Padre Ricardo Esteves alerta: “Que te adianta quereres ganhar o mundo se perderes quem mais importa?!”

Padre Ricardo Esteves alerta: “Que te adianta quereres ganhar o mundo se perderes quem mais importa?!”, questionou.

O padre Ricardo Esteves voltou a usar as redes sociais para deixar reflexões sobre família, dor emocional e o impacto da tecnologia nas relações humanas.

Desta vez, o sacerdote partilhou três textos onde cruza fé, vida familiar, relações e saúde emocional. Nas publicações, Ricardo Esteves chama a atenção para a ausência dentro de casa, para os ciclos de sofrimento e para a solidão criada pelo uso excessivo dos ecrãs.

Família, presença e prioridades

Numa das reflexões, o padre Ricardo Esteves centrou a mensagem na família. O sacerdote alertou para o risco de se procurar relevância fora de casa, enquanto se descuida quem está mais perto.

Nesse texto, publicado nas redes sociais, Ricardo Esteves escreveu:

“Existem muitas pessoas a querer mudar ou moldar o mundo inteiro mas… não conseguem sentar dez minutos para ouvir quem mora dentro da própria casa. A verdade é que o sucesso sem presença vai cobrar-te um preço demasiado alto. Porque enquanto muita gente tenta ser importante na internet, tem pai, mãe, irmão, avós… que sentem falta de atenção dentro de casa. Sabes, no final da vida não vais sofrer por não terem respondido a uma story, ou publicação, ou mensagem tua, mas por não teres aproveitado mais quem amavas. A famila jamais é um detalhe… a famila é a tua base. E às vezes, senão muitas vezes, o maior acto de amor não é fazer algo megalómano, ou gigante no mundo e para o mundo, mas é estar para quem sempre esteve para ti e por ti. Que sentido faz conquistares tudo lá fora e chegares a casa e não teres cumplicidade, relação ou ligação com ninguém? Cuida dos da tua casa antes de quereres cuidar dos de fora. Cuida dos que estão perto, antes de te preocupares com os que estão longe. O verdadeiro propósito começa dentro da própria família. Que te adianta quereres ganhar o mundo se perderes quem mais importa?! Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

Assim, a mensagem deixa uma ideia central: a presença continua a ser uma das formas mais concretas de amor.

A dor, os limites e os caminhos que magoam

Noutra publicação, Ricardo Esteves abordou a dor e a forma como muitas pessoas regressam a lugares emocionais que as ferem. Para o sacerdote, não basta sair de onde dói. É preciso perceber para onde se está a caminhar.

A reflexão foi deixada com um tom de aviso:

“Sabes, o problema não é apenas sair de onde dói. Porque eu sei e tu também que grande parte da vida envolve algum tipo de dor. Relações podem ferir, decisões podem doer, crescer muitas vezes dói. Até o que cura dói. O problema maior está em não perceberes para onde estás a ir. Muitas vezes, não é que estejas preso a um lugar que magoa, é estares a caminhar em direção a outros lugares que também magoam. O problema não é apenas permaneceres na dor, é quando permites entrar nela repetidas vezes. Às vezes porque te enganas, ou porque crias fantasias, ou porque preferes fechar os olhos aos sinais que estão diante de ti. A vida não exige apenas coragem para saíres de onde dói. Ela pede consciência para perceberes quando estás a entrar num lugar que te vai ferir. Essas dores começam com limites que não colocas, com verdades que não queres ver. Cuidado com os lugares que estás a criar, com as histórias que estás a alimentar, com as fantasias que crias dentro de ti. Sabes, a maior armadilha da dor não é o sofrimento em si, é a cegueira que te faz caminhar directamente para ela… acreditando que estás a ir para outro lugar, aparentemente seguro…!!! Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração 🙏❤️🍀”

Desta forma, Ricardo Esteves liga a dor à falta de consciência, aos limites não colocados e às fantasias que podem alimentar escolhas erradas.

Ecrãs, solidão e relações cada vez mais frágeis

Por fim, o padre olhou para a relação entre tecnologia, solidão e ausência emocional. A publicação não culpa a tecnologia em si. Ainda assim, questiona a forma como ela pode ser usada para fugir da própria vida.

Ricardo Esteves escreveu:

“Hoje, cada vez mais, os casais saem juntos e passam mais tempo a olhar para o telemóvel do que um para o outro. As famílias sentam à mesma mesa, as que ainda sentam, e ninguém conversa de verdade. Hoje em dia as crianças aprendem mais à frente de telas do que com presença real. Vejo tantas pessoas com centenas de seguidores, e tudo bem… mas muitas não tem a quem ligar quando desabam. Sabes, o silêncio tornou-se desconfortável, a presença rara, o amor descartável, a atenção mercadoria. Estamos hiper conectados mas cada vez mais distantes. Tanta gente que dorme ao lado de alguém mas sentem-se sós. Sabias que existem adolescentes que desenvolvem ansiedade por causa da comparação digital? E existem crianças sem relação emocional real? Existem adultos que não conseguem passar dez minutos sem se refugiarem numa tela ou ecrã e depois perguntam porque a ansiedade aumentou, porque a solidão cresceu, porque tanta gente se sente vazia… A tecnologia é o problema, dizem muitos. Mas não! Não mesmo! O problema é usarem a tecnologia como distração para fugir da própria vida. Pensa nisto…!!! Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

Ainda assim, a crítica não surge como rejeição do mundo digital. Pelo contrário, o foco está no uso que se faz da tecnologia e no afastamento que ela pode esconder.

Uma mensagem sobre o que fica

No conjunto das três publicações, Ricardo Esteves aponta para uma mesma preocupação: a perda de presença.

A família, os limites emocionais e a relação com os ecrãs surgem como sinais de uma vida que pode estar demasiado virada para fora. Por isso, o sacerdote deixa uma reflexão que atravessa os três textos: antes de conquistar o mundo, importa não perder quem está perto.

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