Domingo, Outubro 24, 2021

‘Recomeçar’ é o novo disco de Tony Carreira que presta homenagem a Sara Carreira

'Recomeçar' é o novo disco de Tony Carreira que presta homenagem a Sara Carreira
TVI

‘Recomeçar’ é o novo disco de Tony Carreira que presta homenagem a Sara Carreira, anunciou, ontem, o cantor em entrevista à TVI.

Tony Carreira concedeu uma entrevista intimista a José Alberto Carvalho que foi emitida no “Jornal das 8”, da TVI, na noite de ontem.

Depois da morte da filha, a 5 de Dezembro, considera-se um Tony diferente.

Anunciou que o novo disco, que sai em Outubro, intitula-se ‘Recomeçar’, algo que está a tentar fazer depois da morte da filha.

Pelo menos tentar, sou obrigado a tentar, não há outra alternativa”, disse.

O disco ia ser editado no Natal do ano passado, mas devido ao sucedido, foi impossível concretizá-lo. No entanto, o artista revela agora que recuperou quatro temas dessa altura.

O pivô da estação de Queluz de Baixo questionou o entrevistado sobre a agenda preenchida que aí vem e sobre este novo álbum. “É vital, preciso mesmo. Durante o dia, levanto-me muito cedo, sete e meia da manhã estou a pé e começo a trabalhar. Isso ajuda-me bastante”, disse Tony.

Quando a cabeça começa [a pensar em coisas más]… à noite é o pior, continuo, como disse… o acordar é mil vezes pior. É sentir-me perdido, muitas vezes não sei onde estou! Mas é assim. Esta quantidade de concertos foi pedida por mim. No próximo ano são muitos concertos. São 25 concertos num mês, na tournée francesa, depois Portugal, Suíça, Bélgica, Estados Unidos da América, Canadá. E se houver possibilidade de cantar no Gana, também lá vou [risos]. Quero cantar, cantar, cantar”, destacou.

A música é a salvação de Tony Carreira? O convidado especial do Jornal das 8 responde que sim, aproveitando para agradecer “à classe artística por todo o apoio que” lhe deu.

Portugal inteiro foi maravilhoso nesse sentido. Tive uma conversa, há um mês, com o meu sócio Pedro Abrunhosa e falámos sobre isso, que a música tem uma cena mágica. O meu refúgio nesta dor foi o estúdio. Foi lá que me fechei, muitas vezes para chorar, mas consegui encontrar alguma felicidade dentro daquelas quatro paredes. Eu tenho uma empresa que deixei de gerir: ‘Façam vocês a gestão que eu quero fechar-me aqui dentro. Só aqui é que eu sinto alguma paz’. E a música tem isto”, acrescentou.

No sítio onde a minha filha teve o acidente fatal, durante umas semanas tinha o hábito de lá ir por uma vela. Um dia… punha o carro mesmo na berma da estrada, no limite, confesso, de algum perigo, coloco uma vela e passa um camião por mim, a apitar. Faço o que tinha para fazer, sigo viagem e o camião continua a apitar. Pensei: ‘Bem que cromo, deixem-me estar’. Irritei-me e saí na bomba de gasolina de Aveiras e o camião vem atrás de mim. O que acontece é que há um casal que baixa o vidro e diz: ‘É simplesmente para lhe dar um abraço’. Desses exemplos já tive milhares deles. Espero nunca desiludir os portugueses. Adoro ser português”, recordou, com a voz embargada pela emoção.

Sobre o contrato de exclusividade com a TVI, sobraram elogios: “Sinto orgulho neste contrato e vou explicar o porquê. No meu regresso, há projetos que tenho na minha cabeça que eu gostava de concretizar e quem me deu as melhores condições artísticas para os concretizar foi a TVI”, disse.

Fiz um acordo em termos de conteúdos que eu vou fazer no futuro, que têm que ver com a música. Quando assinei este contrato, em outubro do ano passado, a negociação começou muito antes, em agosto, já era para começar a trabalhar nesses projetos um ou dois meses depois. Quando aconteceu esta tragédia na minha vida eu fui sincero e disse: ‘Não estou em condições para trabalhar. Estão completamente à vontade para romperem este contrato. Não me podem obrigar a trabalhar, não quero fazer absolutamente nada, quero paz’. Neste sentido estou-lhes muito grato e por isso é que disse que tenho muito orgulho, porque me disseram: ‘Quando te sentires em condições de trabalhar, começamos’. E foi exatamente isso que aconteceu”, detalhou.

Este contrato “envolve uma série biográfica, mas ficionada a propósito dos 35 anos de carreira” que Tony Carreira vai celebrar daqui a dois anos. “A ideia desta série já propus a muita gente e foi a TVI que me deu as condições para que isso acontecesse. Achei que um filme bem feito, uma coisa bonita, faria todo o sentido. Já falámos sobre quem seria hipotéticamente o realizador, os atores. Mas está condicionada, porque eu gosto de ver o Tony que eles vão por [risos]. À partida é para fazer isso e outros projetos musicais”, informou o músico.

No entanto, esta “rubrica” nada tem que ver com o facto de ser acionista do grupo Media Capital. “Sou um acionista, eu tenho 1%, o que é ridículo naquele investimento. (…) Já fiz investimentos em que perdi, já fiz investimentos em que ganhei, foi um investimento”, disse.

Por enquanto, para o meu lado é negativo. Mas espero que venha a ser positivo, não me posso dar ao luxo de perder muito dinheiro. Acredito no projeto e torço para que corra tudo bem. É 1%, mas é dinheiro”, disse sobre o balanço do investimento que fez na TVI.

Quando estou em palco, tento procurar um sinal da minha filha, qualquer coisa. Há momentos que são duros. Esta perda é uma coisa que jamais vou superar. Faz agora 10 meses, não sei nada do inquérito, não sei o que aconteceu, estou à espera. O que me dizem é que dura três, quatro anos, que eu acho desumano. Muitos pais vêm ter comigo para eu ser porta-voz de uma situação que é desumana”, lamentou.

Tony Carreira revela que se agarra àquilo que pode. “Se vejo passar uma borboleta, o símbolo da minha filha, quero acreditar que é um sinal dela. Agarro-me a coisas que, pontualmente, me fazem bem. E tenho momentos em que caio. Caio sozinho e ergo-me sozinho. E explico porquê. Não posso… Eu e a Fernanda [Antunes] temos um papel muito importante: continuamos a ter dois filhos maravilhosos, que precisam de nós e que sofrem tanto quanto nós. Portanto, não posso cair à frente deles. Não posso fazer isso”, adiantou.

Depois da partida da minha filha, porque não gosto de dizer morte, tenho de me erguer. Por mais que me doa, tenho de me erguer. E assim será, porque acredito, quero acreditar, que um dia vou estar com ela”, rematou.

‘Recomeçar’ é o novo disco de Tony Carreira que presta homenagem a Sara Carreira, na fase mais dura da vida do cantor.

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