“Os pobres merecem o melhor”: médico devolveu a visão a cem mil pessoas, assinalou Pedro Chagas Freitas.
Um bisturi barato que mudou vidas no Nepal
A frase é clara e poderosa: “Os pobres merecem o melhor; não as sobras.” Pertence a Sanduk Ruit, médico do Nepal que revolucionou a forma de tratar cataratas e devolveu a visão a cem mil pessoas.
Nos vales isolados do país, onde muitas vezes não existem estradas, Ruit chegou apenas com um bisturi simples e uma técnica que viria a mudar o mundo.
Uma cirurgia acessível e eficaz
A técnica chama-se cirurgia de catarata por pequena incisão e foi aperfeiçoada ao longo de três décadas. Trata-se de uma incisão mínima que permite retirar a catarata e inserir uma lente nova.
O impacto está também no preço. Enquanto no Ocidente esta operação pode custar três mil dólares, no Nepal é feita por apenas 25 dólares, graças a lentes intraoculares produzidas localmente. Como refere Pedro Chagas Freitas, trata-se de “99% mais barato”, sem perder qualidade.
Entre a cegueira e a esperança
Ao longo da sua carreira, Sanduk Ruit transformou vidas. “Cem mil pessoas que viram o rosto da mãe, a cor da terra, a sombra da própria morte, da própria vida, graças a ele.”
Para o escritor, esta história levanta também uma reflexão sobre a condição humana: “Acho que a humanidade se divide entre os que fabricam cegos e os que devolvem olhos.”
Uma lição de ética e humanidade
No texto, Pedro Chagas Freitas destaca ainda a importância de colocar os valores acima dos interesses: “A ética é a melhor construção da humanidade. Ser humano é saber que um par de olhos pobres vale tanto como um par de olhos ricos.”
E conclui com uma mensagem forte: “Ver também é existir. É desumano que o essencial possa ter um preço.”
Foto: Pedro Chagas Freitas / Facebook.
