“Sweeney Todd” chega a Lisboa: Lisbon Film Orchestra estreia musical icónico no Teatro Armando Cortez, numa grande produção.
Produção em português promete ser um dos grandes acontecimentos culturais de 2026
Depois de conquistar a Broadway, Sweeney Todd – O Cruel Barbeiro da Rua Fleet prepara-se para subir ao palco em Lisboa. De 2 de abril a 3 de maio de 2026, a Lisbon Film Orchestra apresenta o emblemático musical no Teatro Armando Cortez.
Com música e letras de Stephen Sondheim e libreto de Hugh Wheeler, a obra estreou na Broadway em 1979 e tornou-se uma referência incontornável do teatro musical internacional. Agora, chega a Lisboa numa nova produção integralmente em português.
Um espetáculo de grande escala
Além da dimensão artística, o projeto destaca-se pela estrutura em palco. Ao todo, nove músicos acompanham a interpretação ao vivo, reforçando a intensidade dramática da partitura.
Por outro lado, quase 40 artistas participam em cada sessão, entre coro, elenco, ensemble e músicos. A produção afirma-se, assim, como um dos eventos culturais mais ambiciosos de 2026 em Portugal.
Nos papéis principais, Bryan Carvalho assume a personagem de Sweeney Todd, enquanto Vânia Blubird interpreta Mrs. Lovett.
Uma história sombria com humor negro
O musical acompanha o regresso de um barbeiro a Londres, após anos de ausência. Determinado a confrontar quem destruiu a sua vida, envolve-se num plano inesperado com a dona de uma loja de empadas.
Contudo, mais do que um simples thriller, a narrativa combina ironia, sarcasmo e crítica social. O humor negro está presente ao longo de toda a peça, equilibrando momentos intensos com situações absurdas e teatralmente exageradas.
Em vez de recorrer ao choque visual, a encenação aposta na sugestão. A violência é frequentemente insinuada, permitindo que a imaginação do público complete o cenário.
Nuno de Sá fala num sonho concretizado
Para o maestro e diretor musical Nuno de Sá, este projeto representa um marco pessoal.
“Dirigir Sweeney Todd é a concretização de um sonho de há muitos anos. Há o filme de Tim Burton que tem Johnny Depp como protagonista e depois há esta versão em teatro musical que passou pela Broadway e é um dos musicais mais impactantes de Stephen Sondheim. A partitura é muito complexa e rica, com uma sonoridade rara de ouvir em Portugal. Poder apresentar esta obra em Lisboa e em português, com nove músicos em palco, coro, atores e ensemble, é uma enorme honra e um desafio artístico que promete ser inesquecível.”
Bryan Carvalho destaca intensidade do papel
Já Bryan Carvalho sublinha a exigência emocional da personagem principal.
“É mergulhar num mundo completamente fantasioso e afastado da realidade. Sweeney Todd é movido por uma profunda tristeza e revolta que o tornam tão assustador quanto frágil. Como ator, não poderia pedir melhor desafio. Quero que não só o rigor, mas também a vulnerabilidade do meu trabalho atinjam novos extremos. Sem dúvida, um musical surpreendente que vai conquistar muitos fãs. E como diria o próprio Sweeney Todd: “Mal posso esperar por todos na minha barbearia — já estou a afiar as navalhas.””
Vânia Blubird sublinha os contrastes de Mrs. Lovett
Por sua vez, Vânia Blubird destaca a complexidade da personagem que interpreta.
“Abraçar a Mrs. Lovett é aceitar um papel cheio de contrastes. É um desafio vocal exigente — delicioso e sombrio ao mesmo tempo — com uma interpretação que pede humor e verdade emocional. É um papel intenso, divertido e marcante, que exige entrega total.”
Uma reflexão sobre justiça e vingança
Mais do que entretenimento, Sweeney Todd propõe uma análise sobre a condição humana. A linha entre justiça e vingança atravessa toda a narrativa.
Entre luz e escuridão, o espetáculo expõe fragilidades e contradições do ser humano, mantendo sempre a música sofisticada como fio condutor.
A encenação é assinada por Pedro Pernas, com direção musical de Nuno de Sá. A coreografia é de Laura Póvoa e a cenografia de Kim Cachopo, entre outros nomes da equipa técnica.
Os bilhetes já estão disponíveis na Ticketline e nos locais habituais, com preços entre 25 e 35 euros. A classificação etária é M/14 e a duração prevista é de 145 minutos, com intervalo.
Lisboa prepara-se, assim, para receber um dos musicais mais marcantes da história do teatro contemporâneo.





