Morreu D. Francisco de Mascarenhas, lenda do toureio a cavalo português, aos 99 anos

Morreu D. Francisco de Mascarenhas, lenda do toureio a cavalo português, aos 99 anos, na tarde de ontem.

O toureio português perdeu uma das suas figuras históricas. D. Francisco de Mascarenhas morreu este domingo aos 99 anos, vítima de causas naturais. O cavaleiro tauromáquico completaria 100 anos em fevereiro do próximo ano.

Considerado um dos nomes marcantes da chamada “era de ouro” do toureio equestre, foi também um dos últimos representantes dessa geração.

Um prodígio que começou nas arenas ainda em criança

D. Francisco de Mascarenhas nasceu a 8 de fevereiro de 1927, em Paço de Arcos, no concelho de Oeiras. Filho do também cavaleiro D. Alexandre de Mascarenhas, cresceu num ambiente profundamente ligado ao mundo taurino.

Desde muito cedo revelou talento para a arte de tourear a cavalo. Assim, com apenas nove anos, estreou-se numa praça espanhola.

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A estreia aconteceu em 1937, em El Puerto de Santa María, na província de Cádiz. Nessa ocasião atuou trajado de casaca e tricórnio.

Na mesma tarde esteve também presente o célebre toureiro espanhol Manolete, que realizava então a despedida como novilheiro. Por esse motivo, D. Francisco foi muitas vezes lembrado como o primeiro “niño prodígio” do toureio português.

Estreias internacionais e alternativa no Campo Pequeno

Entretanto, a carreira do cavaleiro continuou a crescer. A 6 de agosto de 1939 fez a sua estreia em Madrid, uma das praças mais importantes da tauromaquia.

Anos mais tarde, a 29 de agosto de 1945, recebeu a alternativa na emblemática Praça de Touros do Campo Pequeno.

A cerimónia teve como padrinho o mestre João Branco Núncio, uma das maiores referências do toureio equestre em Portugal.

Posteriormente, integrou também o cartel inaugural do novo edifício da praça de toiros de Almeirim. O evento realizou-se a 16 de maio de 1954 e reuniu vários nomes de destaque da tauromaquia.

Carreira internacional e retirada precoce

Ao longo da carreira, D. Francisco de Mascarenhas atuou em várias regiões do mundo taurino.

Assim, apresentou-se em arenas de Portugal, Espanha e França. Além disso, participou em espetáculos taurinos em Angola, Moçambique e México.

Contudo, a progressão da miopia levou-o a tomar uma decisão difícil. Em 1956 optou por retirar-se das arenas, após uma carreira considerada brilhante.

Apesar disso, voltou pontualmente a atuar em ocasiões especiais. Uma dessas situações aconteceu em 1958, na Moita, quando concedeu a alternativa ao cavaleiro José Mestre Baptista.

Ainda assim, a despedida definitiva do toureio aconteceu em 1962.

Uma referência respeitada dentro e fora das arenas

Mesmo após deixar de tourear, D. Francisco manteve uma presença constante no universo tauromáquico.

Durante décadas foi presença assídua em várias praças de toiros. Além disso, partilhou conhecimentos com diferentes gerações de cavaleiros.

A sua experiência e domínio da arte fizeram dele um conselheiro respeitado no meio taurino.

Origem numa família ligada à tauromaquia

D. Francisco de Mascarenhas pertencia a uma família com raízes na nobreza portuguesa. Entre os seus antepassados encontram-se os Marqueses de Fronteira e os Condes da Torre.

A ligação aos cavalos e à tauromaquia era tradição familiar. Ao longo das gerações, vários membros da família Mascarenhas praticaram o toureio a cavalo.

Antes de D. Francisco, muitos atuaram como amadores. Com a sua alternativa, tornou-se o primeiro membro da família a afirmar-se plenamente na profissão.

Homenagem histórica em 2020

Já em idade avançada, continuou a ser lembrado como uma figura marcante da tauromaquia.

Em 2020 recebeu uma homenagem especial no Campo Pequeno. A iniciativa partiu do empresário Luis Miguel Pombeiro e assinalou os 75 anos da sua alternativa.

Com essa celebração, tornou-se o primeiro toureiro do mundo a comemorar essa efeméride em vida.

Último representante de uma geração

D. Francisco de Mascarenhas morreu na tarde deste domingo, aos 99 anos. Até ao momento, não foram divulgados detalhes sobre as cerimónias fúnebres.

Com a sua morte desaparece também um dos últimos nomes ligados aos anos de ouro do toureio equestre português.

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