentemente vistas como o ponto mais alto do entretenimento televisivo, Marta Cardoso não partilha esse deslumbramento.

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A comunicadora reconheceu que teria dificuldade em recusar um eventual convite. Contudo, deixou claro que esse não é o espaço onde deseja trabalhar.

“Hoje, no dia de hoje, eu gostava que nunca me convidassem para fazer uma gala porque eu ia ficar numa saia muito apertada”, assumiu.

Marta Cardoso esclareceu também que nunca recebeu qualquer proposta para assumir as emissões de domingo à noite.

“Nunca me convidaram. E se me convidassem? Eu ia ficar numa saia apertada. Porque o que eu quero mesmo é fazer o extra”, garantiu.

A apresentadora sente-se mais confortável num formato onde possa conversar, ouvir diferentes opiniões e desenvolver uma análise sobre aquilo que acontece dentro da casa.

Exposição e preocupação com a imagem seriam “um peso”

Marta Cardoso explicou que a condução de uma gala implica uma dinâmica muito diferente daquela que encontra no ‘Extra’.

“Eu gosto de conversa, eu gosto de comunicação. E tu na gala estás sozinha, a falar para concorrentes lá para dentro, a falar para um público, a falar cá para fora”, observou.

Além disso, a apresentadora não esconde que toda a preparação visual associada às grandes emissões representaria uma pressão adicional.

“Apresentar uma gala obrigava-me a fazer e ajeitar outras coisas… Preocupar com roupa, com sapatos altos, com imagem… Isso para mim é um peso”, desabafou.

Prestes a completar 50 anos, Marta Cardoso garante estar satisfeita com o lugar que conquistou. Também não considera necessário disputar um espaço já ocupado por outros profissionais.

“Nesta fase da minha vida, a fazer 50 anos, eu estou muito bem como estou e há tantas outras coisas que eu quero fazer. Porquê fazer galas? A TV tem tanta gente boa a fazer galas. A Maria é excelente, o Cláudio é excelente, a Teresa é excelente… Deixa-me estar sossegada no oito”, rematou.

‘Big Brother’ mudou os planos profissionais de Marta Cardoso

Durante a conversa, Marta Cardoso regressou ao ano 2000 e ao impacto provocado pela participação na primeira edição do ‘Big Brother’.

A comunicadora reconheceu que começar num reality show pode dificultar o acesso a outras áreas da televisão.

“Para alguém como eu, ou para outros concorrentes, que pretendem fazer uma carreira em televisão, de facto, começar por um reality show não é a melhor opção. Porque o reality show é algo que te marca muito. Eu, ao fim de 25 anos, continuo a ser a Marta do Big Brother”, afirmou.

Quando entrou no programa, Marta Cardoso estava a estudar Comunicação Social. Na altura, os seus objetivos estavam ligados à informação.

“Eu quando participei no Big Brother, eu estava a acabar o meu primeiro ano de comunicação social. A minha intenção, nessa altura, era ir para Informação e Jornalismo. Eu gostava muito de fazer jornalismo de investigação e também pivô de telejornal”, revelou.

Contudo, o fenómeno social provocado pelo formato alterou definitivamente esse caminho.

Sonho de apresentar informação “caiu por terra”

Após sair da casa, Marta Cardoso percebeu rapidamente que seria difícil separar a sua imagem do programa.

“Foi óbvio para mim, ao fim de muito pouco tempo de sair do Big Brother, que esse sonho tinha caído por terra. Era irreversível com a minha participação no Big Brother”, explicou.

A comunicadora compreende que uma estação televisiva dificilmente a escolheria, naquela fase, para apresentar um espaço informativo.

“Era impossível uma estação (…) pegar em alguém que é conhecido como a Marta do Big Brother, mulher do moço que deu um pontapé e fez o amor na televisão, e colocá-la a apresentar no Jornal Nacional. Não é compatível. E se estivesse do lado da estação, também não o faria”, reconheceu.

Embora não fale do estigma de forma depreciativa, Marta considera que algumas escolhas profissionais acabam por limitar caminhos futuros.

“Portanto, eu quando falo de estigma, não o digo de uma forma depreciativa… Há caminhos pelos quais, quando tu vais, já não têm volta. E este é um deles. Porque somos um país preconceituoso”, concluiu.

Marta Cardoso esclarece isolamento de Zé Maria

A apresentadora recordou também Zé Maria, vencedor da primeira edição do ‘Big Brother’. Ao contrário da perceção criada no exterior, Marta Cardoso garante que o concorrente não foi excluído pelo grupo.

“O Zé Maria era de facto uma pessoa muito diferente. E o Zé Maria, que eu adoro (…) tinha uma forma muito particular de estar que tu não aprendes em dois dias a lidar. Demorou tempo até eu conseguir percebê-lo e até perceber como é que me encaixava com ele. Porque tínhamos de ser nós a encaixar nele. Ele não estava disponível para se encaixar em ninguém”, explicou.

Segundo Marta, Zé Maria afastava-se por decisão própria. No entanto, as imagens transmitidas criaram outra interpretação junto do público.

“Ele estava isolado porque ele se isolava, não porque nós o isolávamos. E essa ideia passou ao contrário cá para fora. E está tudo certo com isso”, recordou.

A comunicadora acredita ainda que o perfil do vencedor seria avaliado de forma muito diferente nos reality shows atuais.

“O Zé Maria hoje seria uma planta”

Para Marta Cardoso, os concorrentes de 2000 não sentiam a mesma obrigação de criar discussões, polémicas e conteúdos constantes.

“Hoje seria uma planta? Não foi culpa de ninguém. O Zé Maria hoje seria uma planta. Uma planta carismática, engraçada, mas seria uma planta. Eu seria uma planta hoje”, admitiu.

A mudança no comportamento dos participantes está, na sua opinião, relacionada com aquilo que sabem ser procurado por quem produz e acompanha os programas.

“Se tu quiseres ir para uma entrevista de emprego (…) onde tu sabes que para teres aquele cargo tens de fazer isto, isto, isto… tu vais tentar ser o mais parecido com aquilo que as pessoas procuram. É isto que fazem os concorrentes de reality”, analisou.

Assim, os jogadores entram atualmente mais preparados para corresponder às exigências televisivas. A espontaneidade acaba, muitas vezes, substituída pela necessidade de aparecer rapidamente.

Reality shows passaram a viver a uma velocidade diferente

Marta Cardoso concordou com as críticas de Teresa Guilherme sobre a descaracterização dos formatos.

“Concordo plenamente. O que é que mudou nos realities? Tudo. Primeiro, aquilo que é a conceção de um reality, que naquela altura acontecia organicamente e durava quatro meses, agora o que acontecia em quatro meses tem que acontecer em um mês e meio ou em dois”, afirmou.

A apresentadora relacionou essa aceleração com as novas formas de consumo e com o impacto do ambiente digital.

“Quem entra a ver uma nova configuração de reality shows… sabe que é preciso discutir, é preciso causar polémica, é preciso aparecer rápido”, observou.

Perante a possibilidade de alterar apenas um elemento nos programas atuais, Marta Cardoso apontou imediatamente para as atividades realizadas dentro da casa.

“Se pudesses só mudar uma coisa… Mudava o tipo de dinâmicas que se fazem em casa”, respondeu.

Marta Cardoso pede mais liberdade para os concorrentes

A comunicadora não critica a existência da ‘Voz’, figura que orienta os participantes e interfere no quotidiano do programa.

Contudo, considera que as perguntas e dinâmicas escolhidas acabam por limitar aquilo que o público conhece de cada concorrente.

“Não me chateia que falem, porque na minha altura não havia voz, hoje existe e a voz, no fundo, é que conduz tudo o que acontece lá dentro. O que eu tenho muita pena: as pessoas respondem àquilo que lhes é perguntado. Se tu só lhes perguntares sobre cores, elas só vão responder sobre cores e tu vais ficar a achar que aquelas pessoas só sabem de cores”, lamentou.

Para Marta Cardoso, a produção deveria abrir espaço para que cada pessoa revelasse diferentes dimensões da sua personalidade.

“Portanto, se tu conseguires abrir o leque para dar oportunidade àquelas pessoas de serem reais, mas mostrarem tanto o melhor como o pior, era melhor para todos nós”, aconselhou.

Negócio imobiliário começou como segurança financeira

Fora da televisão, Marta Cardoso construiu uma atividade no setor imobiliário. O projeto começou numa altura em que procurava maior estabilidade perante a incerteza dos contratos televisivos.

“Desde 2011 que eu comecei a trabalhar no imobiliário. Comecei por comprar uma casinha. Depois consegui vender essa casa recorrendo a um empréstimo bancário porque eu não tinha fundos. Depois consegui vender essa casa e daí ganhar algum dinheiro. Comprar duas. E tem vindo a ser assim”, contou.

Com o crescimento do negócio, Marta criou uma empresa dedicada à compra, venda, arrendamento e reabilitação de imóveis.

A apresentadora não se limita, porém, a acompanhar o trabalho à distância.

Marta Cardoso pinta portas e afaga o chão das casas

Embora contrate profissionais para as principais obras, Marta Cardoso participa pessoalmente em várias fases da renovação.

“Na verdade, eu tenho uma empresa que compra, vende, revende, aluga imóveis. (…) Eu compro. Eu depois contrato subempreiteiros para fazer a maior parte das coisas. Quando chega a parte do design do artesanato, sou eu que faço por isso é que me vejo cheia de tinta. Ora estou a pintar portas, ora estou a afagar chão. Enfim, as coisas que eu fui aprendendo a fazer, eu faço”, revelou.

Atualmente, os rendimentos da televisão já lhe permitem assegurar as despesas pessoais. Ainda assim, mantém a empresa por gosto e como fonte adicional de receita.

“Neste momento, eu já ganho o suficiente na televisão para pagar as minhas contas, mas a minha empresa passou a ser um gosto e mais uma fonte de receita”, esclareceu.

Na fase da comercialização, prefere entregar os imóveis a profissionais especializados.

“Quando chega a parte da venda, eu dou as casas às mediadoras para as venderem. (…) Quero que as pessoas comprem as minhas casas porque as minhas casas são boas, não porque são minhas”, concluiu.

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