Pedro Chagas Freitas alerta para a dor invisível: “a dor não precisa de ser visível para ser real”, assinalou nas redes sociais.
O escritor Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para deixar uma reflexão sobre as chamadas doenças invisíveis. Num texto dirigido aos leitores, o autor aborda o impacto da invalidação e apela a uma mudança de atitude.
Doenças silenciosas e falta de compreensão
Logo no início da publicação, o escritor distingue dois tipos de realidade clínica: “Há doenças que fazem barulho. Essas quase todos respeitam. Há doenças que vivem em silêncio. Essas recebem suspeita: um olhar de lado.”
Em seguida, alerta para patologias que, apesar de terem nomes clínicos reconhecidos, continuam a ser desvalorizadas socialmente. Entre elas, refere fibromialgia, síndrome de Ménière, espondilite anquilosante, asma e depressão.
Segundo explica, muitas destas condições implicam dor constante, tonturas, fadiga persistente e inflamações. Ainda assim, quem vive com estes diagnósticos enfrenta frequentemente comentários que minimizam o sofrimento.
Frases que ferem mais do que ajudam
Ao longo do texto, Pedro Chagas Freitas enumera exemplos de expressões comuns que, na sua perspetiva, acabam por agravar a situação. Entre elas estão:
“Isso é psicológico.”
“Se te distraísses mais, isso passava.”
“Também me dói tudo e eu trabalho.”
“És muito novo para ter essas doenças.”
“Não será falta de ginásio?”
“Já experimentaste não pensar nisso?”
“Isso é stress.”
“Os médicos não veem nada, pois não?”
“Se os exames estão bem, estás bem.”
“Estás é mal habituado.”
“Tu focas-te muito na doença.”
“Há pessoas bem pior.”
“Se sorrisses mais, doía menos.”
Para o autor, muitas destas frases são ditas com intenção de ajudar. No entanto, o efeito é o oposto. Quem as ouve sente invalidação e julgamento.
Além disso, critica ideias simplistas que frequentemente surgem nestes contextos, como:
“Se estivesse assim tão mal, não saía de casa.”
“Se consegue trabalhar um dia, consegue sempre.”
“Se ontem estava bem, hoje também devia estar.”
“A dor invisível não é linear”
Entretanto, o escritor sublinha que a dor invisível não segue um padrão fixo. Pode obrigar a cancelar compromissos importantes, faltar a celebrações ou aparentar normalidade em público enquanto o sofrimento continua em privado.
Nesse sentido, deixa uma mensagem clara: “Não te esqueças: a dor não precisa de ser visível para ser real.”
Por isso, propõe uma mudança simples na forma de reagir. Em vez de minimizar, sugere empatia: “Antes de dizeres ‘isso passa’, tenta dizer ‘acredito em ti.’ Antes de dizeres ‘isso é da cabeça’, tenta perguntar ‘como te posso ajudar?’”
Um apelo à empatia
Por fim, Pedro Chagas Freitas recorda que qualquer pessoa pode vir a ocupar esse lugar. E, nessa circunstância, aquilo que mais se deseja é compreensão.
O texto termina com uma ideia que resume a reflexão: “Eu acho que acreditar já é metade do cuidado.”
Deste modo, a publicação volta a colocar no centro do debate a importância da empatia perante doenças que não se veem, mas que existem — e que marcam profundamente a vida de quem com elas convive.
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