Tânia Laranjo: “200 mil pessoas às escuras. Mas calma: há eleições (…) Vamos a votos e dizemos a essas 200 mil pessoas que o voto delas é irrelevante”, criticou.
Enquanto o país continua a lidar com os efeitos devastadores do mau tempo, Tânia Laranjo levantou a voz. A jornalista da CMTV usou as redes sociais para criticar duramente a realização das eleições presidenciais deste domingo, 8 de fevereiro.
A reação surge após quase duas semanas consecutivas no terreno, a acompanhar de perto o drama vivido por milhares de portugueses.
Eleições com milhares de pessoas às escuras
Desde logo, Tânia Laranjo questionou a normalidade política num país ainda mergulhado na crise. Na sua análise, apontou números e consequências diretas para os cidadãos afetados.
Nesse sentido, escreveu: “Há 90 mil clientes sem luz. Dez dias depois do primeiro temporal, ainda há (…) 200 mil pessoas às escuras. Mas calma: há eleições (…) Vamos a votos e dizemos a essas 200 mil pessoas que o voto delas é irrelevante. Que não faz falta”.
Assim, a jornalista expôs o contraste entre o calendário político e a realidade vivida por quem continua sem condições básicas.
Crítica à falta de soluções para garantir o direito de voto
Por outro lado, Tânia Laranjo acusou a classe política de incoerência na gestão das crises. Para a repórter, a ausência de alternativas para garantir o direito ao voto é incompreensível.
No texto partilhado, foi incisiva: “Criatividade nunca faltou aos nossos políticos, sobretudo quando é para contornar regras, inventar exceções ou reinterpretar a realidade. Estranhamente, quando é para garantir direitos básicos, aí a imaginação entra em greve”.
Deste modo, a crítica centrou-se na desigualdade criada por decisões que ignoram o contexto social.
“Nem todos os votos pesam o mesmo”
Na conclusão, o tom tornou-se ainda mais duro. Tânia Laranjo descreveu o ato eleitoral como um exercício de resistência desigual.
A jornalista resumiu a situação com amargura: “Transforma-se num exercício de resistência: quem tem luz vota, quem não tem… paciência. Afinal, na democracia moderna, nem todos os votos pesam o mesmo”.
Assim, a publicação deixou um alerta claro sobre exclusão e cidadania em tempos de crise.
Quase duas semanas longe de casa em condições extremas
Além da vertente política, Tânia Laranjo partilhou um desabafo pessoal sobre a dureza da cobertura jornalística. A repórter revelou que saiu de casa “só ali” para um serviço e que, 13 dias depois, ainda não regressou.
Entre o desgaste físico e emocional, descreveu um cenário limite, marcado por “frio, chuva e fome”, confessando momentos em que “gritei com colegas” e entrou em “modo pânico”.
Humor no meio do caos e compromisso com o público
Apesar do cansaço, a jornalista encontrou espaço para a ironia. A sua imagem em direto tornou-se viral, algo que encarou com leveza.
Sobre isso, admitiu: “Já apareci na televisão com um cabelo que claramente perdeu a batalha contra a água (…) Também me tornei meme. Sobrevivi. Ri-me dos erros”.
Ainda assim, a mensagem final foi de compromisso absoluto com quem acompanha o seu trabalho: “Estou exatamente onde quero estar. No país real. Com as pessoas reais”.
Dessa forma, Tânia Laranjo volta a assumir-se como uma voz incómoda, mas presente, num jornalismo feito no terreno, sem filtros e próximo de quem vive as consequências mais duras da realidade.
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