Rita Ferro Rodrigues reage ao incêndio na Suíça e deixa alerta inquietante sobre o impacto das redes sociais, de forma nua e crua.
A tragédia ocorrida durante a noite de passagem de ano num bar na Suíça, que provocou a morte de mais de 40 jovens e deixou vários feridos, motivou um desabafo público de Rita Ferro Rodrigues. A apresentadora recorreu às redes sociais para partilhar uma reflexão profunda e perturbadora sobre o comportamento registado durante o incêndio.
Imagens que causaram choque
Desde logo, Rita Ferro Rodrigues explicou que optou por não divulgar as imagens gráficas que circulam online. Ainda assim, confessou ter ficado profundamente abalada pelo que viu nos vídeos partilhados.
“As imagens do incêndio aterrorizaram-me e não, não foi pela voracidade assassina das chamas. Foi pela reação de uma grande parte dos miúdos: pegaram nos telefones e começaram a filmar”, escreveu.
Segundo a comunicadora, o que mais a impressionou não foi o fogo, mas a atitude de quem estava em risco iminente.
Um comportamento considerado alarmante
De seguida, Rita Ferro Rodrigues apontou para aquilo que considera ser uma desconexão grave com a realidade. Na sua perspetiva, o instinto de sobrevivência parece ter sido substituído por um impulso de registo digital.
“Em vez de se salvarem enquanto tinham tempo, eles pegaram nos telefones e começaram a filmar, totalmente alheados e indiferentes ao perigo, como se estivessem a viver numa realidade paralela, zero instinto de sobrevivência, intuição de fuga inexistente (…) Malta, algo se passa e não é bom, algo de profundamente inquietante e aterrador se passa”, alertou.
A apresentadora descreve este comportamento como um sinal preocupante dos tempos atuais.
Sem julgamentos, mas com reflexão
Apesar do tom crítico, Rita Ferro Rodrigues fez questão de esclarecer que não pretende culpar as vítimas. Pelo contrário, recordou a sua própria juventude e decisões impulsivas, sublinhando a diferença do contexto atual.
“Nada nas minhas palavras tem como objectivo culpar ou julgar estas vítimas (…) mas na altura em que o fiz, não havia internet, muito menos redes sociais ou um telefone na mão que, é um voyeur tarado e nos anestesia da realidade, pela tentação dos gostos, partilhas, validação de uma existência virtual”, refletiu.
Assim, a apresentadora aponta a tecnologia como um fator determinante na forma como as novas gerações reagem ao perigo.
Uma pergunta sobre o futuro
Por fim, o desabafo termina com uma comparação dura e uma interrogação que deixa eco. Rita Ferro Rodrigues recorre ao instinto animal para ilustrar a gravidade da situação.
“As imagens daqueles miúdos com o telefone na mão e o mundo a arder, mostram que algo de muito grave se passa. Os animais fogem perante o perigo do fogo. Sejam ou não racionais. No que é que nos estamos a transformar?”
A reflexão da apresentadora tem gerado forte debate nas redes sociais, levantando questões sobre o impacto do vício digital e a relação das novas gerações com a realidade e o perigo.
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