
Mísia deu concerto de bom gosto e qualidade no Centro Cultural de Belém, levando “As Mais Bonitas” canções ao Grande Auditório.
O Grande Auditório do Centro Cultural de Belém recebeu, ontem um espectáculo musical de Mísia.
Mísia é uma das artistas portuguesa que maior exigência impões no repertório que canta, além de ser um verdadeiro animal de palco.
No Grande Auditório do CCB, a artista proporcionou um espectáculo verdadeiramente admirável, pela bom gosto, pela classe, pela profundidade poética dos poemas e, claro, pelo seu incontestável carisma.
O primeiro tema cantado foi ‘Trago a Saudade Esquecida’, com letra de Helder Moutinho, na música do Fado Carriche. Mas antes mesmo de Mísia entrar em palco, já Bernardo Couto tinha mostrado o seu virtuosismo, a solo, com a guitarra portuguesa.
Mísia agradeceu a presença do público (sobre o qual escreverei mais à frente), lembrando que não actuava há 1 ano e 10 meses, sendo o seu último espectáculo em Paris, com o disco Pura Vida.
Acompanhada por Fabrizio Romano, no piano, Bernardo Couto, na guitarra portuguesa, e Daniel Pinto, na viola, Mísica percorreu aquelas canções que considera as mais bonitas, cantando nomes maiores da cultura portuguesa, mas também cantando em francês, grego e castelhano.
Assistir a um espectáculo de Mísia é mergulhar numa verdade interpretativa que sai completamente fora dos cânones ‘mainstream’, mas que nos arrebata enquanto seres humanos, provocando um interior fervilhar emocional, que nos leva da alegria à tristeza, cantando a vida e a morte.
A artista mostrou-se muitíssimo conhecedora da sua voz e soube usá-la com uma rara perspicácia, de modo a dar vida às palavras dos poetas.
De Vitorino, cantou “Ciúmes do coração Operário”; de Tiago Torres da Silva, cantou “Vou pedir-te um coração” e “Os homens que eu amei”; de Ricardo Negrete Plano, interpretou “Fado dos 2 pardais”; de Vasco Graça Moura trouxe “Coração”; de Natália Correia interpretou de forma muito divertida “E se a morte me despisse?”, entre outros.
Mas a parte final do espectáculo, que até ali tinha sido excelente, transformou-se em algo soberbo. Primeiro, como atrás referi, interpretando temas noutras línguas, até porque é sempre bom lembrar a carreira internacional de Mísia que abriu muitas portas para alguns fadistas da actualidade. Porém, há quem se esqueça desse grande pormenor…
E por fim, cantando, como não podia deixar de ser, Amália Rodrigues, com o tema “Tive um coração, perdi-o”.
O público queria mais e Mísia que até então usava um belíssimo vestido negro e uma fita na cabeça, voltou a palco mas desta vez de branco. E foi um remate de espectáculo absolutamente incrível.
Mísia tem claramente um carisma único, uma voz muito identitária e uma classe em palco que por vezes vemos pouco em palcos nacionais. Bravo, Mísia!
Por fim, sem querer fazer disto o ponto mais importante do texto, nota muito negativa para o pouquíssimo público presente neste espectáculo. O concerto foi pelas 19:00 e tinha transmissão online pelas 21:00, mas isso não justifica que o público tenha sido tão pouco. Percebo que é mais fácil gostar daquilo que as rádios e televisões nos “oferecem” quase minuto a minuto, muitas vezes sem qualidade. Mas com tanta plataforma informativa, o público apenas não conhece o que não quer. Basta para isso, deixar de ser comodista e preguiçoso. Lamentável a ausência neste espectáculo.
