Ricardo Levesinho: “Temos de atrair o maior número de pessoas à praça e o que temos de fazer é o melhor espectáculo possível”

Ricardo Levesinho: “Temos de atrair o maior número de pessoas à praça e o que temos de fazer é o melhor espectáculo possível”, disse em entrevista ao Infocul.pt

Ricardo Levesinho: "Temos de atrair o maior número de pessoas à praça e o que temos de fazer é o melhor espectáculo possível"

Texto e Entrevista: Rui Lavrador
Fotografia e Vídeo: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Como oportunamente AQUI noticiámos, a empresa Tauroleve, liderada por Ricardo Levesinho, venceu o Prémio Infocul – Tauromaquia 2022, na categoria de Melhor Empresa. Algo que sucede pelo 2º ano consecutivo, após votação da equipa deste site.

A 3 de Novembro, na Fábrica das Palavras, em Vila Franca de Xira, num dia de forte precipitação [chuva] e com muito nevoeiro, Ricardo Levesinho esteve à conversa com Rui Lavrador, abordando não apenas a temporada da Tauroleve, mas também a questão dos apoderamentos e da tauromaquia em geral.

Como apontamento inicial, permitam-me referir que Ricardo Levesinho é um entrevistado desafiante para um jornalista. A articulação de raciocínio e o cuidado nas palavras “obrigam” a que a conversa seja ‘templada’ para que todos os pontos de vista sejam bem fundamentados e enquadrados.

Um homem de negócios, protector da família, com uma visão estratégica e romântica da tauromaquia, com um imensurável amor a Vila Franca e à Palha Blanco, além de um desejo de triunfar e concluir o projecto por si idealizado para a gestão da Praça de Touros Daniel do Nascimento na Moita.

Sobre a temporada agora finda, foi claro: “Nunca estamos satisfeitos com aquilo que atingimos. Houve momentos fantásticos, houve momentos que sonhámos e concretizámos, Mas, há muito para fazer“, destacando como pontos mais positivos, em Vila Franca, “a corrida do Colete Encarnado que foi fantástica. Recordo-me da Feira de Outubro que teve duas corridas excelentes” e ainda a “encerrona de Salgueiro da Costa“.

Sobre a Moita, e aquando da entrevista o concurso de gestão da praça decorria [vindo a Tauroleve a vencer o mesmo], Ricardo revelou que o sentimento que nutre por esta praça tem vindo a aumentar e por isso mesmo “sinto que ainda há coisas para fazer, não queria sair da Moita com a ideia de trabalho inacabado

Explicou ainda a concretização de todos os cartéis, quer em Vila Franca quer na Moita, como poderá ver no vídeo abaixo.

E de todos os cartéis, assumiu, humildemente, que errou num dos cartéis da Feira do Toiro em Vila Franca de Xira (no mês de Maio).

Vila Franca não pode ser uma praça para ter 700 pessoas, que foi o que aconteceu nesse dia. De longe, foi a pior corrida que organizei em Vila Franca. Com todo o respeito pelo senhor ganadeiro, que teve um grande curro, pelos 3 toureiros em praça“, explicou, afirmando mesmo que foi a sua pior corrida enquanto empresário. Não em termos qualitativos, defendendo os intervenientes, mas sim no enquadramento da mesma.

Sobre a actualidade tauromáquica, abordou a falta de qualidade de alguns cartéis, ressalvando porém que “temos de encontrar um equilíbrio entre romantismo e gestão financeira“.

Se não estou em erro, este ano foram realizados 167 espectáculos, igualando 2019, o ano anterior à pandemia. E nesse ano ainda havia a praça de touros de Albufeira que dava cerca de 20 espectáculos e era extremamente importante para o fomento jovem“, referiu.

Acho que o número anda muito próximo do correcto. O problema é que há corridas geograficamente muito perto umas das outras“, destacou.

Acho que mais do que a questão da sobreposição de corridas, é as pessoas entenderem que temos de atrair o maior número de pessoas à praça e o que temos de fazer é o melhor espectáculo possível. Porque se o fizermos, há público para tudo. O que não podemos fazer é criar espectáculos de qualidade QB [quanto baste] e espalhados por este país. Isto cria dano. É a minha leitura, não sou dono da verdade“, justificou.

Cada vez mais as pessoas procuram a qualidade“, afirmou.

E deu até o exemplo de duas organizações suas: “Vou dar-te um exemplo: Eu não posso fazer o mesmo cartel em Vila Franca e em Samora. Com todo o respeito por Samora. Ali enquanto eu organizar corridas, quero fazer o melhor possível, mas estarem a ir os mesmos cartéis, é que não pode acontecer“.

Ricardo Levesinho destacou ainda que falta “classe” no meio tauromáquico, em comparação com tempos idos e que essa mesma classe deveria regressar, para elevação do sector.

A conversa abordou ainda a questão familiar, com Ricardo a destacar o seu irmão, Rui Levesinho: “O meu irmão é top, alguém que adoro muito. O meu irmão tem questões que são únicas, tem uma força de me apoiar e defender, em que às vezes se prejudica a ele próprio. Eu sinto isso, não para ele se defender, mas para me defender a mim. Ele é uma máquina, fundamental, tanto que se ele amanhã me dissesse que queria desistir disto, o projecto acabava. Este prémio é muito dele, é um projecto que já vem desde 2006. Ele tem uma sensibilidade muito grande, grande conhecimento, já foi crítico taurino. É uma pessoa especial“.

Na conversa que poderá ver integralmente no vídeo abaixo, falou ainda dos planos para celebrar os 15 anos de alternativa de João Ribeiro Telles e do que pretende que seja a temporada 2023 de Paco Velásquez e Tristão Ribeiro Telles.

Deu ainda uma novidade sobre a temporada na Palha Blanco, explicando que ao contrário deste ano não irá anunciar todos os cartéis da temporada logo no início do ano, mas que fará duas apresentações, deixando os últimos cartéis do ano em aberto para os triunfadores da temporada vindoura.

Veja a entrevista na integra:

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