Mourão: E do Pó, recomeçou a Tauromaquia

Mourão: E do Pó, recomeçou a Tauromaquia

A temporada de 2022, teve início, como é tradição, em Mourão ,hoje, dia 1 de Fevereiro, contando com uma praça cheia de aficionados.

Texto: Francisco Potier Dias
Fotografias: Hugo Calado / Toureio.pt

Foi com uma uma tarde solarenga, em contraste com os últimos anos do festival, que Mourão brindou as centenas de aficionados que hoje a si se dirigiram.

De destacar que, este ano, teve direito a cobertura por parte de órgãos de comunicação generalistas.
Mourão é uma referência da Tauromaquia Portuguesa e todo o ambiente que se vive, antes, durante e após a corrida, faz inveja a qualquer praça do País.

Falando do espectáculo propriamente dito, cumpre antes de tudo, dar nota para a inadequação do piso, não é admissível brindar o público presente com tamanha quantidade de pó.

Quanto às “performances em palco”, o cavaleiro Joaquim Brito Paes abriu praça, frente a um novilho da ganadaria Paulo Caetano, o primeiro de quatro desta tarde [Houve dois sobreros de Murteira Grave]. Quanto ao novilho, cumpriu, demonstrando traços óbvios da linha de Cabral Ascensão e Jandilla que caracteriza a ganadaria, ainda assim, de pouca força mas boa apresentação. Na sua lide, o cavaleiro fez o que pôde, perante um novilho que pedia terrenos curtos e um toureio a cair em cima.

Joaquim Brito Paes cumpriu, ainda assim, abaixo do que já nos habituou, no entanto, cravou como manda a ordem e a mostrar vontade e ganas para a temporada que se avizinha.

Pegaram os amadores de S. Manços, consumando a meia praça, de forma bonita e com o grupo a ajudar bem.

Em praça, o segundo da tarde que estaria a cargo do cavaleiro António Telles [Filho], cavaleiro de dinastia e com escola Q.B, no entanto, o novilho que lhe calhou em sorte, saiu à praça com um defeito no corno esquerdo e uma pata efectivamente “tocada”.

Assim, a ordem de lide prosseguiu com o cavaleiro amador, Tristão Guedes de Queiroz Ribeiro Telles, mais um rebento da dinastia Ribeiro Telles, sendo pupilo de João Ribeiro Telles Jr.
Em praça, teve por diante um exemplar Paulo Caetano bem apresentado e a vir regular durante toda a lide, com bravura quanto baste.

Perante o seu oponente, andou bem o toureiro, embebido no espírito de Mourão, puxando pelo público e retirando o máximo do seu oponente montando os cavalos Marfim e o Lusco-Fusco -um filho do Zique da Pera Manca, ambos da quadra de um dos triunfadores da temporada passada, João Ribeiro. Telles Jr, mostrando-se capaz, preparado para esta temporada e mostrando que veio para ficar, levando os compridos “por diante”, e nos curtos a andar com temple e a cravar com o cavalo a permitir tudo e a entregar-se perante um novilho que serviu, mas foi “fácil “.

Na segunda pega da tarde, novamente o grupo de São Manços. Perante o novilho, esteve mal na primeira tentativa o forcado da cara, ao não ganhar tanto terreno quando necessário e a deixar que o novilho o “perdesse” e não conseguindo consumar. Na segunda, o novilho perdeu a força, perante um forcado da cara que recuou demais, procurando compor o toiro, mas que comprometeu a reunião. Resolveu à terceira, com o grupo a ajudar .

Em praça, novamente, António Ribeiro Telles Jr, perante o sobrero da Ganadaria Murteira Grave , de bom tipo, mas um tanto quanto abezerrado.
Andou bem o toureiro, a fazer tudo quanto manda o livro, tanto que, houve mais toureiro que novilho.

O discípulo de António Ribeiro Telles, andou bem, arrimou-se e aproveito este “aquecimento” para a temporada que se avizinha

Para o quarto da tarde, em praça, o novilheiro Diego Peseiro, andou bem a receber o novilho que lhe calhou em sorte, recebendo de “rodillas” e seguindo para um tercio de bandarilhas de muito boa nota.
Brindou a sua lide de muleta ao Maestro Juan José Padilla, com uma ovação brutal da praça.

Durante a sua lide de muleta, bem o novilheiro, ainda assim a dar demasiadas vezes “só a ponta” da muleta ao toiro e a mostrar-se em demasia, porém a tirar uns bonitos lances pela direita e a sacar o possível ao natural. Fez por render o que tinha por diante.

Para o quinto da tarde, Manuel Perera andou bem a aguentar com novilho Paulo Caetano que lhe calhou em sorte que foi nobre, nobre, nobre.
Desfrutou e fez desfrutar o público de Mourão, até enjoar… Que me perdoem, mas o toureio a pé em Portugal, quando procura estender em demasia as lides, enjoa e fica sem qualquer significado ou conteúdo, ainda assim, a deixar na retina dois ou três pares de passes pela direita de belíssima nota e a tentativa de levar o toiro “por naturales” que nem sempre correu de feição.

Para o sexto da tarde, o novilheiro Erik Oliveira, talvez a lide com menos história da tarde. Um novilho ‘nhoc nhoc’, para um toureio sem grandes linhas.

Serviu, apresentou-se com uns bons pares de lances pela direita, faltando capacidade para retirar o sumo que este exemplar de Paulo Caetano lhe poderia dar “por naturales” e a pouco transmitir ao público presente em Mourão.

Em suma, esta tarde em Mourão afigurou-se igual a tantas outras, compensou pelos amigos, pelo convívio e claro está pelos Toiros, que quanto mais não seja, são uma óptima desculpa para desfrutar.

Dar nota que, nesta primeira corrida da temporada esteve presente um meio de comunicação generalista, TVI, facto que naturalmente deveria ter sido aproveitado e não se deixar meramente os profissionais “à toa” sem saber que planos deveriam apanhar e em que momentos… Se nos queixamos de não sermos levados a sério, que façamos por isso, com objectividade e de forma profissional e não com o mero “amor à festa”.

Venha a temporada de 2022…

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