Tânia Laranjo ironiza com empresas que põem clientes a trabalhar: «Só peço que me carimbem o ponto», brincou nas redes sociais.
Tânia Laranjo recorreu às redes sociais para criticar, com ironia, a crescente transferência de tarefas das empresas para os próprios consumidores.
Numa publicação partilhada no Facebook, a jornalista refletiu sobre hábitos já instalados no quotidiano. Entre os exemplos, apontou as caixas de pagamento automático, o levantamento dos tabuleiros e o abastecimento de combustível.
«Pagar para trabalhar é um sinal de progresso»
Tânia Laranjo começou por observar que os clientes passaram a executar funções anteriormente asseguradas pelos trabalhadores dos estabelecimentos.
“A humanidade é extraordinária. Conseguiu convencer-se de que pagar para trabalhar é um sinal de progresso.”
De seguida, recordou algumas mudanças que foram sendo introduzidas gradualmente. Na sua perspetiva, os consumidores acabaram por aceitar cada nova responsabilidade sem grande resistência.
“Começou devagar. ‘Passe você os artigos na caixa.’ Passámos. ‘Levante o tabuleiro.’ Levantámos. ‘Abasteça o carro.’ Abastecemos.”
Compra de uma garrafa de água exige «curso de logística»
A autora da publicação abordou depois os sistemas utilizados em alguns estabelecimentos, onde uma compra simples pode obrigar o cliente a cumprir várias etapas.
Mantendo o tom irónico, considerou que as empresas encontraram uma forma de ter pessoas a desempenhar tarefas sem lhes pagarem qualquer remuneração.
“Agora surgiu a pós-graduação: comprar uma garrafa de água implica um curso de logística. É brilhante. As empresas descobriram que o cliente é o único funcionário que paga para exercer funções.”
Tânia Laranjo imagina os próximos passos
A reflexão prosseguiu com outros exemplos do que poderá acontecer caso esta tendência continue. Tânia Laranjo imaginou clientes a preparar a própria comida ou a ajudar em tarefas internas dos supermercados.
“Espero sinceramente que isto não pare por aqui. Gostava que o próximo passo fosse montar o hambúrguer no balcão, descarregar o camião do supermercado ou ajudar a fazer o inventário.”
A jornalista concluiu a publicação com uma última provocação sobre aquilo que é apresentado aos consumidores como modernização e progresso.
“Afinal, quem somos nós para travar o progresso? Só peço que, no fim do turno, me carimbem o ponto.”
A publicação gerou milhares de reações e comentários, com vários utilizadores a partilharem experiências semelhantes enquanto clientes.
Veja a publicação AQUI.
