Portugal estreia-se no Mundial com foco total, Martínez em debate e ameaça de tempestade em Houston

Portugal estreia-se no Mundial com foco total, Martínez em debate e ameaça de tempestade em Houston, no dia de hoje.

Portugal entra hoje no Mundial 2026 com o olhar colocado na República Democrática do Congo, mas a estreia da Seleção chega acompanhada por vários temas paralelos.

Há a resposta da Federação Portuguesa de Futebol sobre o futuro de Roberto Martínez. Há a situação física de Rúben Dias. Há ainda o alerta meteorológico em Houston, onde está marcado o jogo. E há, sobretudo, a ambição assumida por uma equipa que chega à prova com estatuto, talento e responsabilidade.

A partida diante da RD Congo está marcada para as 18 horas de Portugal Continental.

FPF fecha fileiras após notícia sobre Roberto Martínez

Na véspera da estreia portuguesa, surgiu de Inglaterra a informação de que Roberto Martínez poderá deixar o comando técnico da Seleção após o Mundial. A notícia foi avançada pela rádio talkSPORT e teve reacção da Federação Portuguesa de Futebol.

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À Press Association, um porta-voz da FPF garantiu que o momento é apenas de concentração na competição.

A Federação afirmou: “A FPF e Roberto Martinez estão focados exclusivamente no Mundial. A Federação e o treinador estão alinhados nessa questão, como já referiram publicamente”.

Deste modo, a estrutura federativa procurou travar o ruído externo antes do primeiro jogo. Portugal começa a sua caminhada no torneio frente ao Congo, numa estreia onde o foco competitivo se cruza com a gestão da pressão mediática.

Martínez desvaloriza futuro: “É um facto, não é uma notícia”

Roberto Martínez também foi confrontado com o tema na antevisão ao encontro. O selecionador recusou tratar o assunto como novidade e lembrou que o contrato termina depois do Mundial.

O técnico respondeu: “Não é… não é notícia. Já falámos disso muito em Portugal. Aqui pode ser diferente, mas em Portugal já falámos muito disso. O foco é continuar o trabalho feito durante três anos e meio. Quando cheguei a Portugal, o foco era… todos os dias tentar ganhar tudo, mas o foco era preparar o Mundial. Estamos já aqui, 40 jogos depois, depois de ganhar a Liga das Nações. O foco é o mesmo. O importante é o Mundial. Eu encaro com naturalidade. É uma notícia… o meu contrato termina depois do Mundial, eu acho que não é notícia. É um facto. É um facto, não é… não é uma notícia.”

Assim, Martínez tentou recentrar a conversa no percurso feito desde a chegada à Seleção. Pelo meio, lembrou a conquista da Liga das Nações e reforçou que o Mundial era o grande objectivo do ciclo.

Rúben Dias falha a estreia

No plano desportivo, a principal baixa confirmada é Rúben Dias. O central não está a 100% e não será utilizado diante da RD Congo.

Martínez explicou a situação logo na primeira resposta da conferência: “Boa tarde. Acho que a preparação foi… foi perfeita a todos, todos os níveis. Só o aspeto de que o Rúben Dias não está 100% para amanhã, então não… não está apto para o jogo. Não… não é o momento de arriscar, está a trabalhar individualmente e acho que faz sentido continuar com a recuperação. O resto foi um período muito, muito positivo, muito bom. Todos os jogadores tiveram minutos, o nível de treino está a ser muito alto. Estamos a ajustar não só o fuso horário — que fizemo-lo muito bem, já com a experiência que tivemos durante março com o trabalho que fizemos no México e em Atlanta —, estamos a ajustar muito bem a trabalhar com a humidade e a temperatura em Miami. Então, para nós, também cancelar um treino foi mais uma oportunidade para trabalhar aquilo que é este Mundial, que é esperar o inesperado e tentar utilizar aquilo que acontece para acrescentar a preparação dentro do grupo. Fizemo-lo muito bem. As condições são excelentes e agora já estamos prontos para… para o jogo de amanhã e muito satisfeito com o jogo contra a Nigéria porque, realmente, é o teste perfeito para o jogo de amanhã.”

Depois, o selecionador esclareceu que o problema não está ligado à época do defesa no Manchester City. Segundo Martínez, tudo resultou de um lance de contacto.

O treinador detalhou: “Não, não, posso dizer que o Rúben Dias chegou perfeitamente. Jogou os 90 minutos com o seu clube no último jogo na Premier League, o que sempre ajuda, e depois trabalhou muito bem durante a preparação, no jogo contra o Chile. Mas, infelizmente, o futebol é um jogo de contacto, o Rúben teve un golpe durante o jogo contra a Nigéria e… fizemos os testes. Está tudo bem estruturalmente e agora é só… não arriscar. Acho que, medicamente, precisamos de estar a 100% num jogo do Mundial e é isso que vamos fazer. Mas a situação do Rúben foi um momento de futebol, de contacto, que acontece, que pode acontecer, mas não tem um passado com aquilo que… que aconteceu na sua… na sua época com o Manchester City.”

Selecionador afasta arrependimento na convocatória

Apesar da ausência de Rúben Dias, Martínez rejeitou qualquer arrependimento por não ter chamado mais um central. Para o selecionador, a polivalência do grupo permite dar resposta.

O técnico afirmou: “Não, arrependido não, porque temos três centrais. O Rúben Dias está bem, só que agora precisamos de gerir o seu… o seu golpe que ele teve. E depois temos jogadores que também conseguem jogar nas posições de centrais. Já utilizámos o Rúben Neves, já utilizámos o Diogo Dalot… então a polivalência do nosso grupo é maior do que tentar trazer um jogador novo que não tem experiência ao nível das seleções e que não… não tem clareza daquilo que estamos a trabalhar. Chegar a um Mundial para nós são 40 jogos, é um processo que tem sido muito, muito meticuloso, que não é… falta de foco ou de avaliar e analisar tudo aquilo que nós temos, e tudo aquilo que podemos precisar durante o Mundial. Então, estou muito contente, muito feliz com os jogadores, com a atitude, com o trabalho feito, com aquilo que nós temos e com o que eu percebo durante o treino. Não só ao nível de qualidade individual, mas ao nível de grupo. O espírito de grupo e a responsabilidade que mostram é um equilíbrio muito bom entre o aspeto emotivo de representar a Portugal e ter um orgulho muito, muito grande, mais também o aspeto racional de preparar os jogos bem, ter uma clareza daquilo que precisamos de fazer amanhã. Tudo isso faz com que o período que agora terminamos, que é o período de preparação — porque amanhã começamos um período diferente —, fique toda a equipa técnica e eu muito feliz. E o aspeto de qualquer jogador, os minutos… precisamos de gerir isso jogo a jogo, dia a dia. Não é o mesmo jogar um jogo com cinco dias entre o jogo ou três dias, a situação pessoal, se é um jogo exigente, se não é um jogo exigente… Nós precisamos de ter uma responsabilidade de gerir todos os minutos em relação àquilo que acontece todos os dias.”

Bruno Fernandes também abordou a ausência do central. O médio mostrou confiança nas soluções existentes no grupo.

O internacional português disse: «Não há nenhum jogador que não esteja preparado. A seleção dos jogadores foi feita porque o mister acredita, e todos nós dentro do grupo acreditamos, que todos estamos preparados para dar resposta assim que for preciso. Incluindo o Ricardo Velho, que não está na lista, mas que se for preciso estará e está preparado para dar o melhor pela nossa seleção. Obviamente, sabemos que há jogadores mais falados do que outros, há jogadores que estão em clubes de maior nome do que outros, mas isso não muda e nem tira a qualidade dos outros jogadores e é o forte deste grupo, como disse há pouco. Acreditamos todos uns nos outros e temos essa capacidade de dar resposta em qualquer momento, em qualquer setor do campo, independentemente do jogador que possa faltar, sabendo sim que o Rúben é um jogador importante para nós e que logo veremos se estará disponível ou não para jogar.»

RD Congo merece respeito máximo

Sobre o adversário, Martínez recusou qualquer ideia de facilidade. O selecionador destacou o percurso recente da RD Congo e a qualidade física e táctica das seleções africanas.

Na antevisão, explicou: “Primeiro, dizer que o Congo… precisamos todos nós, todos, todos nós respeitar muito o que o Congo está a fazer com o seu treinador. Já são muitos jogos, quase acho eu 48 jogos, isso dá… é um período de muito, muito bom trabalho ao nível das seleções. O Sébastien Desabre fecha uma fase de apuramento extraordinária. Estamos a falar de uma equipa que deixa fora os Camarões, deixa fora a Nigéria e depois teve um play-off intercontinental. Então é uma equipa que eu diria que é muito flexível taticamente, então não é só uma equipa de defender em bloco baixo. Já tivemos a experiência com a Nigéria de que as equipas africanas agora estão muito bem desenvolvidas, conseguem fazer uma pressão de bloco médio-alto agressiva, gostam dos duelos físicos, um jogo vertical quando têm bola descoberta, exploram os espaços na linha defensiva muito, muito bem. Têm jogadores europeus, ou que jogam nas ligas mais importantes na Europa, como o Bakambu, o Wissa, o Theo Bongonda… jogadores muito experientes. Então, nós respeitamos muito o que o Congo é como seleção. E para nós, todos os portugueses, o jogo contra a Nigéria é um jogo que mostra muito bem aquilo que as seleções africanas podem fazer. E acho que há pontos muito semelhantes com a Nigéria: o aspeto flexível, muitos jogadores na zona central, uma equipa que gosta do duelo físico e é muito vertical. A bola parada é um processo continuado. Já são 40 jogos que estamos a trabalhar com a nossa seleção. Nós temos muitos batedores, seja de pé esquerdo ou pé direito, na seleção. Não há um jogador que bata todas as bolas paradas. Temos estratégia em relação ao jogo, ao adversário, mas a bola parada está… está… é um processo que tem sido muito bem, muito bem trabalhado.”

Além disso, Martínez falou sobre os livres directos e as várias soluções portuguesas nesse capítulo.

O selecionador referiu: “Não é uma questão de percentagem de acerto. Nós temos muitos, muitos jogadores que constantemente praticam a bola parada. O Cris já é uma valência de muitos, muitos anos, o Bruno Fernandes, o João Neves — como já desfrutámos do seu golo contra a Arménia —, o João Cancelo, o Nuno Mendes… Eu acho que o toque e o aspeto técnico do jogador português permite que todos eles tenham a capacidade de tirar e praticar bola parada.”

“O sonho comanda a vida”

A ambição portuguesa voltou a ser tema central. Martínez foi questionado sobre as declarações de diferentes figuras da Seleção e da Federação. O técnico respondeu com uma distinção entre sonho e caminho.

O selecionador afirmou: “Primeiro, dizer que o sonho comanda a vida. Para todos nós. Vocês como jornalistas… tudo é um sonho e comanda a vida. Para nós, a seleção portuguesa, o sonho comanda o nosso Mundial. É assim. Todas as pessoas que adoram, que gostam da seleção, têm uma opinião e é muito, muito respeitada. Como selecionador, a minha responsabilidade é como é que nós podemos atingir o sonho. O sonho é uma emoção, emoção. É difícil, não é? Como ganhar? O que é ganhar? Um selecionador precisa de mostrar o que é ganhar contra o Congo, dar clareza. Então o selecionador é o chato que precisa de dizer: o Mundial… há dois Mundiais. Um, os três jogos da fase de grupos. É isso, só temos isso. Depois, precisamos de crescer e mostrar que estamos preparados para continuar. Mas faz sentido que o nosso presidente, que o nosso capitão, falem do sonho. Eu também tenho o sonho, e temos o mesmo. Mas a minha responsabilidade é mostrar que o Mundial ganha-se racionalmente e como um caminho muito bem marcado. Então, não estamos a falar de diferentes vozes. Há uma voz geral e depois há uma voz chata, que é racional, explica o caminho e que utiliza a experiência do terceiro Mundial, de muitos jogos na seleção. Mas é… é uma voz.”

Bruno Fernandes seguiu a mesma linha. O médio reconheceu a força do grupo, mas recusou olhar demasiado longe.

O jogador declarou: «A melhor seleção de sempre é sempre aquela que ganha, por isso espero que, no final desta competição, possamos ser assim rotulados porque seria bom sinal. Obviamente, temos um grupo muito forte de grandes individualidades, mas que, para além dessas individualidades e das qualidades que temos como grupo, somos um grupo muito coeso, muito forte e é isso que faz este grupo especial, para quem o vive por dentro, obviamente. O nosso sonho está lá, aquilo que queremos, estamos bem cientes disso. Sonhar não é proibido, mas o nosso foco, agora que começa começa o Mundial, é o jogo de amanhã e tem de ser assim, jogo a jogo, porque se queremos realmente ser a melhor seleção portuguesa de sempre temos de pensar primeiro no próximo passo e não muito passos à frente. sabendo que temos uma enorme responsabilidade pelo facto de a nossa seleção estar cheia de grandes jogadores e de grandes talentos, que podem decidir jogos e fazer com que Portugal chegue bem longe.»

Cristiano Ronaldo prepara o sexto Mundial

Cristiano Ronaldo volta a estar no centro da narrativa portuguesa. Aos olhos de Martínez, o capitão continua a ser uma referência dentro e fora do relvado.

O selecionador começou por elogiar o nível do futebol português: “Primeiro, dizer que Portugal, para mim, é um exemplo. Estamos a falar de um país de 10 milhões de habitantes e que consegue ter uma estrutura de formação onde produz jogadores do mais alto nível todos os anos. Estamos a falar de um país que ganhou o Mundial Sub-17, de um país que constantemente tem os melhores jogadores nos melhores balneários do futebol europeu e do futebol mundial. Então, admiro imenso a capacidade pessoal do futebolista português de sair do país e ser um jogador importante nos balneários de equipas exigentes. E, depois, esta capacidade de voltar a Portugal e sentir-se orgulhoso, sentir-se um embaixador e estar disposto a trabalhar muito forte pela equipa. Então, o nível de Portugal preferia que seja o senhor a analisá-lo desde fora, analisar rivais é sempre uma forma subjetiva. Eu fico com o facto de que vínhamos de fazer campanhas muito, muito consistentes e de ganhar a Liga das Nações. A Liga das Nações na Europa é a mais exigente de sempre, com 10 jogos, com uns quartos de final, com uma fase final contra a Alemanha, na Alemanha — algo que não se tinha conseguido, ganhar a uma equipa como a Alemanha na Alemanha, há 25 anos — e ganhar uma final, a primeira final que ganhámos, à Espanha. Então, a equipa está radiante, está com muitíssima confiança, mas também com muitíssima responsabilidade e sabendo que um Mundial é muito distinto de qualquer outra competição e temos de ir passo a passo.”

Depois, falou directamente sobre Ronaldo: “E o Cristiano, mais uma vez, é um exemplo e uma referência para o futebol, para todos aqueles futebolistas jovens, ou crianças na rua, meninos e meninas que começam a sentir o amor pelo desporto, seguir o exemplo do Cristiano Ronaldo é uma maravilha. Para nós, é o seu sexto Mundial, mas posso dizer que, a nível interno, parece que é o seu primeiro Mundial. A nível de intensidade, a nível de força emotiva, do quão importante é para ele poder estar preparado para ajudar o grupo. E dentro da seleção é um jogador vital porque é o finalizador, é o jogador de área, é o jogador que tem aqueles movimentos que podem abrir espaços para outros jogadores dentro do nosso jogo de ataque. É um jogador em que os seus números refletem a importância que tem.”

Emoção, nervos e responsabilidade

Martínez também abordou a gestão emocional dos jogadores. Para o selecionador, a emoção de disputar um Mundial não deve ser escondida. Deve ser orientada.

O técnico explicou: “Acho que é, obviamente, um aspeto belíssimo porque as emoções, os sentimentos de representar uma seleção nacional num Mundial, são muito naturais. Portanto, não temos de lutar contra eles. Penso que aquilo de que precisamos para os superar é clareza. Clareza sobre o que fazer quando se está no relvado e naqueles momentos em que não podemos ser guiados pelas emoções e sentir apenas que temos de fazer algo diferente. É um trabalho coletivo, é um desporto em que precisamos que todos estejam a pensar na mesma linha. E considero que o selecionador nacional e a equipa técnica precisam de dar constantemente essa clareza, clareza, clareza, porque isso supera a emoção. Mas eu nunca impediria um jogador de se sentir emocionado por estar num Mundial, porque é bonito, é uma oportunidade única na carreira. Penso que, se tivermos a oportunidade de disputar um Mundial como jogador na carreira, somos muito afortunados. Se disputarmos dois, é uma dádiva. Se disputarmos três, é algo que vai mudar a vida para sempre. E nós temos um jogador que vai para o seu sexto Mundial, por isso acho que podem tirar as vossas próprias conclusões a partir daí. Mas acho que é bonito, as emoções são boas. E outra das coisas é que precisamos de igualar as emoções do Congo, porque amanhã não será o mesmo para nós estar num Mundial em que provavelmente temos muito pouco a ganhar do ponto de vista exterior. Se ganharmos ao Congo, é o esperado; se ganharmos por um, é um grande problema; se empatarmos, é uma catástrofe; se perdermos, é o fim do mundo. E vamos defrontar uma equipa que vem sem expectativas, que está a desfrutar de estar aqui. Vimos exibições incríveis de equipas como o Catar ou Cabo Verde, exibições exemplares que mostram que não há jogos fáceis. Num Mundial, podemos mudar um jogo para torná-lo um pouco mais fácil se marcarmos o terceiro golo, como a Alemanha fez, mas até ao minuto 30 foi um jogo competitivo. Portanto, esperamos amanhã um jogo totalmente difícil, com emoções, e queremos igualar essas emoções positivas da equipa do Congo.”

Pausas de hidratação podem mudar o jogo

Outro tema abordado foi a existência de pausas de hidratação durante os jogos. Martínez admitiu que essa regra altera a forma como as equipas técnicas podem intervir.

O selecionador analisou: “Eu acho que é uma… uma muito boa pergunta, porque o jogo muda. O jogo muda. Eu diria que se precisamos de pausas de hidratação — que certamente precisamos, porque há jogos em estádios muito exigentes, precisamos da pausa de hidratação —, no mesmo torneio, precisamos de pausas de hidratação em todos os jogos, para que a competição seja íntegra e seja… importante. Todos os jogos precisam de ter as pausas de hidratação. Não é a minha opinião de dizer que precisamos delas, mas quando temos, acho que isso, como treinadores, selecionadores, equipas técnicas, muda muito como trabalhamos durante os jogos. Antes, era o aspeto tático antes do jogo, o intervalo e o fim, para o próximo jogo. Agora não, agora há quatro intervalos. Então isso é um aspeto muito, muito importante, revolucionário, porque agora o jogo são quatro partes. Então, nós precisamos de utilizar… não é a minha função dizer se é bom ou se é mau, é utilizar isso. E é um aspeto que nós podemos utilizar, já tivemos a oportunidade de fazer isso em março, começámos a trabalhar porque… é diferente para os jogadores, é diferente para a equipa técnica, mas nós precisamos de utilizar um período — estamos a falar de um período de três minutos — para trabalhar muito. Então, há aspetos táticos, de flexibilidade, de poder ajustar, que já vemos noutros desportos e acho que para o aspeto tático ajuda muito poder ter contacto com os teus jogadores durante o jogo.”

Tempestade ameaça Houston antes do jogo

Além do lado desportivo, há um fator externo a seguir com atenção. Está prevista a passagem de uma tempestade pela região de Houston, onde será disputado o encontro entre Portugal e RD Congo.

Na terça-feira, o National Hurricane Center identificou uma perturbação como um “potencial ciclone tropical”. O sistema de baixa pressão deverá deslocar-se ao longo da costa durante a noite de terça para quarta-feira, antes de seguir para o interior.

Em comunicado, a NHC alertou: “Os moradores do sul e leste do Texas devem se preparar para períodos de fortes chuvas nos próximos dias, que podem causar inundações repentinas generalizadas e potencialmente fatais, inundações urbanas e cheias de rios”.

Houston está entre as zonas com risco de inundação estimado no nível 3 de 4. O NRG Stadium, palco do encontro, tem capacidade para 68.777 espectadores e possui teto retrátil.

Ainda assim, mesmo que a cobertura ajude a proteger o jogo, a tempestade pode condicionar a chegada dos adeptos ao estádio.

Messi já deixou marca no Mundial

Enquanto Portugal prepara a estreia, outras seleções já começaram a escrever a sua história neste Mundial. A Argentina, campeã em título, entrou a vencer a Argélia por 3-0.

Lionel Messi foi a grande figura do encontro. O capitão argentino assinou um hat trick e voltou a colocar-se no centro da competição.

Aos 38 anos, Messi tornou-se o futebolista mais velho a marcar três golos num jogo do Campeonato do Mundo. O recorde pertencia a Cristiano Ronaldo, que o conseguira frente a Espanha, no Mundial 2018, aos 33 anos e 130 dias.

Além disso, Messi chegou aos 16 golos em Mundiais, igualando Miroslav Klose no topo da lista de melhores marcadores da história da competição.

França e Noruega também entram a ganhar

A França também começou o Mundial com uma vitória. A seleção gaulesa bateu o Senegal por 3-1, depois de uma primeira parte difícil e de uma reação forte no segundo tempo.

Michael Olise ajudou a desbloquear o ataque francês e Kylian Mbappé bisou. Com esse desempenho, o avançado ultrapassou Olivier Giroud e tornou-se o melhor marcador de sempre da seleção francesa.

Por outro lado, a Noruega regressou aos triunfos em Mundiais 28 anos depois. A seleção nórdica venceu o Iraque por 4-1, com Erling Haaland em destaque.

O avançado do Manchester City bisou e foi decisivo numa partida em que o Iraque ainda sonhou, mas acabou travado pela qualidade norueguesa.

Portugal entra em campo com tudo em aberto

Com o Mundial já lançado, Portugal chega ao primeiro jogo rodeado de ambição, ruído externo e desafios concretos. A ausência de Rúben Dias pesa, a tempestade em Houston preocupa e o futuro de Martínez paira sobre a estreia.

Ainda assim, a mensagem interna é clara. A FPF garante foco total. Martínez fala num caminho racional até ao sonho. Bruno Fernandes insiste no jogo a jogo. E Cristiano Ronaldo prepara-se para viver o sexto Mundial da carreira.

Agora, começa a parte que nenhuma conferência consegue resolver. Portugal entra em campo.

Artigo relacionado: Portugal estreia-se no Mundial entre ambição, bastidores fortes e futuro incerto de Martínez

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